Por dentro da seleção dos vencedores

Quinze especialistas foram responsáveis por analisar e indicar os melhores trabalhos, aqueles em que os alunos de fato aprenderam

POR:
Wellington Soares
Regina Scarpa (à dir.) e os selecionadores responsáveis pela escolha dos vencedores. Foto: Manuela Novais e Victor Malta
Regina Scarpa (à dir.) e os selecionadores responsáveis pela escolha dos vencedores

Nas últimas semanas de seleção do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10, os responsáveis por avaliar os trabalhos recebidos não saíram da sede da Fundação Victor Civita (FVC), na capital paulista. Empenhados em encontrar os melhores projetos, os 15 selecionadores gastaram horas lendo os quase 3 mil trabalhos recebidos, conversando com os candidatos por telefone e analisando materiais por eles enviados. "Participar disso é uma oportunidade fabulosa porque nos dá um panorama de como os professores mais comprometidos do país realizam seu trabalho", comenta Ana Flávia Alonço Castanho, consultora do programa Matemática Além dos Números, do Instituto Avisa Lá, e selecionadora de Matemática para os anos iniciais do Ensino Fundamental.

No fim do processo de análise, Regina Scarpa, coordenadora pedagógica da FVC, e Priscila Monteiro, consultora pedagógica da instituição, conduziram a reunião em que todos os selecionadores expuseram um panorama dos projetos e indicaram os 50 finalistas, os 20 premiados e os dez Educadores Nota 10 (conheça os selecionadores e os vencedores na galeria).

"Recebemos projetos muito bons. Escolher os finalistas foi ainda mais difícil do que nos anos anteriores. Fiquei feliz com o grupo dos vencedores: são professores estudiosos, com trabalhos consistentes, que com certeza fizeram grande diferença na vida de seus alunos", afirma Regina. Apesar do balanço positivo, Priscila alerta para um ponto ao qual os inscritos das próximas edições devem atentar: "Ficamos surpresos com o número de candidatos que não guardavam registros e produções dos alunos. Além de ser imprescindível para o Prêmio, esse material é importante para acompanhar o avanço da turma".

Em outubro, os ganhadores apresentarão seus projetos à banca que elegerá o Educador do Ano, a ser revelado em uma cerimônia no dia 14.

O Prêmio em números

Por região

Por região

Estados com maior quantidade de inscrições 
30,15% São Paulo
10,5% Minas Gerais
8,9% Rio Grande do Sul

Por categoria da inscrição
84% Professor
16% Gestor

Por localização da escola
88% Urbana
12% Rural

Por segmentos
20,3% Educação Infantil
44,4% 1º ao 5º ano
35,3% 6º ao 9º ano

A avaliação dos selecionadores

Manuela Novais e Victor Malta Educação Infantil Um ponto positivo: os professores parecem muito encantados com o trabalho. Mas poderiam dar mais destaque à participação das crianças, o que falam, como pensam.

Heloisa Magri Lazzari, formadora de professores. Ela selecionou Lidiane Cristina Loiola Souza, de São Paulo
Manuela Novais e Victor Malta Inclusão Tivemos bons projetos, com a participação consistente da rede de apoio. A maior parte focou na aprendizagem do aluno.
Daniela Alonso, professora do Instituto Superior de Educação Vera Cruz (Isevec)
Manuela Novais e Victor Malta Língua Estrangeira Poucos trabalhos focavam expressão e compreensão oral. É importante os educadores falarem o idioma em sala de aula e utilizarem recursos como áudios e vídeos.
Maria Senatore, docente da Universidade de Milão, na Itália
Manuela Novais e Victor Malta Língua Portuguesa - 6° ao 9° ano Recebi muitos projetos de leitura e de formação de clubes do livro. Os trabalhos pecavam por não descrever todas as etapas e considerar que somente o contato com livros resolve os problemas de leitura.
Claudio Bazzoni, professor de Língua Portuguesa do Colégio Santa Cruz, na capital paulista
Manuela Novais e Victor Malta Matemática - 1° ao 5° ano Cresceu o número de projetos sobre espaço e forma, mas ainda temos uma carência de experiências sobre tratamento da informação e grandezas e medidas.
Ana Flávia Alonço Castanho, consultora do programa Matemática Além dos Números, do Instituto Avisa Lá
Manuela Novais e Victor Malta Ciências Boa parte dos trabalhos tratava de meio ambiente, mas o candidato não especificava se os conteúdos ensinados estavam adequados à faixa etária em que trabalhou.
Luciana Hubner, consultora pedagógica da Abramundo. Ela selecionou Karina Drude Puga Rui, de Pitangueiras, SP
Manuela Novais e Victor Malta Língua Portuguesa - 1° ao 5° ano A maioria dos trabalhos se relacionava à leitura, mas não havia sistematização para refletir sobre a prática. Também notei dificuldade dos professores em detalhar o processo de avaliação.
Denise Guilherme, formadora do programa Ler e Escrever, da Secretaria de Estado de Educação de São Paulo. Ela selecionou Rosiane Ribeiro Justino, de Joinville, SC
Manuela Novais e Victor Malta História Os professores se preocuparam com a didática e isso é muito bom. No entanto, os procedimentos típicos da História - entrevistas e pesquisas bibliográficas, por exemplo - acabaram deixados de lado.
Antônia Terra, professora da Universidade de São Paulo (USP). Ela selecionou João Paulo Pereira de Araújo, de Leopoldina, MG
Manuela Novais e Victor Malta Matemática - 6° ao 9° ano Vi professores interessados em contextualizar o trabalho, mas ele pode ser puramente matemático. A maioria tratava de frações e porcentagens.
Saddo Almouloud, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ele selecionou Simone Carvalho da Silva, de Capinzal, SC
Manuela Novais e Victor Malta Arte Faltaram relatos contando como o professor soube gerir a sala, o que é importante no ensino de Arte. É preciso explicar que apoio ele dá aos alunos.
Marisa Szpigel, coordenadora de Arte da Escola da Vila, na capital paulista. Ela selecionou Carmem Machado, de Salto de Pirapora, SP
Manuela Novais e Victor Malta Geografia Encontrei bons trabalhos sobre processos da sociedade, como a dinâmica populacional, mas poucos tratavam de Geografia Física.
Sueli Furlan, docente da USP. Ela selecionou Silma Rabelo Montes, de Uberlândia, MG
Manuela Novais e Victor Malta Educação Física Fiquei feliz pela diversidade dos trabalhos que recebi. Havia projetos sobre esportes, lutas, jogos e ginástica.
Marcos Mourão, professor da Escola da Vila. Ele selecionou Jacqueline Cristina Jesus Martins, de São Paulo
Manuela Novais e Victor Malta Coordenador pedagógico Recebi muitos projetos interdisciplinares que não deixavam clara a atuação do coordenador. Como ele agiu nas reuniões de formação?
Paula Zurawski, professora do Isevec. Ela selecionou Janaina Oliveira Barros, de Seabra, BA
Manuela Novais e Victor Malta Diretor O diretor tem função pedagógica. Ele deve articular os trabalhos da escola, garantindo as condições necessárias para que a equipe se envolva.
Ana Benedita Guedes Brentano, coordenadora de projetos do Instituto Avisa Lá
Manuela Novais e Victor Malta Alfabetização Os professores identificam as hipóteses de escrita das crianças e têm a psicogênese da língua escrita como referência, mas têm dificuldades para intervir para elas avançarem.
Beatriz Gouveia, coordenadora de projetos do Instituto Avisa Lá e professora do Isevec. Ela selecionou Elisangela Carolina Luciano, de Mogi Guaçu, SP

Compartilhe este conteúdo:

Tags

Guias