Intercâmbio após a leitura na Educação Infantil

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NOVA ESCOLA

No segundo episódio da série Nova Escola na sua escola, Maria Slemenson, coordenadora do Projeto Trilhas, do Instituto Natura, vai ao CEI Marina Gonçalves Ulbrich, em Santo André, para conversar com a turma da professora Edinéia Burger sobre o intercâmbio após a leitura desde a Educação Infantil.

A turma de 3 anos da creche ouve a leitura de textos literários diariamente. Às vezes, as crianças antecipam a fala de personagens de histórias já conhecidas e analisam texto e ilustrações.

Mas a professora Edneia acredita ser possível aprimorar ainda mais a conversa sobre as obras. ?Meu próximo desafio é levá-las a explorar mais as histórias, trocar ideias e relacionar personagens de um título e de outro, por exemplo?, diz. Para ajudar Edneia nessa tarefa, a educadora Maria foi até a escola propor uma atividade de leitura, seguida de discussão.

As duas planejaram juntas, pensando em quais os melhores livros para ler em sala e nas intervenções adequadas aos saberes da turma. Maria leu uma história, conversou com os pequenos e viu como eles interpretavam a narrativa. Estimulou todos a dar sua opinião e ficou satisfeita com o resultado.

Primeiramente, Maria mostrou a capa de O Grande Rabanete (Tatiana Belinky, 32 págs., Ed. Moderna, tel. (11) 2790-1300, 32,90 reais) e notou os olhares curiosos dos pequenos. Todos queriam conhecer o livro. Ela contou por que escolheu aquele título, mostrando sua opinião sobre o texto.

Edneia observou atenta as falas e intervenções para, em seguida, avaliar a atividade. Maria começou a leitura, mostrando em todas as páginas as ilustrações.

É comum as crianças fazerem comentários durante a leitura. O professor deve mostrar que ouviu as falas, mas seguir com a história para que compreendam a narrativa e se concentrem na atividade. Terminado o livro, os pequenos conversaram bastante sobre o enredo.

Quando eles não participam das discussões espontaneamente, uma saída é explorar as ilustrações, questionando o que mostram e o que têm a ver com a texto lido. Folhear o livro buscando a resposta para uma dúvida sobre a história mostra às crianças o procedimento de um leitor experiente, que relê um parágrafo ou revê uma ilustração.

Frases aparentemente sem ligação com a história podem indicar que as crianças estão relacionando o livro com sua vida. Esse é o meio que usam para compreendê-lo. Obras do mesmo autor ou gênero ou que citem um personagem conhecido são opções para a escolha dos próximos títulos lidos para os alunos.

Depois do encontro com os pequenos, Maria, Edneia e Silvia, assistente pedagógica, refletiram sobre o trabalho realizado. Depois dessa experiência, Edneia incluiu novas estratégias na sua prática. Viu, por exemplo, como observar as reações da turma durante a leitura para então explorar alguns pontos, como os personagens de outras histórias. Também compreendeu a importância de planejar as perguntas a serem feitas, dando prioridade às que levam a refletir. Por fim, verificou que se o espaço é dado, as crianças trocam ideias.

A proposta de Maria seria outra se a turma não tivesse contato com os livros. Nesse caso, o professor precisa fazer uma seleção criteriosa do acervo e leituras diárias. ?O intercâmbio se constrói com o tempo. O professor precisa investir?, diz Maria.

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