Classes hospitalares: ensino na saúde e também na doença

Crianças recebem tutoria para manter ritmo de aprendizado durante período de internação em hospital do Paraná

POR:
Luise Takashina
Na sala de aula ou no quarto, os pacientes continuam estudando. Foto: Marcelo Almeida
Parece a escola Na sala de aula ou no quarto, os pacientes continuam estudando

A pedagoga Carolina Domingues de Mattos, 32 anos, chega às 8 horas ao Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. Sua primeira tarefa no setor de Educação e Cultura - que acaba de completar 10 anos - é encher um carrinho com livros, lápis, tintas, pincéis, notebook e até um globo terrestre. Com todo esse aparato, ela sai pelos corredores para ensinar as crianças internadas.

"Aqui, o tempo e o espaço são diferentes. Nosso objetivo é o que podemos fazer hoje", explica. A equipe de 16 tutores, vinculados às Secretarias Municipal e Estadual de Educação, atende por ano cerca de 8,5 mil crianças e adolescentes, no próprio leito ou na sala do projeto.

Há pacientes que têm apenas um encontro com o professor porque recebem alta rapidamente. Mas também há os que jamais voltam para a escola. "Temos algumas despedidas", admite Carolina. Para lidar com situações como essa, os profissionais são acompanhados pelo Departamento de Psicologia.

A cada nova "matrícula", os educadores entram em contato com as escolas frequentadas pelos alunos e checam o que vai ser ensinado no período. Enquanto as informações oficiais sobre os conteúdos não chegam, eles mapeiam os interesses de cada um e trabalham temas de várias disciplinas dentro do que é indicado para aquela faixa etária. Tudo o que é feito vai para uma ficha de tutoria. No final da internação, esse parecer pode ser transformado em nota pela instituição de origem.

As aulas normalmente reúnem as crianças que estão em um mesmo quarto ou que vão até a sala de aula do setor pediátrico. Elas se mostram bastante entusiasmadas com a interação e, para aproveitar esse ânimo, a roda de conversa é utilizada com frequência. Nela, todos compartilham conhecimentos.

Por causa da condição física das crianças e dos adolescentes, a frequência não pode ser imposta, mas a aceitação às atividades é grande. "Acho bem legal estudar aqui", diz Daiana Wittmann, 9 anos, que se sente tranquila por manter o ritmo dos estudos. Colega dela nessa sala temporária, Lucas Alves, também de 9 anos, anima-se ao falar do vulcão de massa verde que fez. "Gosto de pesquisar sobre as placas tectônicas", conta.

O trabalho tem garantido a continuidade dos estudos e bons resultados. "A gente incentiva todos a serem participativos. Há crianças que saem daqui e passam a perguntar mais nas aulas regulares", comemora Carolina.

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