Na escola pública, maioria não tolera diferenças

POR:
Beatriz Vichessi
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Mario Kanno

Diversidade não é um tema bem-vindo entre alunos, pais, professores e diretores. Esse é um dos apontamentos do Estudo sobre Ações Discriminatórias no Âmbito Escolar, realizado no primeiro semestre de 2009 pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em convênio com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Idade, etnia, orientação sexual e de local de origem, entre outras características, incomodam a maior parte do público analisado em 500 escolas públicas de todo o país (veja o gráfico à esquerda). Além de a abrangência da intolerância assustar, é preocupante encontrar as necessidades especiais como o principal alvo de repulsa, ainda mais com a crescente inclusão de alunos com algum tipo de deficiência nas escolas regulares. Nessa categoria, o índice geral de preconceito é de 96,5% e alcança 96,8% dos alunos e 87,4% dos docentes. Acesse o relatório.


Ensino Superior
Em 2010, o país ganhará uma universidade bilíngue

Uma nova instituição está sendo organizada em Foz do Iguaçu, a 637 quilômetros de Curitiba, para atender a brasileiros e aos demais latino-americanos. É a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), que ministrará aulas bilíngues para contemplar a todos e difundir a língua espanhola entre os falantes de português. A escola vai oferecer cursos a partir de 2010, inclusive de licenciatura. A unidade precursora, o Instituto Mercosul de Estudos Avançados (Imea), que vai viabilizar o projeto político-pedagógico, é formada por especialistas em Educação de 23 países das Américas.


Ontem e hoje
Alfabetização tardia 

Foto: Geraldo Mori
Foto: Geraldo Mori

Entre 1967 e 1985, o governo manteve o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) em classes para adultos como esta. Agora, 24 anos depois, o analfabetismo ainda está longe de acabar. Somente 64 municípios são reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC) como cidades livres do problema.

 


34% dos estudantes brasileiros que têm entre 15 e 17 anos ainda frequentam turmas do Ensino Fundamental.

Fonte: Estudo Trabalho Decente e Juventude no Brasil, da Organização Internacional do Trabalho (OIT)


Formação
Estudo em 23 países revela o cenário da formação continuada

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Estudar para se desenvolver profissionalmente é uma prática frequente para 90% dos docentes das séries iniciais do segundo ciclo do Ensino Fundamental de 23 países. O dado faz parte de um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Independentemente de serem ou não um grupo grande e terem dedicado muitos ou poucos dias aos cursos, as aulas não impactam todos da mesma maneira (veja o gráfico acima). Em tempo: como ensinar as crianças e novas tecnologias a serviço dos conteúdos são os temas que mais fazem falta na opinião deles.

fonte: A Criação de Situações Eficazes de Ensino e Aprendizagem, da OCDE


 Políticas públicas
Se as crianças não conseguem chegar até a escola...

Nas regiões de reservas extrativistas do Acre, às vezes os alunos precisam caminhar até quatro horas para ir à escola mais próxima. Para minimizar essa dificuldade, a Secretaria de Estado de Educação local resolveu organizar um projeto de Educação Infantil que irá atender o público de 4 e 5 anos em domicílio. É o Asas da Florestania Infantil. "Queremos que os pequenos, assim que completarem 6 anos, passem a frequentar as salas de aula já tendo trabalhado com funções e operações cognitivas, motoras, afetivas e sociais", explica Maria do Socorro de Oliveira, da coordenação de ensino rural. Os educadores vão visitar a garotada semanalmente. Este ano, vão colocar a ideia em prática em 13 municípios, com 104 agentes, beneficiando 1.294 crianças.


Calvin 

Calvin

Toda semana, uma nova tirinha sobre Educação com Calvin e seus amigos


"Há grande diferença de eficácia de um professor para o outro. Mas os sistemas educacionais funcionam como se eles fossem iguais."

Chris Cerf, subsecretário de Educação de Nova York, no jornal Zero Hora


Educação Infantil
A família contribui (e muito!) para o acesso à pré-escola

Foto: Marcelo Almeida
PRÉ-ESCOLA Estudo indica que a escolaridade dos pais influencia as matrículas. 
Foto: Marcelo Almeida

Não é só devido à maior oferta de vagas para crianças entre 4 e 6 anos que aumentou em 82% a frequência na pré-escola no país entre 1992 e 2007. Duas causas foram significativas para a mudança: o crescimento da escolaridade média do chefe da família e a redução do número de filhos. A conclusão é do estudo de André Portela Souza, docente da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, e de Nina Menezes Cunha, aluna de graduação da mesma instituição, realizado com base em dados dos 26 estados e do Distrito Federal. "Se analisadas isoladamente, as duas variáveis influenciaram a questão em 53%", explica Portela. "Fica ainda mais evidente a importância de investir cada vez mais na permanência dos jovens na escola para que se tornem pais conscientes da escolarização de seus filhos desde os primeiros anos de vida". 


Na internet 

Site do periódico Em Aberto, editado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Todas as edições são disponibilizadas por completo. O material lançado em 2009 aborda a questão da Educação em tempo integral.


Televisão
Inteligente, animação brasileira faz sucesso pelo mundo

Carlos Manfredo/Divulgação
TURMA SABIDA Juntos, Peixonauta, Marina e Zico se divertem e aprendem. Carlos Manfredo/Divulgação

Um simpático peixinho que vive fora d’água (e por isso tem de usar um capacete com um pouco do líquido para sobreviver) é o protagonista de Peixonauta, animação brasileira dedicada às crianças de 4 a 7 anos. Na companhia da menina Marina e do macaco Zico, ele se diverte e aprende muitas coisas ao investigar os mistérios do planeta. O público brasileiro - e de outros 50 países - é convidado a interagir batendo as palmas e os pés. A atração é produzida pela produtora TV PinGuim (que também criou outras séries de sucesso, como Rita e De Onde Vem?, transmitidas pela TV Cultura e pela TV Escola, respectivamente) em associação com o Discovery Kids. O desenho vai ao ar nesse canal por assinatura de segunda a sexta-feira, às 11h30 e às 19h30. Sucesso na TV, a trupe criada por Francisco Mistrorigo e Celia Catunda chega às telas do cinema e ao teatro no próximo ano.


Leitura
Qual o comportamento do leitor no Brasil?

A tese de doutorado de José Rosa, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), revela características interessantes sobre a relação do brasileiro com a leitura: 
- Os assíduos (que leem 20 ou mais livros por ano) adquirem o hábito cedo, mas não são, necessariamente, cultos. 
- Para maioria, ler é difícil.
- Em geral, quem lê o faz por imposição da escola, do trabalho ou da Igreja.
- Mesmo os que nunca leram um livro valorizam o objeto.

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