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01 de Setembro de 2009 Imprimir
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Educação física além do físico

Por: Beatriz Vichessi
Foto: Marcelo Kura
Foto: Marcelo Kura

A relevância do corpo na escola, visto como uma estrutura a ser desenvolvida e não como algo desprezível ou que atrapalha a aprendizagem, é a questão central de reflexão e de análise do livro Educação de Corpo Inteiro - Teoria e Prática da Educação Física (224 págs., Ed. Scipione, tel. 0800-161-700, 51,90 reais). Elaborada há 20 anos por João Batista Freire, professor doutor em Psicologia Educacional, a obra é um marco na forma de pensar e entender não só a disciplina como também o movimento corporal em todos os planos da relação entre ensino e aprendizagem.

A proposta do autor é romper com a visão de que as crianças têm duas partes distintas - a física e a mental. Ele afirma que o ser humano não somente tem um corpo, mas é um e precisa ser encarado assim, como uma unidade. A sutil diferença desse entendimento colabora com a compreensão de que, para trabalhar corretamente com Educação Física, é importante ir além dos discursos e das questões semânticas que põem em discussão se a instituição tem de se preocupar com a Educação do movimento, para o movimento ou para o não-movimento.

Freire ainda chama a atenção do leitor para a validade e os benefícios do brincar. Ele tem de ser encarado como um instrumento pedagógico que estimula as capacidades relacionadas às dimensões motoras, afetivas, sociais e cognitivas. Ou seja, nada de deixar a atividade reduzida a movimentos vazios e descontextualizados.

Por fim, a obra prova que a Educação da motricidade é responsabilidade de todos na escola (e não só do professor de Educação Física) e que sempre que os educadores promovem a inércia das crianças, imaginando o corpo como um estorvo ou um intruso, estão afirmando, de modo consciente ou inconsciente, a maneira (errada) com que enxergam o mundo e a Educação também.

É fato que, onde os estudantes passam muito tempo tendo de ficar sentados, o que aprendem é exatamente a ficar sentados. Por outro lado, em movimento, eles estão em busca de cooperação, de convivência em grupo e do aprendizado de regras e limites.

Sobre o autor É professor de Pedagogia do Movimento, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), consultor Pedagógico do Instituto Esporte e Educação e coordenador do Grupo de Estudos Oficinas do Jogo, em Florianópolis.

Fabio Luiz D'Angelo, autor desta resenha, é mestre em Educação Física e formador de professores.

Clássico do mês

Trecho do livro

"Corpo e mente devem ser entendidos como componentes que integram um único organismo. Ambos devem ter assento na escola, não um (a mente) para aprender e o outro (o corpo) para transportar, mas ambos para se emancipar. Por causa dessa concepção de que a escola só deve mobilizar a mente, o corpo fica reduzido a um estorvo, quanto mais quieto estiver, menos atrapalhará. Fica difícil falar de Educação concreta na escola quando o corpo é considerado um intruso. A concretude do ensino depende, a meu ver, de ações práticas que deem significado ao 'dois mais dois' ou ao 'Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil'. Sem viver concretamente, corporalmente, as relações espaciais e temporais de que a cultura infantil é repleta, fica difícil falar em Educação concreta, em conhecimento significativo, em formação para a autonomia, em democracia e assim por diante. Sugiro que, a cada início de ano letivo, por ocasião das matrículas, também o corpo das crianças seja matriculado."

De 9 a 31 de setembro, quem entrar em contato com a editora Scipione e mencionar a parceria com NOVA ESCOLA ganhará 30% de desconto na compra de um exemplar.

Biblioteca viva

A unidade de Palmas do Serviço Social do Comércio (Sesc) tem uma biblioteca com quase 10 mil exemplares, de clássicos a best-sellers. No entanto, mesmo atendendo 3 mil pessoas por mês, o espaço ainda não era acessível a todos, principalmente aos moradores da região sul, onde faltam opções culturais. Para atrair novos leitores, foi criado o programa BiblioSesc, que roda toda a capital do Tocantins a bordo de um caminhão-baú que para por 15 dias em cada bairro. Assim, pessoas de diferentes lugares têm acesso ao acervo.

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