Meio crianças, meio adultos

As enormes mudanças vividas por esses meninos e meninas entram em classe com eles. Entenda o turbilhão pelo qual a turma passa

POR:
Tatiana Pinheiro
Reportagem sobre as mudanças comportamentais e físicas que os jovens do ensino fundamental 2 passam. Ilustração: Gabriel Lora

É comum a adolescência ser vista apenas como uma transição entre a infância e a vida adulta. Segundo a pesquisa, porém, considerar esse período somente como uma ponte entre o mundo infantil e a maioridade é limitante e pode induzir os docentes a enfatizar somente os aspectos negativos de seus alunos. O melhor caminho é encarálo como uma fase com significado próprio, importante para a construção da identidade do jovem.

Um aspecto primordial na relação entre professor e aluno adolescente é o respeito ao ritmo de amadurecimento de cada um. O corpo e a forma de ver o mundo, os outros e a si próprio se modificam sem respeitar uma sequência lógica ou linear (leia depoimentos analisados por especialistas). Cabe ao educador entender que a turma enfrenta um frenesi de sentimentos e que isso tem impacto em seu comportamento. Para facilitar a compreensão de quem é esse estudante, a pesquisa indicou os quatro pontos a seguir.

- Corpo em ebulição Na puberdade, que começa por volta dos 10 anos, o organismo de meninos e meninas começa a mudar sensivelmente. Em termos técnicos, é quando ocorre a maturação que permitirá a reprodução sexual. Os pelos surgem, os seios crescem, a voz muda, o desejo pelo outro aparece. Diante de um corpo diferente, o aluno pode sentir-se perdido e desconfortável.

- Mente a todo vapor Se antes, quando criança, a vida era uma sequência de ações seguidas de reações, visualizadas de forma concreta no dia a dia, agora, o que manda é o pensamento abstrato. O adolescente se torna capaz de raciocinar de forma mais elaborada, sem se limitar ao real. Divaga por possibilidades e, às vezes, se fecha em si mesmo para chegar a conclusões. Passa também a pensar de forma multidimensional, sendo capaz de interpretar um fato com base em vários pontos de vista. É por isso que desconfia de afirmações categóricas e não acredita em verdades absolutas.

- Emoções de todo o tipo É o momento também de o estudante formar parte importante de sua identidade. Com a capacidade mais sofisticada de pensar, elabora e reelabora a percepção de quem ele é e do que é capaz. Não por acaso, se permite vivenciar inúmeros papéis e experimenta toda a sorte de situações - de onde vem a noção de que esse período é perigoso. Surgem os alertas quanto às drogas e às doenças sexualmente transmissíveis, por exemplo.

- Meus amigos, minha vida A garotada dessa fase conversa, gesticula, se empurra, fala alto e brinca de todo o jeito para aproveitar ao máximo o tempo entre amigos. Estar com os pares adquire muita importância, mais do que o convívio com adultos. Os grupos deixam de ser só de meninos ou só de meninas, surgem as tribos, e o namoro ou o "ficar" assume papel de destaque nas relações. Neste contexto, a escola figura como um ponto de encontro, um lugar de aprender e de conhecer pessoas.

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