Um mergulho em mapas e textos para aprender hidrografia

Com leitura, pesquisa e observação, a garotada aprende o conceito de bacia hidrográfica

POR:
Anna Rachel Ferreira
Na EM Brice Francisco Cordeiro, Rute deu início ao trabalho com a análise de mapas. Foto Marco Monteiro. Ilustração Raphael Salimena Na EM Brice Francisco Cordeiro, Rute deu início ao trabalho com a análise de mapas A turma leu textos literários e informativos como parte de um estudo sobre bacias. Foto Marco Monteiro. Ilustração Raphael Salimena A turma leu textos literários e informativos como parte de um estudo sobre bacias Sob a orientação da docente, os estudantes pesquisaram sobre o Aquífero Guarani. Foto Marco Monteiro. Ilustração Raphael Salimena Sob a orientação da docente, os estudantes pesquisaram sobre o Aquífero Guarani No córrego que integra uma bacia da cidade, eles analisaram as condições da água. Foto Marco Monteiro. Ilustração Raphael Salimena No córrego que integra uma bacia da cidade, eles analisaram as condições da água

Fazer os alunos do 5º ano relacionarem os rios do entorno às grandes bacias do país era o objetivo da professora Rute Athayde Almeida, da EM Brice Francisco Cordeiro, em Goiânia. Para isso, ela propôs um trabalho que começava com a análise de mapas hidrográficos. Eles observaram a distribuição da água na cidade, no estado, no país e no mundo. Enquanto isso, Rute conduzia a leitura, orientando que prestassem atenção nos elementos de uma representação cartográfica, como a escala, a legenda e o título. Ela também aproveitou para relacionar o tema ao cotidiano da criançada, pois há rios poluídos nos arredores. Perguntou, então, sobre as causas e consequên­cias da poluição. Nessa etapa, foi fundamental o apoio de uma intérprete da língua brasileira de sinais (libras), Mariana Cirqueira Ricardo da Silva, que acompanhava Leana Rocha de Morais, 11 anos, aluna com deficiência auditiva.

Para abordar o vínculo afetivo entre as pessoas e os rios, os estudantes leram e interpretaram textos literários. Foram problematizados os poemas Rio Vermelho, da obra Meu Livro de Cordel (Cora Coralina, 110 págs., Ed. Global, tel. 11/3277- 7999, 27 reais), e Rio Quente e Eu, de Luiz de Aquino, e o livro O Rei do Grande Rio (Pedro Bandeira, 24 págs., Ed. Melhoramentos, tel. 11/3277-7999, 32,90 reais). Textos informativos, do livro didático, foram indicados para que as crianças entendessem o impacto imediato decorrente da degradação dos rios.

Para complementar as informações da leitura feitas pelos estudantes, Rute deu uma aula expositiva. As explicações sobre as partes de um rio e seu funcionamento foram seguidas de perguntas como "Para onde vai a água depois que a chuva acaba?", "A chuva muda o volume dos rios?", "Como eles se formam?" e "As enchentes ocorrem por causa da chuva?". Para responder à última questão, por exemplo, eles lembraram que inundações estão relacionadas a casas construídas em áreas impróprias. A professora complementou dizendo que essas ocupações interferem na dinâmica das bacias hidrográficas, pois aceleram ou intensificam a erosão, podendo causar deslizamento de terra e afetar a vida de quem mora nessas áreas. Nesse momento, materiais personalizados, como mapas e esquemas com legendas, além de intervenções da intérprete Mariana, ajudaram Leana.

À medida que intercalava atividades de leitura às aulas expositivas, Rute propunha situações-problema. O objetivo era fazer os estudantes refletirem sobre os conteúdos estudados e relacioná-los entre si. Um exemplo: "Mais de 240 indústrias estão instaladas ao longo do rio Meia Ponte. Ele tem 13% de sua mata ciliar preservada. O que isso significa?" Esse tipo de questionamento permitiu a compreensão da importância da mata ciliar para evitar problemas como erosões, deslizamentos e enchentes. As consequências da poluição industrial também foram analisadas.

Em seguida, todos observaram um córrego que passa perto da escola. Durante a visita, as crianças tomaram notas e fizeram desenhos, além de analisarem e discutirem problemas como o uso de fossas abertas e a possibilidade de contaminação do lençol freático. O próximo passo consistiu na pesquisa sobre o Aquífero Guarani, com fontes indicadas pela professora. O maior manancial de água doce subterrânea do mundo, que fica em parte do território brasileiro, sofre com problemas semelhantes ao do riacho vizinho à escola. Assim, Rute levou as crianças a entender os problemas com o lençol freático em pequena e grande escala. "Pedi que buscassem os principais dados do aquífero, como regiões por onde ele passa. Debatemos sobre sua importância e buscamos pontos de contato com o bairro da escola", diz Rute.

A pesquisa serviu como base para estudar o conceito de bacia hidrográfica - uma área que faz a drenagem de toda água que cai em forma de chuva em uma região e corre por diferentes caminhos até chegar ao rio principal da bacia. Para isso, Rute usou o fascículo Bacias Hidrográficas da Região Metropolitana de Goiânia, desenvolvido pela Rede de Pesquisa em Educação e Cidade, da Universidade Federal de Goiás (UFG), com a qual colabora. A turma analisou as bacias do município, incluindo aquela em que a própria escola está inserida, por meio de mapas, fotos e vídeos. Ao mesmo tempo, aprendeu os conceitos ligados ao tema, como vertentes, divisores d’água, planícies de inundação e substratos rochosos.

Estudar a realidade do rio local para entender outras bacias do Brasil

Lilian Martins Duso Rodrigues, professora do 5º ano da Escola Nova, de Mococa, a 272 quilômetros de São Paulo, propôs um trabalho semelhante. Depois de uma pesquisa, sua turma visitou a nascente do rio Canoas, que banha a cidade, e registrou as informações, comparando-as com dados anteriores, coletados por ela e por alunos que já conheciam o local. De volta à escola, a garotada fez uma apresentação para outras salas.

A partir de então, o trabalho se expandiu com o estudo de outras bacias hidrográficas do país: a do Tietê, da qual faz parte o rio Canoas, a do São Francisco e a do Amazonas. O objetivo era conhecer principalmente o uso de cada uma delas e, quando houvesse oportunidade, aprofundar as atividades para questões atuais.

Com um mapa da hidrografia do Brasil, os estudantes observaram as bacias, discutindo a importância delas. Lilian sugeriu que levantassem hipóteses sobre algumas características dos rios estudados: localização da nascente, foz, estados e cidades por onde passa e principais afluentes, por exemplo. As suposições foram confirmadas com o uso do Geoatlas (Maria Elena Simielli, 184 págs., Ed. Ática, tel. 4003-3061, 69,90 reais). Para aprofundar os conhecimentos, eles pesquisaram usando textos informativos e didáticos selecionados pela professora. Depois, a classe foi dividida em dois grupos, um contra e um a favor da transposição do São Francisco, para um debate.

No fim do trabalho, a garotada conseguiu assimilar o conceito de bacias hidrográficas. Ou seja, percebeu que tanto o rio que corre perto de casa como aquele que percorre outro estado fazem parte da mesma cadeia e estão intimamente ligados ao cotidiano de todos nós.

1 Interpretação cartográfica Sugira a observação de mapas hidrográficos da cidade, do estado, do país e do mundo. Em seguida, indique a leitura de textos literários e informativos sobre o tema e discuta as descobertas do estudo com a classe.

2 Aula expositiva sobre os rios Explique as partes de um rio e seu funcionamento. Relacione-o a questões do dia a dia, como as enchentes.

3 Trabalho de campo Convide as crianças a visitar um dos rios próximos à escola. Recomende que registrem suas observações com desenhos e notas sobre ele e seu entorno.

4 Pesquisa sobre bacias Depois do estudo dos rios locais, proponha uma investigação sobre outras bacias importantes do país, como a Amazônica.

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