Entre prédios e praças

Estudos sobre as fachadas e a paisagem urbana ensinam a criançada a valorizar as construções da cidade

POR:
Cristiane Marangon
Na observação das fotos, a comparação do novo com o antigo: importância de preservar
Na observação das fotos, a comparação do novo com o antigo: importância de preservar.
Reprodução arquivo pessoal Ricardo Moraes

 

Em sua pesquisa de mestrado, a professora de Arte Marileusa de Oliveira Reducino constatou que as construções de Uberlândia, a 563 quilômetros de Belo Horizonte, mudavam em curto espaço de tempo - apenas 40 anos. Uma das possíveis causas era o município não ter política de tombamento e conservação de edifícios e praças. Marileusa levou o assunto para a sala de aula e propôs a pesquisa aos alunos de 4ª série da EEB da Universidade Federal de Uberlândia: "O objetivo foi despertar a consciência da garotada para a importância da preservação da arquitetura utilizando o trabalho plástico". 

O projeto Olhares e Poiésis (poética, em grego): Imagens, Histórias e Memórias da Cidade foi desenvolvido durante um ano nas aulas de Arte. Em História, a turma levantou dados sobre a cidade em museus e bibliotecas e formulou questionários para entrevistar moradores sobre as mudanças. Além de aprender sobre história da arte, a turma teve contato com diversas técnicas de produção artística e compreendeu a importância da preservação. "Hoje encontro a garotada freqüentando espaços que guardam a memória da cidade e, o melhor, questionando como isso é feito", conclui. 

Desenho em guache: policromia e monocromia para entender a cidade

Desenho em guache: policromia e monocromia para entender a cidade

Sequência de atividades

1. OBSERVAÇÃO DO ESPAÇO 

O ensino de Arte tem mais significado quando contempla elementos da comunidade. Os alunos de Marileusa observaram a arquitetura no bairro e levaram fotos da fachada de suas casas, reproduzidas depois em desenhos de observação com base nas imagens. Para analisar as mudanças do espaço, ela levou fotos antigas e recentes de Uberlândia e propôs desenhos de uma cidade imaginária, com o novo e o velho convivendo, para formar um painel coletivo. 

2. CONHECENDO TÉCNICAS 

Durante o processo de produção, os alunos trabalharam com diferentes modalidades, descobrindo possibilidades que devem ser selecionadas de acordo com as expectativas e os desafios. Marileusa fez três propostas. Depois de apreciar obras do pintor Alfredo Volpi (1896-1988), do paisagista Roberto Burle-Marx (1909-1994) e do fotógrafo Cristiano Mascaro, que tinham a cidade como tema, os alunos criaram desenho em monocromia (uso de uma única cor, variando de tons), monotipia (impressão em papel de imagem feita com tinta guache pastosa em azulejo) e assemblagem (mistura de pintura com colagem de objetos). Todos desenharam e pintaram um trecho da cidade em miniatura. As produções foram coladas no fundo de caixas de fósforo grandes, ganhando detalhes de miçangas, lantejoulas e EVA, formando mais um painel coletivo.

3.  A EXPOSIÇÃO 

Prontas as produções, o projeto foi apresentado à comunidade, com uma exposição no Arquivo Público de Uberlândia, em data próxima ao aniversário da cidade (e teve até cobertura da imprensa). Nas entrevistas, os alunos defenderam a importância de preservar as edificações para o bem da memória urbana.

Quer saber mais?

CONTATO
EEB da Universidade Federal de Uberlândia, Adutora São Pedro, 40, Campus Educação Física, 38400-075, Uberlândia, MG, tel. (34) 3218-2905 

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