Blog de Leitura

Mergulhe no universo dos livros

Pedro Bandeira, eu e os leitores de todo o Brasil

O escritor participou de transmissão ao vivo no Facebook de Nova Escola

POR:
Anna Rachel Ferreira

No meu primeiro post para o Blog de Leitura, comentei sobre a importância que a série Os Karas, do escritor Pedro Bandeira, teve para que eu me apaixonasse pela leitura. Pois bem, meu primeiro livro do autor foi Pântano de Sangue, indicado pela minha professora de Língua Portuguesa da 7ª série como leitura do bimestre. Na narrativa, com coragem e perspicácia, um grupo de amigos do Colégio Elite derrota o vilão Ente, que estava destruindo a natureza e os índios do pantanal mato-grossense. Miguel, Crânio, Calu, Magrí e Chumbinho me encantaram com os encontros secretos e cheios de códigos. Eu simplesmente amava os códigos! Tinha o Coruja, o Tênis-Polar e o Vermelho. O último só era utilizado pelos protagonitas em situações de emergência e eu me divertia escrevendo frases aleatórias codificadas.

Na sequência, eu descobri que turmas das demais séries já tinham lido outros títulos da coleção. Saí pedindo os exemplares emprestado e rapidinho devorei as cinco aventuras dos Karas. Algum tempo depois, minha professora promoveu uma feira do livro COM A PRESENÇA DO AUTOR. Me lembro direitinho quando ela comentava com outra docente: “Eu pedi para a coordenadora mais gente no apoio porque os alunos adoram o Pedro!” A gestora parece não ter dado muita atenção. Então, imagina só! Quando ele apareceu na quadra da escola, nós enlouquecemos. Parecia que um rock star estava chegando. Todo mundo ansioso para ouvi-lo falar, porém gritando – contradições da adolescência. Mas, quando ele se sentou e pegou o microfone, nos silenciamos e escutamos atentamente cada palavra. Assim que terminou, deu-se início a uma corrida, cheia de atropelos rumo à fila de autógrafos. Na época, eu cometi um erro imperdoável: esqueci de levar meus livros. Eu via minhas colegas saindo super felizes com seu autógrafo em mãos e eu estava sem. Me lembro de ficar disfarçando como se eu não quisesse tanto assim. Mentira deslavada, mas tudo bem.

Há dois anos, quando eu era responsável pela seção de indicações literárias da NOVA ESCOLA, recebi um exemplar de A Droga da Amizade, autografado pelo Pedro. Eu fiquei eufórica. Li em uma sentada e, claro, amei! Fiquei relembrando os códigos, voltando em outros livros da série para conferir alguns acontecimentos que se ligavam a essa última obra. Foi uma diversão só. Por conta do lançamento da história de como o grupo de amigos estaria depois de crescidos, pude entrevistá-lo brevemente por telefone. Sempre carinhoso e bem-educado, ele respondeu às minhas perguntas pacientemente e eu fiquei ainda mais encantada com sua dedicação e primor com a arte e a Língua Portuguesa.

Então, começaram os acontecimentos que me levariam ao dia de ontem. Tudo começou há dois meses, quando a assessoria de imprensa da Editora Moderna me procurou para contar do relançamento de oito dos títulos de Pedro Bandeira revisados por ele mesmo. Entre uma conversa e outra, veio a ideia de fazer uma transmissão ao vivo. A redação ficou animadíssima com essa possibilidade (não, eu não sou a única a admirar esse grande escritor por aqui). Mas, alguns dias depois, ele adiou a entrevista. Fiquei preocupada, porque eu sabia que essa experiência valeria muito a pena. Enfim, conseguimos remarcar, o dia chegou e (Uhuuul!) ele veio.

Quando abrimos a porta, estávamos todos um tanto abobados, de admiração por tudo o que ele representa. De volta, ele nos acolheu com a sua presença que se mostrava de corpo e alma. Pedro é um senhor de 74 anos com passos certeiros, apesar de vagarosos. Traz consigo um olhar que sorri e um sorriso nos lábios que não se desfaz. Após um pequeno tour pelos cantinhos da nossa redação, fomos à sala em que faríamos a nossa transmissão ao vivo. Não resisti e desembestei a falar. Contei que amo os Karas, que ele foi na minha escola há 15 anos - coisa que não vou me esquecer – e que tivemos uma entrevista por telefone. Enfim, tudo. E ele ali, me ouvindo, sorrindo e contando suas histórias.

É muito engraçado conversar com o Pedro. Provavelmente pela herança de seu passado teatral, ele é uma pessoa extremamente expressiva. Então, tudo o que ele fala soa como contação de histórias e sempre uma narrativa muito importante. Minha sensação é que eu poderia me sentar com as pernas cruzadas no chão e ficar ouvindo por horas e horas tudo o que ele tem para dizer.

Durante a entrevista, me emocionou conhecer a preocupação que ele tem com os leitores e o quanto ele se sente co-responsável pela Educação dessas crianças e desses adolescentes. O olhar detalhista que ele tem para a infância é algo que falta em muitos de nós. Parece mais fácil dizer que adolescente é chato e pronto. Mas, para Pedro, um adolescente é um ser com diversas questões que merecem ser tratadas com todo o carinho. Essa atenção, creio, é um dos ingredientes essenciais para narrativas que encontram significado na vida de gente tão diferente.

Fiquei ainda mais emocionada ao receber perguntas e comentários dos leitores antigos ou que só agora estão conhecendo esse autor. A Luciene Déo contou que quando estava na 8ª série escreveu para o escritor falando de A Droga da Obediência que havia acabado de ler e teve o prazer de receber a resposta dele escrita de próprio punho. Já a Isabela Oliveira escreveu: “Comecei a ler por causa dos seus livros. Muito obrigada por isso!”. Pois é, somos muitos.

Viver esse dia me remeteu a um aprendizado que o teatro, que compartilho com Pedro, me ensinou. Há quase um ano eu me formei atriz e na minha última peça como estudante meus colegas e eu criamos uma frase que nortearia o nosso trabalho: É impossível fazer teatro sem amor. Ouvindo Pedro falar, eu diria que é impossível fazer literatura sem amor. E isso...ah! Isso transborda por ele, encharca suas obras e a nós, leitores, cabe o prazer de mergulhar.

Se você ainda não viu, dá só uma espiadinha em como foi a nossa conversa!

Até o próximo post!

Anna Rachel

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