O Trem das Águas

O conto de Fernando Vilela brinca com figuras de linguagem e animais na floresta

POR:
NOVA ESCOLA

Ilustração: Fernando Vilela 

Bem lá dentro da Floresta Amazônica, onde as árvores são tão altas que chegam nas
nuvens e as folhas da mata são tão grandes que poderíamos morar embaixo delas, vivia uma cobra gigante chamada Cobra Gil. Quando caía a noite, os insetos faziam tanto barulho que Cobra Gil acordava. Saía de seu buraco-casa, espichava todo o corpo e dava um bocejo tão comprido, soltando um som tão grosso, que todos os bichos ficavam quietinhos de medo. Até a onça se encolhia em sua toca, apavorada. E Cobra Gil, cansada de dormir, saía para dar seu rotineiro passeio noturno.

Quando os bichos percebiam que era Cobra Gil - a maior da floresta - que estava saindo para nadar, pediam para subir nas suas costas. Então ela nadava rio acima parecendo um trem, pois carregava pássaros, macacos, tucanos, sapos, besouros, cigarras, formigas e lagartos. Na cabeça iam os vaga-lumes iluminando o caminho. Os jacarés e os pescadores, quando viam aquele monstro com a cabeça iluminada e o corpo que piava, gritava, zumbia e coachava, diziam:

- Fujam! Fujam todos! Vem chegando o trem da assombração com a cabeça de fogo! 

Quem é

Fernando Vilela, autor e ilustrador deste conto, é artista plástico, designer e
professor de Arte em São Paulo. Lampião & Lancelote (52 págs., Ed. CosacNaify,
tel. [11] 3218-1444, 29 reais), seu livro mais recente, levou o Prêmio Jabuti de 2007 em três categorias. Seu trabalho pode ser visto em www.fernandovilela.com.br.

 

Especial ERA UMA VEZ...

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