Saídas para a Educação Infantil estão dentro do país

É o que defendeu o pesquisador irlandês John Bennet, da OCDE, no Seminário Internacional de Educação Infantil, em Brasília

POR:
Gisela Blanco

O que é possível aprender com países que se preocupam com a Educação Infantil? Foi isso que o pesquisador irlandês John Bennet veio mostrar para mais de 900 professores que participaram do Seminário Internacional de Educação Infantil organizado pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, em Brasília, na segunda-feira, 15 de outubro.

Bennet faz parte da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada por 30 países, a maioria deles com bons indicadores sociais. Segundo o educador, esses resultados favoráveis se devem ao cuidado que essas nações têm com o desenvolvimento de suas crianças durante a primeira infância. "Desde maio deste ano a OCDE considera a incorporação de países em desenvolvimento, por isso estamos trazendo o debate para o Brasil", afirma.

Durante sua palestra, Bennet mostrou os métodos que fazem dos países integrantes da OCDE modelos de sucesso. Como fundamentos básicos pra um bom desenvolvimento infantil, o pesquisador apontou a qualidade das creches, a igualdade de tratamento do trabalho entre homens e mulheres e a valorização das mães, demonstrada pela concessão de períodos maiores de licença maternidade. "A certeza de que as mães poderão cuidar de seus filhos por um bom período e terão seus empregos garantidos reduz o estresse e melhora o ambiente familiar", garantiu.

A quantidade de recursos gastos pelo governo com a Educação Infantil, de acordo com o pesquisador, também interfere no nível de aproveitamento de cada país. A Dinamarca está na liderança mundial, com uma coleção de bons indicadores. Lá, o governo gasta 4% das receitas de impostos com a Educação Infantil. Nos Estados Unidos, apenas 1%. Bennet lembrou que o sucesso do país nórdico se deve principalmente a uma política pública de apoio aos pais. E exemplificou: "Na Dinamarca, 60% das crianças menores de três anos freqüentam creches, enquanto na França esse número chega a 80%. Mas, segundo ele, não é necessário que essas porcentagens cresçam. É dentro de casa que se nota a diferença. Afinal, com mais apoio financeiro aos adultos, o governo estimula o melhor tipo de cuidado infantil que existe: o familiar".

O investimento em creches e em profissionais especializados também é essencial para o pesquisador. "Os países precisam de mão-de-obra capacitada para lidar com alunos na faixa dos zero aos três anos. É uma fase crucial para o desenvolvimento neurológico, físico, lingüístico e motor das crianças", afirma. Ele aponta a experiência filandesa como modelo. No país, o desenvolvimento e aprimoramento lingüístico das crianças começa logo cedo, na primeira infância. Aos 14 anos, os finlandeses já são os melhores leitores de textos científicos do mundo, diz Bennet.

Distanciando-se dos exemplos nórdicos, o pesquisador ressaltou a importância de se analisar bem os modelos econômicos e a cultura local de cada país antes de implantar novos modelos de cuidado infantil. Ele diz que é comum que em países em desenvolvimento, os pais tenham que arcar com os custos de creches particulares e que os professores sejam mal assistidos pelo Estado, o que se reflete numa educação deficitária. "Se não houver profissionais bem treinados, esses centros não terão qualidade. E profissionais bem treinados são caros", alerta.

Sua última mensagem foi um conselho para o Brasil. É importante examinar políticas públicas bem sucedidas no exterior. Mas o Brasil precisa criar suas próprias políticas voltadas para suas necessidades específicas. Buscar dentro do seu sistema de ensino bons exemplos que possam ser reproduzidos é um caminho, finalizou.

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