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Toda cidade tem muito o que contar

Em Londrina, a criançada estudou o passado e o presente da Rua Sergipe, patrimônio local

POR:
Daniele Pechi
Na Rua Sergipe, a turma investigou as mudanças na paisagem já estudadas na escola. Fábio Augusto Na Rua Sergipe, a turma investigou as mudanças na paisagem já estudadas na escola A rua foi pavimentada com asfalto, mas em alguns trechos ainda restam paralelepípedos. Fábio Augusto A rua foi pavimentada com asfalto, mas em alguns trechos ainda restam paralelepípedos Os alunos falaram sobre as mudanças com comerciantes que estão no endereço há tempos. Fábio Augusto Os alunos falaram sobre as mudanças com comerciantes que estão no endereço há tempos Muitas fachadas mantêm a estética original, conforme visto em fotos antigas. Fábio Augusto Muitas fachadas mantêm a estética original, conforme visto em fotos antigas

O que as crianças sabem sobre o lugar onde moram e os hábitos de sua população? Como os conhecimentos que têm podem ajudar na apropriação da noção de patrimônio? Essas questões foram pensadas por Rachel de Lima, Priscila Garcia e Izis Macias, professoras das classes de 4º ano da EM San Isidro, em Londrina, a 379 quilômetros de Curitiba. Em uma parceria promovida pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) com estudantes de Pedagogia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), as três desenvolveram um projeto didático sobre a Rua Sergipe. Trata-se de um endereço no centro da cidade, ponto comercial importante há muito tempo, incluído na rota diária de vários alunos - quase todas as linhas de ônibus utilizadas por eles para ir à escola passam por lá. "Estudar o local a que pertencem ajuda os estudantes a compreender que eles também fazem parte da História", explica Sandra Oliveira, professora do curso de Pedagogia da UEL e membro da equipe de gestão do Pibid na instituição.

O objetivo era que a turma conhecesse o passado da via e discutisse sobre seu presente, abordando diversos aspectos - não somente o arquitetônico, como geralmente é feito pelos docentes. "A maioria das pessoas vincula a noção de patrimônio às fachadas e pouco a questões humanas e culturais. Elas também contribuem de forma significativa para a construção da identidade de um povo", diz Sônia Florêncio, coordenadora de Educação Patrimonial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Vale reforçar que o conceito de patrimônio tem de ser encarado de forma ampla. Para ser considerado como tal, não é necessário que um lugar ou uma iguaria culinária, por exemplo, sejam tombados oficialmente pelo Iphan. Tudo o que as pessoas produzem em uma localidade ao longo do tempo tem essa denominação.

Fontes históricas revelam o passado

Antes de começar estudar a Rua Sergipe, os alunos entrevistaram diversos familiares e vizinhos mais velhos, buscaram fotos e objetos que essas pessoas consideravam representativos do município em geral para serem discutidos em sala de aula. Com isso, concluíram que, no passado, Londrina era diferente: as ruas não tinham asfalto e muitas construções atuais não existiam, por exemplo. "Algumas crianças mostraram aos colegas fotos em preto e branco com pouca gente na cidade", diz Priscila.

Elas ainda leram jornais antigos e livros e assistiram a documentários sobre Londrina. Com base neles, descobriram que a cidade é bastante nova se comparada a outras (foi fundada em 1934) e recebeu como primeiros moradores imigrantes franceses, japoneses e ingleses, que muito influenciaram a região. Depois da análise do material, a tarefa dali em diante tinha a ver especificamente com estudos sobre a Rua Sergipe. O trabalho resultaria em uma exposição de fotos, na qual os alunos também se revezariam como monitores, e a produção de um folheto informativo para ser distribuído à comunidade escolar.

O mesmo procedimento de pesquisa feito sobre Londrina foi realizado novamente, agora focado no endereço. "Escolhemos a Rua Sergipe porque ela tem aspectos representativos para o município. Ele se desenvolveu ao redor dela", diz Priscila. Note que é possível, portanto, fazer um trabalho como esse em outras cidades país afora.

Para iniciar essa etapa, as professoras quiseram descobrir se as crianças já tinham ouvido falar do endereço, sabiam a localização e o que havia nele. Algumas não conheciam a rua pelo nome, sabiam que lá fica o camelódromo, por exemplo, mas não compreendiam a relação dele com o antigo comércio - boa parte das lojas ainda preserva, inclusive, a fachada original. Foi repetida a etapa de pesquisa, dessa vez com um alvo específico sobre a via em questão. As crianças novamente entrevistaram os parentes e trouxeram recortes de jornal e outros materiais relevantes.

Relações sociais e patrimônio

Ao visitar o local com a turma, as professoras chamaram a atenção para os pontos já estudados e orientaram a tomada de notas e a realização de fotos. Dessa forma, todos relacionaram o que estavam observando com o já aprendido, confirmando informações. Os alunos, contam as educadoras, ficaram eufóricos ao perceber que estavam vendo ao vivo muitas das imagens analisadas em sala de aula, presentes em slides e livros. Algumas estavam diferentes, mas várias fachadas preservavam a estética do passado. Ao notar mudanças na paisagem, se concentraram em registrar, por exemplo, trechos que deixaram de ter paralelepípedos para dar lugar ao asfalto.

A garotada ainda observou que o vaivém de pessoas e o número de lojas cresceu e conversou com comerciantes, como os donos do bazar mais antigo da cidade e de uma pastelaria que passou de geração em geração de uma família de imigrantes japoneses. "As relações sociais desenvolvidas no lugar fazem com que as questões do patrimônio permaneçam vivas. Falar com as pessoas sobre o que a cidade foi e o que é hoje leva a refletir sobre o que os aspectos culturais representam", explica Sandra.

No fim do estudo, a meninada concluiu que a rua era um retrato em menor escala do passado da cidade: passou por um processo de crescimento muito rápido, recebeu pessoas de diversos lugares, mudou bastante ao mesmo tempo que ainda conserva marcas do passado. A Rua Sergipe também recebeu outros imigrantes e se transformou em um espaço extremamente comercial, além de ser usada pelos munícipes como uma das principais vias de acesso para a zona norte da cidade. Ficou claro ainda que a reflexão sobre o hoje ajuda a entender o processo histórico-cultural pelo qual a região passou.

1 A cidade no passado Peça que os alunos conversem com familiares e vizinhos sobre como o município onde vivem era no passado. Explique que é importante levantar aspectos da arquitetura e também da vida das pessoas.

2 Um local significativo Eleja um ponto da cidade importante ontem e hoje, como uma rua ou um prédio. Explique que ele será estudado para a produção de uma exposição de fotos e de um folheto informativo para a comunidade escolar.

3 Mais fontes históricas Oriente os estudantes para conversar com os mais velhos sobre o local. Depois, apresente livros, documentários, fotos, reportagens e outros materiais sobre ele.

4 Todos fora da escola Organize a visita ao endereço escolhido. A turma deve observar os pontos estudados e conversar com pessoas, como comerciantes locais, sobre questões do patrimônio.

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