Tudo é teoria

POR:
Nina Pavan

Clássico do mês

Nem todo ensino gera aprendizagem. É com base nesse ponto de vista que a educadora Telma Weisz apresenta O Diálogo Entre o Ensino e a Aprendizagem (136 págs., Ed. Ática, tel. 0800-115-152, 36,90 reais). Lançado em 2000, o livro contribui para a ref lexão sobre a distinção entre o ensino – a ação do professor que cria condições para o saber – e a aprendizagem – a ação do aluno que resulta em conhecimento.

Telma é uma referência na Educação brasileira por introduzir no ensino público as pesquisas da Psicogênese da Língua Escrita, de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. Nesta obra, a autora percorre a história da Educação no Brasil, analisando desde o modelo de aprendizagem empirista até o construtivista e o ensino por resolução de problemas.

Com o compromisso de desvendar os equívocos de práticas espontaneístas (decorrentes da Escola Nova), a autora aprofunda a discussão sobre o papel da revisão, da avaliação e da compreensão do que os alunos já sabem para avançar na construção de um novo conhecimento. Aborda ainda a importância da intervenção do professor no processo de aprendizagem.

Segundo a educadora, toda ação do professor se baseia em teorias de aprendizagem – mesmo quando ele próprio não tem consciência delas. São essas as teorias que definirão suas ações didáticas.

Toda essa análise é ilustrada por ricos registros ref lexivos das práticas dos professores, que revelam um novo olhar sobre a aprendizagem e o ensino por resolução de problemas.

Marta Durante, diretora pedagógica da Escola Santo Inácio, em São Paulo, SP, e formadora do programa Ler e Escrever, do estado de São Paulo.

Sobre a autora Doutora pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, participou da elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais.
Por que ler Apresenta um rico histórico da alfabetização no Brasil, ajudando o leitor a se localizar com relação às próprias crenças e práticas. Também explicita os equívocos resultantes de práticas educacionais espontaneístas erroneamente defi nidas como construtivistas.

Trecho do livro

“O processo de aprendizagem não responde necessariamente ao processo de ensino, como tantos imaginam. Ou seja, não existe um processo único de ‘ensino-aprendizagem’, como muitas vezes se diz, mas dois processos distintos: o de aprendizagem, desenvolvido pelo aluno, e o de ensino, pelo professor. São dois processos que se comunicam, mas não se confundem: o sujeito do processo de ensino é o professor, enquanto o do processo de aprendizagem é o aluno. É equivocada a expectativa de que o aluno poderá receber qualquer ensinamento que o professor lhe transmita exatamente como ele lhe transmite. O professor é que precisa compreender o caminho de aprendizagem que o aluno está percorrendo naquele momento e, em função disso, identificar as informações e as atividades que permitam a ele avançar do patamar de conhecimento que já conquistou para outro mais evoluído. Ou seja, não é o processo de aprendizagem que deve se adaptar ao de ensino, mas o processo de ensino é que tem de se adaptar ao de aprendizagem. Ou melhor: o processo de ensino deve dialogar como de aprendizagem. ”

De 28 de janeiro a 13 de março
Quem acessar o site da Editora Ática poderá comprar este livro com 30% de desconto.

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