Escola pública ou particular?

"Insatisfeita com o ensino privado, matriculei meus filhos em uma escola pública de qualidade"

POR:
Vanessa Cabral
Foto: Kriz Knack
ELES APRENDEM Exigente, família celebra o desempenho dos filhos na EE Brigadeiro Faria Lima. 
Foto: Kriz Knack

Depois que meus filhos, de 8 e 10 anos, passaram por várias escolas particulares que não nos satisfizeram, no Rio de Janeiro e em São Paulo, para onde nos mudamos, eu e meu ma­rido toma­mos uma decisão pouco provável para uma família de classe média. Optamos por matricular os meninos em uma instituição da rede estadual, a EE Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. A decisão se baseou na ideia de que as insituições públicas podem ser melhores que as privadas. Além disso, paga­mos impostos e a Educação pública está incluída no rol de serviços básicos a que todo cidadão tem direito. Por fim, pesou a favor da ideia acreditarmos que a atuação dos pais interfere na qualidade. A experiência de duas amigas, que também têm filhos em boas instituições públicas, fortalece minha tese.

Após as primeiras semanas de aula, em fevereiro deste ano, a cada dia eu ficava mais feliz ao ver os cadernos dos meninos. Finalmente, o Arthur, meu filho mais velho, no 5º ano, aprendeu a fazer contas de divisão. Nas lições de Língua Portuguesa, são usadas obras de bons autores nacionais, não best-sellers estrangeiros de qualidade duvidosa. E as crianças produzem muitos textos. A professora de Arte mostrou quadros de pintores importantes, como Pablo Picasso (1881-1973), apresentando referências da História da Arte para estimular a criação da garotada. "Vou fazer um retrato seu inspirado em Guernica", disse Arthur ao pai, que ficou surpreso. As atividades incluíram ainda um concerto na Sala São Paulo, umas das mais importante do país. A turma toda adorou, mesmo os considerados "indisciplinados". A visita aconteceu depois que a professora participou de uma formação oferecida pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) e elegeu a música como um tema de exercícios no ateliê. A biblioteca tem bons títulos e uma funcionária eficiente. Meus filhos e a turma deles visitam o acervo pelo menos uma vez por semana e escolhem um livro para ler em casa.

Na reunião de pais, programada para discutir a organização do material escolar, o método de ensino e a relação entre os alunos, vi um mito ser derrubado: o de que as famílias não participam da escola pública. Pais de diversas classes sociais têm condições de exigir qualidade e fazer isso na escola de seus filhos. Atendendo a um pedido, a escola agendou a reunião para um sábado de manhã, fora do horário de trabalho. O encontro serviu também para os professores apresentarem os conteúdos de sua disciplina. A de Língua Portuguesa, por exemplo, explicou qual era o objetivo de sua área no 5º ano: produção de texto. "É importante que aprendam a interpretar o que leem", ela disse. Também discutimos os problemas da escola, como a falta de brinquedos na área externa para as crianças usarem no intervalo e os casos de indisciplina, e os responsáveis presentes contribuíram com sugestões para tentar resolvê-los.

A reação dos meus amigos quando conto sobre a escolha pelo ensino público varia entre o espanto e a incredulidade. "Eles repetiram de ano?" e "Vocês estão sem dinheiro?" são perguntas recorrentes. Não. Trata-se de opção. E, sim, estou satisfeita. Se todos apostassem na escola pública, as estatísticas da Educação no país nos dariam melhores notícias.

Compartilhe este conteúdo:

Tags

Tags

Guias