Escolas terão lan houses

Projeto da Secretaria de Educação de São Paulo criará lan houses nas escolas

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NOVA ESCOLA

Outra novidade criada pela secretaria é o programa Acessa Escola. Lançado no dia 8 de maio, ele promete contratar 12.242 monitores de Ensino Médio para atuar nas escolas da rede estadual. Eles receberão uma bolsa de R$ 340 e cumprirão carga horária de quatro horas diárias. "As escolas terão 'lan houses' porque o acesso vai ser possível fora do horário das aulas de informática, já que os monitores vão cumprir três turnos, das 8h às 20h. A idéia é que, com a ajuda dos estagiários os alunos possam estudar via internet e fazer pesquisas", explica Maria Helena Guimarães. Está prevista, também, a ampliação no número de máquinas nas escolas.

Os professores ainda tem dúvidas sobre como vai funcionar o programa. "A comunidade terá acesso aos computadores na escola? Como será o treinamento dos monitores? Haverá segurança extra, já que os laboratórios ficarão disponíveis por horas? Os professores passarão por treinamento também? Existe uma proposta pedagógica?", pergunta um professor da E.E. D. Cirene Laerte.

"Acho a iniciativa positiva para os futuros monitores. São estudantes que poderão realizar um trabalho remunerado dentro da própria escola. Isso valoriza o aluno. Mas quem continua na frente do processo de ensino e aprendizagem, inclusive na salas de informática, é o professor e ele precisa de orientação", pede outra professora do Cirene. Já o diretor, Edílson Marques, acredita que os monitores não resolvem a dificuldade de uso das salas de informática. "Os monitores são um paliativo. O correto seria contratar professores exclusivos para os laboratórios como ocorre na rede municipal. Mas seriam necessários pelos menos 10 mil novos profissionais. A contratação dos monitores é uma medida de economia", acredita o dirigente.

As questões levantadas pelos educadores foram encaminhadas à assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Educação. "O Acessa Escola é um programa que visa a ampliar a acessibilidade nas escolas e permitir a inclusão digital dos alunos. Não há nenhuma medida extra a esse objetivo dentro da proposta", esclareceu a assessoria. Ainda de acordo com a secretaria, o acesso aos computadores no novo regime de período integral será restrito aos estudantes da escola.

"O investimento em infra-estrutura é importante, mas sem o pedagógico ele perde sentido. O professor precisa desenvolver uma proposta pedagógica, interligar o uso do computador ao currículo, para que o período no laboratório não se torne apenas diversão. Os educadores têm de correr atrás de cursos, sites, comunidades, para trocar experiências e entrar na era digital. Mas é preciso, também, uma política pública que contemple esse enorme contigente de educadores que, ainda, são excluídos digitais", analisa Mary Grace Martins, professora e consultora do Portal EducaRede e animadora do Ponto de Encontro, portal de comunidades de NOVA ESCOLA ON-LINE .

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