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Ministro Haddad recebe pauta indígena de reivindicações

Em evento promovido pelo Unicef, adolescentes de 26 tribos entregam carta ao Ministro da Educação pedindo a criação de um núcleo federal de Educação Indígena

POR:
Carla soares Martin
O ministro Fernando Haddad e o secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), do Ministério da Educação, André Lázaro, recebem presentes dos jovens indígenas:nú cleofederal para cuidar da EducaçãoÍ ndigena Foto: Júlio César Paes
O ministro Fernando Haddad e o secretário de Educação 
Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), do 
Ministério da Educação, André Lázaro, recebem 
presentes dos jovens indígenas: núcleofederal 
para cuidar da Educação Índigena 
Foto: Júlio César Paes

Um grupo de 45 adolescentes e jovens indígenas, representantes de 26 etnias brasileiras, apresentou ontem ao Ministro da Educação, Fernando Haddad, propostas conjuntas para a melhoria da qualidade de vida da juventude em suas comunidades. A conversa entre eles aconteceu durante o 2º Encontro Nacional dos Povos das Florestas, que vai até o próximo domingo no Centro de Convenções de Brasília.

As sugestões estão em uma carta (leia aqui a versão preliminar) a ser entregue oficialmente ao governo pelo UNICEF - Fundo das Nações Unidas para a Infância - que promoveu o encontro dos jovens indígenas de 14 Estados brasileiros com os representantes do governo. Segundo o coordenador do Programa Cidadania dos Adolescentes do UNICEF no Brasil, Mário Volpi, o objetivo da iniciativa é garantir a participação desses jovens nas políticas públicas. Falar de inclusão cultural sem dar condições reais para que os adolescentes se reunam é um discurso vazio, justifica o coordenador. Mário Volpi destaca a dificuldade que eles teriam de se encontrar pela dificuldade de transporte e amplitude do território brasileiro.

A carta propõe formas de superação das dificuldades que os adolescentes indígenas enfrentam em Educação, Saúde, Geração de Renda e Trabalho, Território e Desenvolvimento e Cultura e Identidade.

Os jovens elogiam medidas como a educação bilíngüe nas escolas de diversas regiões brasileiras, mas pedem mais autonomia. Eles propõem a criação de um núcleo federal de Educação Indígena que administraria todos os recursos, do dinheiro destinado à merenda ao material didático. Nós conhecemos a nossa realidade e sabemos do que precisamos, dizem os adolescentes no texto. Esse núcleo seria ainda responsável pela criação de um cursinho pré-vestibular, para ajudar no ingresso dos adolescentes à universidade.

Reciprocidade 

Os jovens ressaltam que é preciso promover o ensino da cultura indígena na escola, tanto quanto ampliar o acesso dos alunos às outras culturas - com a instalação de computadores com internet nas tribos, por exemplo. Somente assim, segundo eles, seria possível promover uma verdadeira cultura de paz.

Para os adolescentes, o respeito às tradições e aos costumes indígenas, inclusive por parte da escola, ajuda a diminuir a violência e o uso de drogas. Geminiano Lopes, de 17 anos, da tribo dessano, do Alto Rio Negro, no Amazonas, conta que a combinação drogas-violência é o que mais o aflige na sua comunidade. É preciso criar um programa de conscientização, sugere o adolescente, batizado Tassoró (capim, gramado, segundo os pajés de sua tribo).
Em nome do Ministério da Educação, o secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, André Lázaro, considerou interessante a carta de reivindicações, mas afirmou que só vai emitir uma posição oficial quando receber o documento do Unicef. Os jovens também entregaram a carta de intenções ao Senado e ao secretário nacional da Juventude, Beto Cury.

Preparação 

Para elaborar o texto da proposta, o grupo indígena se reuniu durante os três dias que antecederam o encontro. Entre eles, partilharam dificuldades, pensaram em sugestões para a melhoria das condições relatadas e elaboraram o documento.

Com apoio do Unicef, os próprios jovens indígenas ficaram responsáveis pela coordenação do encontro com o ministro Haddad, tendo o Movimento de Estudantes Indígenas do Amazonas (MEIAM) à frente, e com a colaboração da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) e do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA). Os jovens escolhidos para representar as comunidades são protagonistas de lutas pelos direitos sociais em suas regiões. Agora, eles pretendem dar continuidade aos debates e multiplicar o que aprenderam quando voltarem às suas aldeias.

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