Rumo à qualidade: seis possíveis soluções

Com base nas questões levantadas pela pesquisa e nas contribuições de especialistas, a FVC aponta caminhos para aprimorar essa fase de ensino

POR:
Maria Rehder
Rumo à qualidade: seis possíveis soluções. Ilustração: Gabriel Lora

A pesquisa realizada pela FCC trouxe questionamentos importantes sobre os desafios dos anos finais do Ensino Fundamental. Com base nas constatações apresentadas e nas contribuições dos especialistas que estiveram no painel sobre o estudo (leia a lista dos participantes no rodapé), a FVC propõe alguns meios para garantir a qualidade do ensino.

Para começar, é preciso articular de forma mais efetiva as fases da Educação e os docentes que nelas atuam. Igualmente importante é garantir uma base curricular nacional, além de desmitificar a imagem negativa do aluno, conhecendo a fundo as particularidades dele para melhor ensiná-lo. Para tanto, a formação docente é um ponto básico.

O cumprimento dessas medidas pressupõe a união de esforços por um maior investimento - que deve ser empregado para equipar escolas, oferecer uma formação inicial e continuada sólida aos professores e salários dignos, entre outros itens. Por fim, há que se repensar o pacto federativo.

1 Articular melhor as fases da Educação

Promover uma integração mais ampla entre os segmentos da Educação Básica é indispensável para assegurar a continuidade na aprendizagem. "Em muitas cidades, apenas o primeiro ciclo foi municipalizado. Temos de criar espaços para que as redes conversem", avalia Joyce Mary Adam de Paula e Silva, professora da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), campus de Rio Claro.

2 Promover o diálogo entre os professores

Os docentes necessitam de espaço para discutir o planejamento em conjunto, enfatizando conteúdos e habilidades que serão trabalhados. Esses encontros devem ser previstos pela coordenação pedagógica. "É necessário criar condições para que os professores atuem de forma integrada, sem esquecer as especificidades das disciplinas", diz a diretora do Colégio Equipe, em São Paulo, Luciana Fevorini.

3 Organizar uma base curicular nacional

O país tem de delimitar os objetivos a serem alcançados em nível nacional e ajudar as redes a repensar os currículos e a maneira como as aulas são planejadas. "Muitos dos recortes de conteúdo feitos em classe pertencem a outra concepção de ensino. É preciso coragem para mudar", afirma Leandro Karnal, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

4 Repensar a formação inicial e continuada

Formar melhor o especialista significa, entre outras coisas, dar ferramentas para que ele conheça as peculiaridades da adolescência. Para Karnal, "esse docente está situado em uma fronteira, entre o profissional mais técnico do Ensino Médio e o que atua como orientador, das séries iniciais". A formação deve considerar essa duplicidade de papéis.

5 Entender quem é e o que pensa o adolescente

É urgente desenvolver uma visão do estudante pautada nas necessidades específicas da faixa etária. Existe uma imagem negativa dele, construída pelos professores, e que deve ser deixada de lado. "O aluno real já está em nossa escola, buscando autoafirmação. O docente deve ser formado para dialogar com ele", defende Joyce.

6 Levar em conta nas aulas as especificidades da fase

Por fim, há que se trazer esse conhecimento sobre o aluno para a escola e aproveitá-lo em prol da aprendizagem. Lucas Monteiro, professor da Escola Santi, em São Paulo, ressalta a importância de um currículo que permita ao educador se apropriar dos interesses da turma e envolvê-la na produção do saber. "O conhecimento em qualquer área requer uma discussão coletiva", afirma.

Participaram do painel sobre a pesquisa Angela Dannemann e Regina Scarpa, da FVC; Bernardete Gatti e Gisela Tartuce, da FCC; Ana Lucia Lima, do Instituto Paulo Montenegro; Ângelo Ricardo de Souza, da Universidade Federal do Paraná (UFPR); Maria Amabile Mansutti, do Cenpec; Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silva, especialista em Gestão de Sistemas Educacionais; Mozart Neves Ramos, do movimento Todos Pela Educação; Paulo Alves da Silva, do Ministério da Educação (MEC); Rosana Louro Ferreira Silva, da Universidade Federal do ABC; e Rosangela Valim, da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.

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