Ciência sem Fronteiras cancela bolsas para graduação e foca no Ensino Médio

O programa do governo federal passará a apoiar secundaristas de baixa renda que querem estudar idiomas

POR:
Nairim Bernardo

O programa Ciência sem Fronteiras (CsF), do governo federal, será reformulado e deixará de oferecer bolsas de intercâmbio para estudantes de graduação. A mudança foi anunciada nesta segunda-feira (25), em nota divulgada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A novidade é que o foco do programa passará a ser estudantes de baixa renda de escolas públicas do Ensino Médio que desejam estudar idiomas dentro e fora do Brasil.

Segundo a Capes, os graduandos que estão no exterior não serão prejudicados, mas devem concluir as atividades até o início de 2017. As bolsas de doutorado e pós-doutorado e atração de jovens cientistas serão mantidas.

A modificação ocorreu depois de análise de uma equipe técnica da Capes a respeito da participação do Ministério da Educação (MEC) no programa, executado em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). A conclusão foi que o CsF precisa se aperfeiçoar, especialmente no que diz respeito à graduação, pois "as instituições participantes não foram chamadas para desempenhar um papel ativo no processo de mobilidade acadêmica". A questão orçamentária também pesou na decisão. Em 2015, foram usados cerca de R$ 3,248 bilhões para atender 35 mil bolsistas da Capes que cursavam graduação sanduíche, realizando parte do curso no Brasil e parte no exterior. Esse valor é igual ao investido em alimentação escolar para atender 39 milhões de alunos brasileiros.

O Ciência sem Fronteiras foi implementado em 2011 e concedeu 101.446 bolsas de graduação e pós-graduação para o estudo em universidades de 54 países. Em 2014, foram lançados os últimos editais de seleção de estudantes de graduação. A concessão de bolsas estava interrompida desde então.

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