Dalton, Trevisan, literatura, brasileira, biografia

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NOVA ESCOLA
Dalton Trevisan: textos reveladores, mas vida pessoal zelosamente resguardada. Foto: arquivo Cid Destefani
Dalton Trevisan: textos reveladores, 
mas vida pessoal zelosamente 
resguardada. 
Foto: arquivo Cid Destefani

Dalton Trevisan produz contos curtos, escritos em linguagem tão concisa que muitas vezes chega a ser elíptica: ele mesmo declarou que seu caminho vai "do conto para o soneto e dele para o haicai". Seu estilo é direto e ágil e suas narrativas apresentam os dramas de pessoas que se movem entre as expectativas de felicidade e realização que aprenderam a alimentar e a realidade crua e desumana, que as frustra e aniquila. As relações humanas que apresenta comprovam que a realidade é degradada e cruel: as pessoas se maltratam e se ferem em vez de manterem no cotidiano vínculos de carinho e respeito. Assim, marido e mulher estão sempre em conflito, pais e mães oprimem os filhos, amigos se confrontam e disputam o poder... Nem os animais de estimação escapam desse moinho de sentimentos: sua ingênua dedicação recebe impaciência e indiferença como retribuição.

Sua escrita sintética e contundente pode ser considerada uma referência constante no trabalho de muitos contistas recentemente surgidos, como os da Geração de 90. 

Biografia

Tímido e arredio, o curitibano Dalton Trevisan foge do assédio dos jornalistas e guarda sua vida pessoal a sete chaves. Não fornece seu telefone, tem raros amigos nos círculos literários e por vezes se recusa a receber pessoalmente os prêmios conquistados por seus contos magníficos. Mas é possível imaginá-lo à noite, percorrendo às escondidas as ruas da capital paranaense, escutando atrás das portas as manifestações dos desejos escondidos da população, alimentandose deles, trazendo-os à superfície e incorporando-os a seus escritos.

Não por acaso, o escritor que muitos consideram o maior contista brasileiro contemporâneo costuma ser designado pelo título de um de seus livros de histórias curtas: o Vampiro de Curitiba.

Nascido em 14 de junho de 1925, Dalton Jérson Trevisan estreou na literatura em 1945, quando ainda cursava Direito. Entre 1946 e 1948, tornou-se conhecido como editor da revista literária Joaquim, que reuniu ensaios de críticos como Antonio Candido e Otto Maria Carpeaux, textos em prosa e poemas inéditos de autores brasileiros e traduções de Joyce, Kafka e outros nomes das letras mundiais. Ao mesmo tempo, continuou a burilar os seus contos, em geral ambientados na capital paranaense. O conto foi praticamente o único gênero a que Trevisan se dedicou, pois além deles escreveu apenas um romance, A Polaquinha (1992).

Em 1959, publicou Novelas Nada Exemplares, que lhe valeu o Prêmio Jabuti: o primeiro dos muitos de sua carreira. Em 1965, foi lançado O Vampiro de Curitiba, com o emblemático personagem Nelsinho, de uma sensualidade febril, que assedia velhinhas, respeitáveis donas-de-casa, virgens e prostitutas polacas ou bem brasileiras. Dez anos depois, seu livro Guerra Conjugal foi adaptado para o cinema por Joaquim Pedro de Andrade. Em 1996, recebeu o Prêmio Ministério da Cultura de Literatura pelo conjunto de sua obra. Em 2003, dividiu o 1º Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, com o livro Pico na Veia: o vampiro recluso permanece ameaçador.

O tradutor das paixões e delírios de Curitiba

Dalton Trevisan ambienta seus contos em uma cidade reconstituída pela memória com o filtro da paixão e da literatura, tão mítica quanto a Macondo, de Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez. Neles ganham vida personagens que beliscam meninas no Passeio Público, dançarinas e freqüentadores de cabarés, polaquinhas das casas nas quais tantos rapazes se iniciaram "no alegre mistério da carne". Boate Marrocos, Café Avenida, "o bordel encantado das normalistas" - todos esses locais, verdadeiros ou imaginários, fazem parte do mapa dessa cidade, incansavelmente percorrida por Nelsinho e outros vampiros, de sensualidade à flor da pele, durante as noites curitibanas. Desse modo, a fria capital paranaense se transforma em um espaço de paixões abrasadoras.

Quer saber mais?

Guerra Conjugal, Dalton Trevisan, 144 págs., Ed. Record, tel. (21) 2585-2000, 26,90 reais 
Mistérios de Curitiba, Dalton Trevisan, 125 págs., Ed. Record, 26,90 reais 
O Vampiro de Curitiba, Dalton Trevisan, 112 págs., Ed. Record, 26,90 reais 
Pico na Veia, Dalton Trevisan, 112 págs., Ed. Record, 26 reais 

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