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Segurança e cidadania em duas rodas

Um problema real, o grande número de acidentes com bicicletas, serviu de base para Sibelly criar projeto em Educação Física e dar lições de saúde e de democracia

por:
NE
NOVA ESCOLA
A professora Sibelly e um batedor da PM abrem caminho no passeio ciclístico dos alunos, em Itajubá (MG): Educação Física inovadora. Foto: Gustavo Lourenção
A professora Sibelly e um batedor da PM abrem 
caminho no passeio ciclístico dos alunos, em 
Itajubá (MG): Educação Física inovadora. Foto:
Gustavo Lourenção  
Em Itajubá, município ao sul de Minas Gerais com cerca de 82 mil habitantes, cada residência tem, em média, duas bicicletas. Meio de transporte saudável, não poluente e de baixo custo, as magrelas conduzidas por crianças, adultos e até pelos mais idosos disputam espaços no pesado tráfego de carros e caminhões, que atravessam a cidade para escoar a produção industrial.

Próximo às muitas fábricas ali instaladas, à beira do trecho urbano da BR 459, funciona a Escola Professora Maria Antonieta Carneiro de Mello, da Fundação Bradesco. Boa parte das crianças e jovens, seguindo a tradição, vai à escola pedalando. Devido à falta de condições viárias e de conscientização sobre as regras de trânsito, acidentes são comuns.

Atenta ao problema, a professora de Educação Física Sibelly Emiliana Alkmin da Costa Paiva decidiu levar o ciclismo para suas aulas. No início de 2002, ela realizou com as turmas de 5ª série o projeto Bom de Pedal, sobre o uso consciente da bicicleta. Todas as vantagens desse esporte ? e também meio de transporte ? para a saúde e o lazer da população foram discutidas em classe.

Plano de aula

Da biblioteca à Câmara Municipal

Objetivos

Ao planejar a seqüência de aulas, Sibelly traçou como objetivo a melhoria das condições de uso da bicicleta. Para isso, trabalhou na conscientização dos alunos sobre as normas de trânsito e os benefícios do esporte para a saúde e sua importância como prática de lazer. O projeto ultrapassou as intenções iniciais e foi parar na Câmara Municipal, na forma de uma petição para a construção de uma ciclovia. Mesmo com esse desdobramento, Sibelly não perdeu o foco, mantendo o tema ciclismo sempre no centro das atividades.

 

Sibelly inovou o ensino de Educação Física em todos os sentidos. Partiu de um problema real e incluiu no currículo um esporte pouco comum na disciplina. Não se restringiu à atividade física, abordando várias questões envolvidas no ciclismo. Escolheu bem com quem desenvolveria o projeto: a garotada entre 11 e 12 anos. Nessa idade, o jovem está com energia a plena carga, além de começar a compreender mais a fundo sua participação na sociedade.

Sondagem com a turma 

Alunos montam maquete: trânsito seguro. Foto: Gustavo Lourenção
Alunos montam maquete: trânsito seguro. Foto: Gustavo Lourenção 

Ao pedalar numa pista de duas mãos, qual o melhor caminho? Quando "cortamos" um carro, devemos passar pela esquerda ou pela direita? Como reduzir os acidentes na comunidade? Quais os benefícios para a saúde? Com essas e outras perguntas, Sibelly iniciou a sondagem da turma sobre o ciclismo e propôs uma extensa pesquisa sobre bicicletas e ciclismo na biblioteca da escola. Enciclopédias, almanaques, jornais e revistas passaram pelas mãos e pelos olhos atentos de todas as crianças. Além do acervo da escola a garotada tinha à disposição material especializado trazido por Sibelly. Dividida em grupos, cada turma estudou um tema: história da bicicleta, modelos e preços, manutenção e consertos, roupas e equipamentos de segurança, atividade física envolvida no ciclismo, modalidades, competições e regras de trânsito.

O resultado das pesquisas deu origem a seminários apresentados para as demais séries. Maquetes foram montadas para representar situações de trânsito e uma exposição de 30 bicicletas foi organizada no saguão da escola. Havia desde modernas mountain bikes a uma relíquia inglesa de 1910, pertencente ao avô de um dos alunos.

Solução é a ciclovia

Ao término das pesquisas, nasceram duas estratégias para reduzir o risco de acidentes: conscientizar o ciclista sobre seus direitos e deveres e reivindicar uma ciclovia em direção ao Centro.

Com auxílio da professora de Língua Portuguesa, a garotada estudou a linguagem adequada para a elaboração de um documento destinado aos vereadores do município. "O ciclismo virou um exercício não somente físico, mas de cidadania", conta Sibelly. Ao visitar a Câmara e participar oficialmente de uma sessão, os estudantes passaram a compreender um pouco do funcionamento da casa onde se aprovam as leis que regulam a vida do cidadão. O apoio dos vereadores foi unânime. Todos prometeram pressionar o poder executivo para incluir a ciclovia na obra de recuperação da rodovia, já em andamento.

Ainda com o objetivo de mobilizar a comunidade e sensibilizar autoridades públicas, Sibelly organizou um passeio ciclístico. Com apoio da Bike Patrulha, destacamento da Polícia Militar que usa bicicletas como viaturas, a meninada despertou a curiosidade de moradores e motoristas locais ao pedalar pela cidade, seguindo todas as de leis de trânsito e regras de segurança.

Ciclistas e cidadãos

A cada atividade realizada, Sibelly avaliou a turma baseando-se no desempenho individual e em grupo. "Além do conteúdo específico, eu considerava o respeito aos colegas, a divisão de tarefas e o comprometimento", conta.

Complementando a avaliação formal, Sibelly destaca o perceptível ganho na aprendizagem dos alunos, detectado em conversas informais, em que mostraram a aquisição de novas competências como ciclistas e como cidadãos. "Todos sabiam pedalar, mas agora se preocupam com segurança, aguardam e cobram do poder público a concretização das melhorias", completa.

Quer saber mais?

Sibelly Emiliana Alckmin da Costa Paiva, R. Antenor Viana Braga, 347,apto. 303, 37505-000, Itajubá, MG,tel. (0_ _35) 3622-0543 

 

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