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01 de Abril de 2015 Imprimir
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As quatro principais descobertas do Curiosity sobre Marte

As quatro principais descobertas do Curiosity sobre Marte Últimas evidências alimentam discussão sobre possibilidade de existir vida no planeta vermelho

Por: Aurélio Amaral

Em operação desde 2012, o Curiosity é uma sonda ou veículo robotizado desenvolvido pela Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) para obter dados para uma futura missão tripulada a Marte. Para tanto, ele investiga as condições de habitabilidade, como composição do ar, temperatura, ventos, tipo de solo etc., e informa sobre a possibilidade de existência de vida no planeta vermelho.

A reportagem Curiosity Encontra Nitrogênio Essencial à Vida em Marte (VEJA Edição Digital, 25 de março de 2015) relata a descoberta recente de nitrogênio na superfície marciana. Enio Frota da Silveira, professor do Departamento de Física da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), lembra que o robô já havia encontrado água, moléculas orgânicas (como o metano) e nitratos - elementos úteis para os seres vivos. Entretanto, não foram registrados indícios de vida, presente ou passada. "É importante destacar, na discussão com os alunos que, apesar dos avanços no que sabemos sobre o planeta vermelho, até o momento estamos sós no Sistema Solar. Só a Terra oferece as condições para a existência e é bom que cuidemos de não perdê-las", afirma.

Conheça abaixo quatro descobertas recentes e aproveite para abordar a importância de missões como as da Curiosity com os alunos do Ensino Médio nas aulas de Química.

 

1- Cristais de água sugerem condições favoráveis à vida

Análises das rochas da cratera Gale apontaram para a existência de cristais de água misturados aos minerais. Segundo relatório da School of Science at Rensselaer Polytechnic Institute, dos Estados Unidos, cerca de 2% da superfície do planeta seria formada por água - o que reforça a hipótese de que, no passado, houvesse o líquido em maior abundância. A descoberta é importante, pois a vida, tal qual a conhecemos e podemos imaginar, necessita desse elemento. Seja um humano, um vegetal ou uma bactéria, todos precisam de água para suas funções biológicas.


Concepção artística do lago que preenchia a cratera Gale | Crédito: Divulgação/Nasa

 

2- Há nitrogênio, um elemento essencial à alimentação

Em análise de amostras do solo dos sítios Cumberland e John Klein (onde o Curiosity posou para a selfie acima), foram encontrados nitratos, que são fontes de nitrogênio - componente do DNA e, assim, um dos elementos necessários na alimentação dos seres vivos. E embora seja abundante em atmosferas de alguns planetas e satélites, o gás N2 é extremamente estável e não se presta à alimentação. Para tal, ele tem de ser buscado na forma de outros compostos, como os nitratos. Por isso, a descoberta na superfície de Marte é uma boa noticia para uma possível agricultura naquele planeta.


Curiosity posa para selfie no sítio John Klein | Crédito: Divulgação/Nasa

 

3- O planeta abriga moléculas orgânicas

Moléculas orgânicas mais complexas podem se degradar e se transformar em metano, que é mais simples. Por isso, fontes de metano são boas pistas da existência de vida no presente ou no passado. No entanto, a substância encontrada pelo Curiosity no Monte Sharp (na foto acima) não vem necessariamente de biomoléculas. O metano também pode ser obtido por outros meios, como a partir da reação química entre dióxido de carbono e água (CO2 + H2O).


Foto do Monte Sharp | Crédito: Divulgação/Nasa

 

4- A radiação na superfície é alta

A exposição à radiação, medida em Sieverts (Sv), aumenta o risco de câncer. Por meio de seu detector de avaliação de radiação (RAD, na sigla em inglês), o Curiosity captou uma média de 1,8 miliSv por dia em sua viagem a Marte. Isso corresponde a quase metade da radiação da Terra ao longo de um ano inteiro, que é de 4 miliSv. Ou seja, uma expedição humana a Marte seria pouco viável atualmente. Para isso, a Nasa teria de melhorar a eficácia de seus escudos antirradiação. Foto à direita, Detector de radiação do Curiosity | (Crédito: Divulgação/Nasa)

 

Consultoria: Enio Frota da Silveira, professor do Departamento de Física da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e do Departamento Educativo da Nasa.

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