Três boas notícias sobre o Brasil no Pisa

Ampliamos o acesso, temos mais equidade e uma rede que supera a dos países desenvolvidos

POR:
Gustavo Heidrich
Crédito: Shutterstock

A cada três anos, as manchetes se repetem com os (maus) resultados do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Mais uma vez, o País apareceu na lanterna do ranking da prova de 2015 divulgados nesta terça-feira (6/12). Nosso desempenho em Ciências, Leitura e Matemática foi, em média, 97 pontos inferior ao dos países desenvolvidos. Mais da metade dos alunos estão nos níveis mais baixos de aprendizagem. Para agravar, paramos de crescer, tendência que se verificava nos exames anteriores. O quadro é alarmante, mas é preciso entender os resultados dentro da perspectiva histórica da Educação brasileira e também valorizar alguns avanços que costumam ficar de lado. Confira, então, três pontos positivos destacados pelo próprio relatório do Pisa:


Mais jovens na escola

No Brasil, 71% dos jovens na faixa de 15 anos de idade estão matriculados na escola a partir do 8º ano. É um acréscimo de 15 pontos percentuais em relação a 2003. Segundo a organização do Pisa, trata-se de “uma ampliação notável de escolarização”. O relatório destaca ainda que essa expansão aconteceu sem declínios no desempenho médio dos alunos. Essa conquista é fundamental porque ainda enfrentamos o desafio do acesso à escola, sobretudo nos anos finais e no Ensino Médio. Segundo o estudo Aprendizagem em Foco, do Instituto Unibanco, divulgado em 2016 com base em dados do IBGE, menos de 20% dos jovens se forma no Ensino Médio na idade certa e 1,3 milhão entre 15 e 17 anos abandona os estudos. Nos anos 1990, a exclusão escolar no Brasil chegava a mais de 19% de todas as crianças. 20 anos depois, em 2010, ainda tínhamos 3,8 milhões de 14 a 17 anos fora da escola.

Equidade

Entre os países desenvolvidos, o desempenho em Ciências dos alunos mais ricos é, em média, 38 pontos superior ao dos mais pobres. No Brasil, esta diferença é de 27 pontos, o que equivale, aproximadamente, ao aprendizado de um ano letivo. Isso significa que nossa desigualdade educacional é menor que a dos países mais ricos, embora nossa média seja inferior à deles. Em cidades com alto desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nas redes públicas de ensino como Sobral (CE), as crianças mais pobres nos anos iniciais já têm melhores notas nas avaliações externas do que as mais ricas, em geral matriculadas na rede privada.    

Federal no topo

Os alunos matriculados na rede pública federal de ensino têm desempenho médio superior aos da rede privada e de estudantes dos países desenvolvidos. Em Ciências, a nota média dos jovens das escolas federais foi de 517 pontos contra 493 dos países desenvolvidos. Em Leitura, a rede federal brasileira atingiu 528, também acima daquelas nações. Em Matemática, as notas se igualam. Isso significa que já temos uma rede inteira de ensino público com a qualidade de aprendizagem média equivalente ou superior aos países mais ricos do mundo. Mas ela é para poucos. São apenas 172 mil alunos, o equivalente a 0,73% de todas as matrículas nos anos finais e Ensino Médio segundo o Censo Escolar. O acesso é, em geral, feito por processo seletivo devido à alta demanda por vagas. O gasto por aluno também é bem mais alto do que nas redes estadual e municipal. O Colégio Pedro II no Rio de Janeiro, por exemplo, recebeu um aporte do governo federal de 27.518 reais em 2016 para cada um dos 12.238 alunos matriculados em suas 14 unidades, excluídos os gastos com aposentados. O gasto por estudante da Educação Básica de toda cidade do Rio de Janeiro foi de 6.938 reais em 2015. No geral, o gasto acumulado por aluno entre 6 e 15 anos no Brasil equivale a 42% da média dos países desenvolvidos.

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