Domingo no parque

Com curiosidade típica dos alunos, professores fazem da visita ao zoo mais do que um passeio

POR:
Bianca Bibiano
Foto: Marcos Rosa
ALÉM DOS MUROS Dúvidas dos docentes sobre o elefante foram o pontapé para debates
Foto: Marcos Rosa

"Atenção, silêncio aí no fundo. Agora, vamos entrar no zoológico. Fiquem juntos. Não quero perder ninguém!" Parecia o roteiro clássico dos passeios extraclasse: uma turma de alunos recebe orientações e sai correndo animada, feliz pelo simples fato de estar fora do ambiente da sala. Mas não era um passeio clássico. Um detalhe diferenciava aquela visita dominical ao Zoológico de São Paulo. Os alunos eufóricos eram, na verdade, professores. Preocupada com o encontro dos 35 integrantes da excursão com as outras 10 mil pessoas que lotavam o espaço, a zootecnista Bianca Dognini, que dividia com a bióloga Sabrina Romano a coordenação da atividade, deixava claro o objetivo do encontro:

- Com esse curso, queremos que vocês façam do parque mais do que uma atividade ao ar livre com suas turmas.

Caminhando pelas alamedas sombreadas no maior zoológico da América Latina (são 3 mil animais em quase 900 mil metros quadrados), a turma passava por lontras, siriemas e lobos. A maioria começou apenas prestando atenção nos dados de identificação das espécies - geralmente, a informação científica disponível e também a única coisa que os docentes exigem dos estudantes nos questionários de observação. Tanto que uma professora confessou:

- Quando venho com meus alunos, não explico mais do que o que está escrito nas placas e nos folhetos.

A bióloga Sabrina pontuou que era possível ir além. No ambiente da elefanta Teresita, contou que as plantas nos espaços de cada animal reproduzem o habitat natural deles (no caso de Teresita, a vegetação das savanas africanas, continente de onde vinha sua espécie). Também mostrou as características que distinguiam aquele grande mamífero de seus primos asiáticos: orelhas pontiagudas, presas de marfim, mandíbulas curtas e tamanho maior. Em meio às novidades, uma pergunta que soa natural para qualquer faixa etária:

- Ela é marrom mesmo?

- Não, a cor vem dos banhos de lama que ela toma para se refrescar, contou a bióloga para um mar de olhos atentos.

Bicho por bicho, as descobertas se sucediam. Na área dos macacos, explicações sobre a bem-sucedida reprodução em cativeiro, que evita que os animais precisem ser trazidos da natureza. Na frente das araras-azuis, um debate sobre a preocupante situação inversa. Monogâmicas, as aves não conseguem procriar no Zoológico - tanto que, no Brasil, restam apenas os três espécimes que vivem por lá. Finalmente, na área protegida pelo aviso "somente pessoas autorizadas", uma exploração exclusiva para visitantes especiais: grupos de porquinhos-da-índia, pintinhos e gafanhotos que, dentro de instantes, comporiam o banquete de diversos animais maiores. A essa altura, uma das docentes do grupo verbalizou o pensamento coletivo:

- Quanta informação! Isso vai ajudar muito na próxima vista com os pequenos. Fora o que podemos agregar com enciclopédias e internet...

A tarde já entrava quando a visita terminou, em meio a lamentos de "ah, nem passamos pelo leão e pela girafa!". A semelhança com uma excursão de alunos, porém, se desfez na saída do parque, quando uma estudante de Pedagogia protestou aos que se referiam à visita como um "passeio":

- Opa, passeio, não! Agora, sim, podemos dizer que sabemos o que é uma visita monitorada de verdade.

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CONTATO
Fundação Parque Zoológico de São Paulo, Av. Miguel Stéfano, 4241, 04301-905, São Paulo, SP, tel. (11) 5073-0811

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