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Por que o céu está nublado hoje?

Para responder a essa pergunta, a garotada olhou para o alto, pesquisou e aprendeu

POR:
Anna Rachel Ferreira
Na sondagem, a turma apresentou várias hipóteses, como a ideia de que o Sol foi dormir. Reprodução Na sondagem, a turma apresentou várias hipóteses, como a ideia de que o Sol foi dormir A formação das nuvens foi representada na etapa seguinte com base em pesquisas. Reprodução A formação das nuvens foi representada na etapa seguinte com base em pesquisas O ciclo da água na natureza foi debatido por meio de leituras e experiências práticas. Reprodução O ciclo da água na natureza foi debatido por meio de leituras e experiências práticas Uma experiência na cozinha ajudou a turma a entender o processo de condensação. Reprodução Uma experiência na cozinha ajudou a turma a entender o processo de condensação

Saber se o dia estava ensolarado, chuvoso ou nublado era algo frequente na vida da meninada do 2º ano da EMEF Georgina Amaral Santos Lopes, em Ourinhos, a 370 quilômetros de São Paulo. Orientadas pela professora Juliana Garcia, as crianças observavam o céu todos os dias e definiam quais eram as condições do tempo. Assim, ela contemplava o campo da climatologia que compete à Geografia estudar. Dessa observação, surgiu uma questão: "Mas por que fica nublado?" "Saber fazer perguntas e ter hipóteses para elas é uma das noções básicas da investigação científica", ressalta Sueli Furlan, docente da Universidade de São Paulo (USP).

Juliana sugeriu que todos escrevessem ou desenhassem o que sabiam sobre o tema. Foram apresentadas hipóteses como "O Sol brinca de esconde-esconde", "O Sol foi dormir" e "As plantas não estão precisando do Sol. Então, ele vai descansar" (veja os registros de todas as etapas na galeria acima). "Diante disso, decidi trabalhar com a nuvem como fio condutor para o estudo desse fenômeno atmosférico", conta a docente.

Na aula seguinte, a professora dividiu a turma em grupos para uma pesquisa. O objetivo era encontrar uma resposta para a indagação inicial. Foram utilizados os livros De Olho no Futuro - 2º ano (Maria Meneghello e Andelo Paes, 160 págs., Ed. FTD, tel. 0800-772-2300, 91,10 reais), Projeto Prosa Ciências - 2º ano (Maíra Rosa Carnevalli, 144 págs., Ed. Saraiva, tel. 0800-011-7875, 96,90 reais), Ponto de Partida - Ciências - 2º ano (Francisco de Arruda Sampaio e A. Fernandes de Carvalho, 224 págs., Ed. Sarandi, tel. 11/3097-9040, distribuído pelo PNLD) e Ciências para Você - 2º ano (Márcia Santos Fonseca, Maria de Paiva Andrade e Marta Bouissou Morais, 176 págs., Ed. Positivo, tel. 0800-723-6868, edição esgotada). "Orientei a turma para procurar informações sobre o ciclo da água e para discutir o que isso significava em relação ao céu nublado", diz a professora.

Por fim, os estudantes apresentaram o que aprenderam para a classe. "Nesse momento, eles fizeram anotações, registrando dados complementares." Esse procedimento faz com que um conhecimento vindo da observação (O céu está escuro. Logo é melhor sair de guarda-chuva.) se amplie: na realidade, as nuvens estão escuras, pois estão cheias de gotículas de água evaporadas do ambiente. Essa transição é o procedimento natural da ciência, segundo o pesquisador francês Paul Claval em Terra dos Homens (144 págs., Ed. Contexto, tel. 11/3832-5838, 29,90 reais).

Quando as nuvens se enchem de água

No encontro seguinte, a classe visualizou o que ocorre com a água na natureza e o que isso tem a ver com o tempo. Na sala de informática, assistiu a vídeos sobre o ciclo da água e a formação das nuvens. Guilherme Paloni Pedro, 8 anos, relacionou o conteúdo com uma cena doméstica: "No almoço, minha mãe abriu a panela e saiu um monte de vapor". Mais uma vez foram feitos registros escritos e gráficos. "A representação ajuda a sistematizar o que foi estudado até o momento", diz Sueli. Ela lembra que é preciso introduzir noções básicas de desenho científico e mencionar que é fundamental retratar o objeto observado com fidelidade, evitando, por exemplo, desenhar as nuvens com feições humanas.

Depois, os alunos conheceram textos científicos e realizaram experimentos. Juliana leu trechos da revista Ciência Hoje das Crianças (Ano 14, nº 120, dezembro de 2001, Instituto Ciência Hoje, tel. 0800-727-8999) sobre evaporação e condensação. Durante a leitura, ela deu exemplos do cotidiano, relembrando situações citadas pelas crianças, como o vapor que sai da panela. Esse exemplo foi observado na cozinha da escola. Assim, todos puderam ver o fenômeno. "O calor da panela produziu o vapor que subiu, encontrou com o ar frio e condensou-se", disse Zara Regina Camargo, 7 anos.

Em sala, Juliana continuou lendo a revista, até chegar a um trecho que discutia a transpiração das plantas. "Concluímos que o fenômeno visto na panela se repetia na planta sob ação do Sol, mas os alunos me questionaram sobre como as plantas transpiravam se eles não viam", lembra ela. A professora foi com os estudantes para o corredor, que estava ensolarado. Ali, deixaram uma planta envolta numa sacola plástica, bem lacrada com fita adesiva, e voltaram para a sala. Quando Pablo Ricardo Passos de Jesus Silva, 7 anos, voltava do banheiro, observou que algo tinha mudado. "O plástico está todo branco!", anunciou. A meninada se aproximou e, ao abrir o plástico, notou que escorriam gotículas de água na parte interna dele. "As crianças conseguiram fazer uma ligação entre o que foi observado e o processo que faz a nuvem se encher de gotas d’água, que depois causam a chuva", explica Juliana. Em seguida, o saco foi exposto ao Sol para que se observasse o fenômeno inverso: a água subindo em forma de vapor.

Após ter compreendido o que ocorre no céu quando ele fica nublado, a garotada voltou a observá-lo. A atividade foi realizada durante 15 dias, sempre no início das aulas, às 13 horas, por 20 minutos. O encantamento com o assunto persistiu e Juliana ouviu comentários como: "Será que essa nuvem é do tamanho do mundo inteiro?". Os alunos aprenderam que as nuvens que deixam o céu coberto e escuro são as do tipo cúmulo-nimbo e estrato. A primeira indica chuvas fortes e a segunda garoas. Os estudantes registraram os tipos de nuvens e compuseram um texto, tendo a professora como escriba. O trabalho resumia o conteúdo estudado. "Esse processo de observação, descrição, comparação, interpretação e síntese é essencial para formar o conceito que dará autonomia para a interpretação e leitura da paisagem", diz a docente Adriana Oliveira, do Instituto de Estudos Socioambientais da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Para ampliar o estudo, Adriana sugere discutir termos científicos. "É válido entender as palavras e os porquês delas", diz. Outra sugestão é propor a observação do que ocorre no período seguinte a um dia nublado. Novas perguntas não faltarão na cabeça da criançada, já que o céu é uma fonte enorme de possibilidades.

1 Pesquisas em vídeos e textos Apresente vídeos e textos científicos. Oriente a pesquisa e sempre relacione o que está sendo visto a uma pergunta inicial.

2 Experimentos práticos Proponha a observação de exemplos do ciclo da água na natureza.

3 Observação do céu Sugira que a garotada observe as mudanças no céu. Todos os dias, converse sobre como ele se apresenta. Incite todos a questionarem os porquês.

4 Registro sistemático Peça desenhos e textos ao fim de cada passo da sequência didática.

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