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Blog Tecnologia na Educação

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Equipamentos sem uso podem transformar a sala de informática em espaço maker

Por meio de peças antigas, os alunos podem planejar e desenvolver projetos que envolvam tecnologia

POR:
Jane Reolo

Você já ouviu falar sobre um espaço maker? Trata-se de um laboratório com diversas ferramentas, equipamentos e peças que permitem a qualquer pessoa, por meio da criatividade e invenção, planejar e desenvolver um projeto que alia técnicas manuais e o trabalho dos computadores.

Montá-lo não parece, à primeira vista, ser algo acessível para boa parte das escolas do país. Mas tenho duas boas notícias para compartilhar com vocês. A primeira é que já há laboratórios gratuitos que ficam abertos ao público em geral. Eles são conhecidos como FabLabs – NOVA ESCOLA fez uma matéria sobre eles, que você pode ler aqui. Visitei um deles, localizado na região central de São Paulo, para entender melhor seu funcionamento (na capital paulista são 12 unidades, a maioria dentro de CEUs. No país, já passam de 30 e podem ser localizados neste site).

Por lá, conversei com o Ricardo Elias Delgado, líder do laboratório, que contou como ele pode se conectar com a escola. “Nesses espaços de fabricação digital, diversos conceitos ensinados na Educação Básica podem ser aplicados ou vivenciados. Conforme o projeto, dá para combinar conteúdos de Física, Matemática, Biologia, Química, Artes e, até mesmo, Geografia e História”. É super possível, então, desenvolver um projeto interdisciplinar e levar os alunos para colocar a mão na massa e tirar as ideias da cabeça.

A segunda boa notícia é que mesmo que sua cidade não tenha espaços como esse para você levar a turma, é possível usar o lixo eletrônico produzido pela escola e que costuma ficar empilhado em algum canto sem nenhuma utilidade, e ver como eles podem estar a serviço desse movimento. Para isso, vou compartilhar com vocês um passo a passo do que pode ser feito:

1 – Vale começar identificando os equipamentos abandonados. Mouses, teclados, monitores, telefones. Depois, é preciso separar algumas ferramentas como chaves de fenda, alicates, martelos, pistolas de cola quente, furadeiras e ferros de solda. Eles devem ser disponibilizados em uma bancada de trabalho. Lembre-se que o processo precisa ser supervisionado e que os procedimentos de segurança precisam ser constantemente retomados.

2 – Ao desmontar o invólucro, vários componentes internos poderão ser salvos. Como os equipamentos eletrônicos possuem algumas peças padrão, é interessante separá-las por tipo e categorizá-las em caixas de papelão ou plástico.

3 – Pais e responsáveis que atuem como mecânicos, eletricistas, marceneiros, engenheiros e afins – ou ainda profissionais dessas áreas que atuem no bairro – podem colaborar com os projetos, ensinando aos alunos para que servem as peças, como elas podem funcionar e de que jeito eles podem utilizá-las.

4 – É interessante que as soluções tecnológicas partam das necessidades da comunidade onde a escola está inserida. Dessa forma, a aprendizagem ganha mais sentido para os alunos. Na EMEF Alferes Tiradentes, na periferia da zona sul de São Paulo, a professora Cristiane Cirilo de Lima vinha desenvolvendo um trabalho de cultura maker com os alunos. Foi a partir daí, que um deles, percebendo o calor que fazia na sala, construiu um ventilador de mesa para a professora.

5 – Diários de bordo, vídeos, grupos nas redes sociais podem ser usados para registrar todas as etapas do projeto. Ao analisar o processo desde a primeira ideia até o último protótipo, os professores conseguirão avaliar os avanços e os alunos poderão sistematizar as descobertas e os conhecimentos adquiridos. E não esqueça, depois, de divulgar os projetos e protótipos – eles possibilitarão a troca entre a comunidade escolar e poderão servir de ponto de partida para novos desafios.

Dessa forma, a tecnologia deixa de ser apenas um produto de consumo e passa a ser vista também como uma ferramenta de construção e de solução de problemas, tendo os alunos como construtores. A escola entra justamente para alinhar esse trabalho com a aprendizagem de conceitos de outras disciplinas.

Gostaram da sugestão? Espero que possam compartilhar conosco outras experiências.

Até o mês que vem,

Jane Reolo

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