Alemanha e a Copa do Mundo

Depois de 32 anos, o país sedia o campeonato mundial. Desta vez, reunificada

POR:
NOVA ESCOLA
Queda do Muro de Berlim. Foto: Getty Images
Queda do Muro de Berlim em 1989: moradores das duas Alemanhas comemoram
Foto: Getty Images

Julho de 1954, clima de festa nas ruas alemãs. Após virar o jogo para 3 a 2, a Alemanha Ocidental vence a Hungria na final da Copa do Mundo da Suíça. Graças ao futebol, o povo, marcado por duas guerras mundiais e estigmatizado pelo passado nazista, experimenta uma catarse coletiva. Na primeira edição do Mundial realizada na Europa depois da Segunda Guerra, existia uma outra Alemanha, que não comemorou o título. A Oriental era um mistério para o resto do planeta.

Em 1974, os alemães ocidentais sediaram a Copa e conquistaram o bicampeonato. O muro construído em Berlim em 1961 era então o símbolo mais forte da separação do país. Levantado para impedir a migração da população sob o regime comunista para o lado capitalista, ele tinha 45 quilômetros de extensão e 3 metros de altura - tudo extremamente bem vigiado.

Quando a bola rolar no dia 9 de junho para a abertura do Mundial deste ano, a realidade será completamente diferente. A primeira Copa pós-reunificação alemã remete à evolução histórica do país. No último século, além de ter passado por duas grandes guerras, a Alemanha teve papel central durante os 40 anos da Guerra Fria - a disputa entre os Estados Unidos e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas pela hegemonia global.

Em 1985, o então presidente soviético, Mikhail Gorbatchev, iniciou um processo de dissolução do bloco comunista devido aos escassos recursos econômicos do país. As causas eram a corrupção e os investimentos em armas (e não em setores de base da economia). Quatro anos depois, a onda de abertura chegou com tudo à Alemanha Oriental - e milhares de cidadãos comandaram manifestações e obrigaram o regime socialista a entregar o poder. A queda do Muro de Berlim é o símbolo máximo da reunificação das duas Alemanhas - que viveram nova glória futebolística apenas um ano depois, em 1990, quando a seleção faturou o tricampeonato nos gramados da Itália. O time ainda era formado só por craques do lado ocidental, mas a festa foi de todos os alemães. Mesmo com o lento processo de reunificação, eles já eram um só país.

Plano de aula 5ª a 8ª série

Dois países, um povo
1. Leve para a sala de aula dois mapas da Europa, um anterior a 1989 e outro atual. Peça que a turma localize as Alemanhas e a cidade de Berlim na carta antiga. Explique por quais países cada uma delas era influenciada na época e quais eram os regimes políticos e econômicos vigentes. Faça um apanhado sobre as características do capitalismo e do socialismo.

2. Pergunte aos alunos como seria um Brasil comunista de um lado e capitalista de outro. Estabeleça um paralelo entre aspectos socioeconômicos do nosso país e da Alemanha dividida e mostre que aqui também há um muro (imaginário): a separação entre ricos e pobres.

3. Depois, solicite que encontrem a Alemanha no mapa atual e dê uma semana para todos fazerem pesquisas sobre sua história. Levante questões. O que levou o país à divisão? Por que o Muro de Berlim foi construído? Como a Alemanha se reunificou? Quem derrubou o muro? Quantas vezes o país já sediou a Copa do Mundo? O que mudou na história recente? Peça que eles façam uma história em quadrinhos narrando os momentos mais marcantes da trajetória alemã até os dias de hoje.

4. Divida os alunos em quatro grupos. Cada um deve preparar a dramatização dos seguintes momentos da história alemã.
a. O fim da Segunda Guerra e a divisão da Alemanha.
b. A construção do Muro de Berlim e o drama das famílias.
c. A queda do muro, o reencontro das famílias e a alegria pela reunificação (que pode ser exemplificada com a comemoração da Copa do Mundo de 1990).
d. As dificuldades enfrentadas pelos alemães após a reunificação, como a difícil adaptação dos orientais ao capitalismo, o desemprego em alta e a ameaça de grupos neonazistas.

5. Organize um dia para que os alunos apresentem suas peças de teatro uns aos outros, em ordem cronológica.

Por último, peça que apontem as cenas mais simbólicas.

CONSULTORIA
Suzana Ferreira Romão, professora de Língua Portuguesa do Colégio São Camilo, em Brasília

Alemanha e política

Na década de 1960, a Alemanha Ocidental se tornou uma das maiores potências mundiais e atraiu cidadãos desgostosos com a realidade do lado oriental.

Com a reunificação, os orientais ficaram à mercê das leis capitalistas de competição. E o lado ocidental teve de se unir ao obsoleto parque industrial do Leste.

A Copa de 1974 foi cercada por um forte esquema policial para evitar um ataque terrorista como o ocorrido nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972 (foto).

Em campo, a grande curiosidade é que a Alemanha Oriental jogou contra a Ocidental. Venceu por 1 a 0 e terminou em primeiro no grupo, mas acabou desclassificada na segunda fase.

Quer saber mais?

Bibliografia
A Crise do Mundo Socialista, Rosana Bond e José William Vesentini, 56 págs., Ed. Ática, tel. (11) 3990-2100, 21 reais

Guerra Fria - A Era do Medo, José Augusto Dias Júnior e Rafael Roubicek, 72 págs., Ed. Ática, 18 reais
O Diário de Zlata, Zlata Filipovic, 200 págs., Ed. Companhia das Letras, tel. (11) 3707-3501, 23 reais

Filmografia
Adeus, Lênin, Wolfganger Becker, 118 minutos, Alemanha, 2003, Imagem Filmes (DVD), 26 reais

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