As lições de quem acerta na Educação

Na primeira palestra do Seminário de Secretários Estaduais de Educação, Mona Mourshed da McKinsey & Company fala das lições de sucesso dos países que atingiram qualidade na Educação

POR:
Gustavo Heidrich

A edição 2008 do Seminário de Secretários Estaduais de Educação foi aberta na manhã desta segunda-feira, 13 de outubro, pela vice-presidente da Fundação Victor Civita, Cláudia Costin. "Estamos aqui, ao lado dos secretários, para discutir e procurar soluções para uma das maiores questões da Educação no país: a formação dos nossos professores", disse a vice-presidente, antes de passar a palavra para a presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Maria Auxiliadora Seabra Rezende.

Dorinha, como é conhecida, enfatizou que a responsabilidade pela Educação deve ser compartilhada. "Nós gestores temos a responsabilidade de remunerar melhor e fazer uma política de valorização dos professores, mas não podemos mas olhar os docentes como 'vítimas' do processo educacional. É necessário que eles, também, se responsabilizem e possam ser cobrados pelo desempenho em sala de aula", opinou.

Dorinha enfatizou a ncessidade de se compartilhar responsabilidades para atingir metas na Educação. Fotos: Kriz Knack
Dorinha enfatizou a ncessidade de se compartilhar responsabilidades para atingir metas na Educação.
Foto: Kriz Knack

Na sequência, a primeira palestra do seminário coube à Mona Mourshed, doutora em desenvolvimento econômico pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e sócia da McKinsey & Company. Ela discorreu sobre as lições que os países com melhor desempenho educacional tem a ensinar ao Brasil. Ela começou derrubando alguns mitos sobre ações que se acredita que possam melhorar a Educação, mas que, na prática, se provam ineficientes. Algumas delas são:

- Aumento dos gastos: Segundo a pesquisadora, apenas em 2007, os governos de todo mundo gastaram dois trilhões de dólares em Educação, o que não resultou, sob nenhum aspecto, em melhorias educacionais significativas. "A questão não é apenas investir mais, mas, sobretudo, direcionar o investimento para ações que tenham efeito direto na sala de aula, melhorando a qualidade da aprendizagem", disse Mourshed.

- A redução de alunos em classe: Para Mona, reduzir quantidade de alunos em sala de aula não é sinônimo de melhora na aprendizagem. "De 112 estudos que fizemos para analisar o impacto da redução de alunos por classe, 89 verificaram que a redução não teve nenhum impacto sobre a qualidade do ensino", afirmou.

Para Mona, um grande determinante da Educação são o contexto familiar do aluno e a qualidade do professor. "Enquanto filhos da classe trabalhadora ouvem 26 milhões de palavras em um ano, os filhos de classes mais alta ouvem 45 milhões de palavras. Isso mostra porque os índices de alfabetização e o repertório cultural é tão diferenciado", afirmou.

Mona apresenta os dados para a platéia atenta de secretários. Foto: Kriz Knack
Mona apresenta os dados para a platéia atenta de secretários. Foto: Kriz Knack

As lições positivas

Depois de apontar os equívocos, Mona falou sobre as lições que os países mais bem rankeados no PISA, exame internacional que mede a qualidade dos sistemas educacionais dos países, tem a ensinar para o Brasil. Algumas delas são:

A qualidade da escola está diretamente ligada a qualidade dos professores. "Quem decide a aprendizagem é o professor em sala de aula. Por isso é preciso uma decisão por selecionar, valorizar e capacitar melhor os docentes, em uma política de profissionalização da Educação", colocou. Segundo ela, nos EUA só o um terço mais capacitado dos estudantes viram professores e no Oriente Médio só a metade com melhor desempenho acaba nas salas de aula. "Tudo está baseado na seleção rigorosa dos professores. Na Finlândia, país número 1 no Pisa, apenas um de cada dez candidatos viram professores", demonstrou.

Boas carreiras e profissionalização da Educação. "O que compensa uma carreira tão árdua como a de professor é um boa remuneração e políticas de reconhecimento. Além disso, os professores precisam dar aulas com foco na aprendizagem para isso é preciso criar mecanismos de desempenho e profissionalização da Educação", disse a pesquisadora.

Finalizando sua apresentação, Mourshed disse que outras duas lições que o país precisa levar em conta é a universalização da aprendizagem e a importância da gestão escolar. "Todas as crianças tem que aprender, nenhuma deve ficar para trás. E o sucesso dos sistema escolar só se concretiza com bons gestores, responsáveis pedagogicamente, tanto dentro da escola como fora dela".

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