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Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita.

Como um curso mudou totalmente minha prática de alfabetização

POR:
Mara Mansani

A professora Mara Mansani está sentada numa mesa de sala de aula e lê um livro chamado "Um olhar sensível e reflexão sobre a criança" (Crédito: Mariana Pekin)

Dia desses, me peguei pensando em quantos cursos fiz ao longo de todos esses anos como educadora. Acho que perdi a conta! É verdade que muitos deles deixaram a desejar (de bom, só tinham as dinâmicas de apresentação dos participantes no início, sempre divertidíssimas), mas também já participei de excelentes formações, sobre os mais diversos temas: música, Matemática nas séries iniciais, relação com as famílias, meio ambiente, uso de tecnologias, desenvolvimento emocional, elaboração de projetos pedagógicos, entre outros.

Como não poderia deixar de ser, os cursos de alfabetização ocupam um lugar especial em minha memória. Guardo comigo muitos conhecimentos adquiridos em reflexões, experiências concretas e estudos teóricos e práticos, que procuro trazer para o cotidiano da sala de aula. Todos eles, de alguma maneira, aprimoraram as práticas pedagógicas e, consequentemente, foram determinantes na melhoria da aprendizagem dos meus alunos.

Para mim, o curso mais importante que já fiz foi um intitulado “Letra e Vida”, oferecido pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, com a Telma Weisz (você pode encontrar o material completo disponível para download, em três arquivos: parte 1, parte 2 e parte 3). O programa explorava a teoria e a prática com base nos estudos da Emilia Ferreiro.

Aquele curso mudou toda a minha concepção sobre o que é alfabetizar. Até então, eu não sabia nada sobre a chamada psicogênese da língua escrita. Não tinha ideia de como a criança pensa a construção da escrita e de como formula as hipóteses para chegar à base alfabética.

Por isso, gostaria de destacar aqui alguns pontos essenciais, entre tantos, da minha aprendizagem nesse curso:

1) O erro dos alunos: essa foi uma mudança radical em minha forma de pensar. Deixei de ver o erro como falha na aprendizagem e passei a entendê-lo como parte do processo. Antes, ao analisar e avaliar meus alunos, pensava que eles escreviam errado e não estavam avançando. O curso me fez descobrir queos chamados “erros” eram, na verdade, as hipóteses que eles elaboravam sobre o sistema de escrita, e que portanto estavam avançando – só que com mais dificuldade, porque eu não conseguia ainda propor atividades adequadas para a hipótese em que cada um se encontrava.

2) As atividades: o segundo aprendizado importante é que, além de diagnosticar a hipótese de escrita na qual o aluno se encontra, as atividades propostas devem se adequar a ela. Antes, propunha muitas tarefas descontextualizadas ou inadequadas ao estágio de aprendizado, cópias, repetições e memorizações sem sentido.

Adequar não significa elaborar algo totalmente diferente para cada um . Dá para aplicar a mesma coisa para toda a sala, fazendo intervenções específicas para cada caso e criando vários tipos de organização. Por exemplo: uma mesma atividade de escrita de texto de memória ou carta pode ser feita individualmente pelos alfabéticos e em duplas pelos alunos em outras hipóteses, ou ainda com toda a classe, com um aluno ou a professora como escriba escrevendo o texto na lousa. O importante é que ela seja desafiadora, mas possível, e permita que as crianças coloquem em prática tudo o que sabem e pensam.

Outra coisa que aprendi é que os alunos se alfabetizam com atividades de leitura e escrita, mesmo antes de lerem e escreverem convencionalmente. Mas isso só acontece com a participação efetiva do professor como mediador e facilitador do processo.

3) A rotina semanal de alfabetização: meus olhos se abriram para a importância de planejar bem a rotina semanal. Balancear no dia a dia situações de leitura, escrita, comunicação oral, análise e reflexão sobre o sistema de escrita e a ortografia, entre outras, é indispensável para potencializar a aprendizagem. A rotina pode incluir atividades permanentes, sequências didáticas e projetos. O importante é que a turma conviva com a cultura escrita e a leitura diariamente.

Mesmo depois de tantas experiências, continuo aprofundando minha formação. Sempre que posso, revisito os materiais desse e de outros cursos, faço novas formações, pesquiso muito na internet (com destaque para o site da NOVA ESCOLA), leio livros… Hoje em dia, temos muito mais possibilidades, inclusive gratuitas e sem precisar sair de casa. Há vários sites com farto material para estudar, como Veduca, Khan Academy e Coursera, além de páginas das próprias universidades, vídeos no YouTube etc.

Não sou mais a mesma professora que saiu da formação do magistério, nem do curso superior. A formação continuada mudou completamente minha forma de trabalhar com alfabetização. Não foi fácil! Esse foi um caminho cheio de dúvidas e dificuldades, que me exigiu muito comprometimento. Mas, quando vejo os alunos aprendendo e se desenvolvendo, sinto que tudo valeu a pena.

No momento, estou fazendo o curso “Educação pelo Envolvimento”, no SESC Sorocaba, que aborda o ensino de forma mais ampla, pensando-o com base nos princípios da Educação ambiental. O mais bacana é que, depois de quase 30 anos de carreira, passo mais uma vez por uma maravilhosa metamorfose! Que mais e mais educadores desse Brasil e do mundo tenham a oportunidade de se transformar sempre.

E você? Como anda a sua formação continuada? Está fazendo algum curso no momento? Como ele vem transformando suas aulas? Conte aqui nos comentários!

Um grande abraço,
Mara

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