Quem conta um causo aprende a ler

O suspense dos contos de assombração ajudou a professora Rosany a dar continuidade à alfabetização de sua turma de 2ª série e a resgatar as histórias contadas pela comunidade

POR:
Paola Gentile
Rosany lê contos de assombração: momentos de magia que ajudaram na alfabetização da turma. Foto: Luís Moraes
Rosany lê contos de assombração: 
momentos de magia que ajudaram 
na alfabetização da turma

Medo, arrepios, suspense e calafrios. Essas foram algumas das expressões usadas pelos alunos de 2ª série da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Associação da Paz, de Paragominas (PA), para caracterizar os contos de assombração. Essas narrativas, assustadoras e cativantes, fizeram parte das aulas de Língua Portuguesa das crianças durante o primeiro semestre do ano passado. Disposta a dar continuidade à alfabetização da turma iniciada em 2004, a professora Rosany de Fátima Silva Guerreiro, 31 anos, escolheu os causos de arrepiar contados pelos pais e pelos familiares dos alunos como tema de seu projeto. A professora, que leciona há 14 anos, se inspirou em atividades que ela mesma vivenciou durante o programa de formação Escola que Vale - mantido pela Companhia Vale do Rio Doce em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Paragominas. Rosany propôs diversas situações para que os alunos se apropriassem da linguagem escrita e oral. Cada aluno teve contato com pelo menos uma dezena de livros do gênero, produziu cinco reescritas, elaborou um caderno de contos e participou de sarau literário com colegas de outras turmas e de outra escola.


Passo a passo e metodologia

1. A Leitura e a escolha dos contos
Os momentos em que Rosany lia histórias de assombração para a turma eram de puro encantamento e magia. Essa atividade marcava o início de um processo que se repetiria várias vezes durante o projeto. Atenta aos detalhes, a garotada começou a perceber as características específicas desse tipo de narrativa (contos de assombração nunca começam com "era uma vez...", mas com "certa noite", "em um local tenebroso" ou algo tão assustador quanto). Rosany anotou as observações e as colocou em um cartaz. Foi enriquecedor também quando ela pediu aos estudantes para contar em quais momentos sentiram mais medo e de que forma ele se manifestou. Como o corpo reagiu às situações assustadoras? O coração bateu mais rápido? Os olhos se arregalaram? "Isso foi importante para que eles identificassem e descrevessem as emoções", analisa Rosany. Depois de nomear e escrever na lousa todas aquelas sensações, a professora solicitou que, coletivamente, eles fizessem o reconto oral, enquanto ela transcrevia esse novo texto.

2. Correção coletiva
Quando os alunos já estavam familiarizados com as novas palavras e com a história, Rosany entregou uma cópia do conto original a cada um para que acontecesse a leitura compartilhada. Nesse momento, a turma acompanhava no papel a leitura em voz alta da professora. Depois, cada um fez a própria reescrita. Desses textos individuais, a professora escolheu alguns para a revisão coletiva. Ela copiava um na lousa e as crianças davam palpites: alguns sugeriam palavras mais adequadas às situações narradas; outros percebiam erros ortográficos ou de concordância. Durante essa atividade, Rosany chamava a atenção para a estrutura narrativa e para a pontuação correta, ressaltando sempre a intenção do autor. Depois, todos liam e copiavam o texto revisado. Esse processo foi realizado com diversas histórias. Além de servir de escriba para os pequenos em produções coletivas, Rosany também organizou a classe em duplas em vários momentos para que os já alfabetizados escrevessem o texto elaborado pelos que ainda não dominavam a linguagem escrita.

3. Produção e apresentação
Durante o projeto, os alunos fizeram contato com as demais turmas e também com outra escola para chamá-las para o sarau literário. Escolhido o público, vez ou outra o grupo parava a atividade de reescrita e redigia um bilhete para os convidados contando como andava o projeto e o que estava sendo preparado para o evento. Rosany ensaiou várias vezes com os estudantes os contos que seriam apresentados. Nessas ocasiões, ela analisou a clareza da fala e a entonação, o ritmo e a seqüência dos fatos narrados. No dia do sarau, não faltaram fantasmas, mulas-sem-cabeça, sacis, esqueletos e muitos balões pretos na decoração do palco. As crianças, seguras do que estavam falando, conseguiram até botar medo nos colegas que assistiram à apresentação.

Língua Portuguesa

TEMA DO TRABALHO
Leitura e escrita de contos de assombração

2ª série

Objetivos e conteúdos
A principal meta de Rosany era dar seqüência à alfabetização e à formação de leitores e escritores competentes. Neste projeto, que teve a duração de quatro meses, os alunos conheceram um gênero da literatura pouco utilizado em sala de aula, os contos de assombração. Eles aprenderam a ouvir e a contar histórias, a planejar a escrita e a fazer a revisão dos textos e comentários sobre os livros lidos.

Avaliação
Comparando as redações feitas no início e no final das atividades, Rosany constatou o desenvolvimento da escrita da turma, com a diminuição do número de alunos pré-silábicos e silábicos e o aumento da porcentagem de alfabéticos e silábico-alfabéticos.

Quer saber mais?

Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Associação da Paz, Av. Tupinambás, s/no, 68625-970, Paragominas, PA, tel. (91) 3739-1062

Rosany de Fátima Silva Guerreiro, peqv@nortnet.com.br

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