Pais são a favor da bonificação do professor por mérito

Pesquisa inédita do Instituto Fernand Braudel mostra que 82,9% dos pais aprovam meritocracia no magistério. Sistema deve ser implantado em São Paulo ainda neste semestre

POR:
Karina Yamamoto

Quando questionados sobre a validade de uma política de bonificação para os melhores professores de seus filhos, 696 dos 840 pais de alunos da rede pública estadual e municipal de São Paulo entrevistados em pesquisa realizada pelo Instituto Fernand Braudel em 2007 afirmaram concordar com a idéia - polêmica -, que deve entrar em vigor no Estado de São Paulo ainda no primeiro semestre de 2008.

A secretária estadual de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, vem anunciando desde que assumiu a pasta a intenção de promover a distruibuição de bônus aos profissionais das escolas que mais se destacam nas avalições de desempenho dos alunos (Leia a entrevista concedida pela secretária a VEJA, nas Páginas Amarelas). A bonificação, portanto, não seria individual. Professores e funcionários só receberiam o benefício se a escola toda for bem. Os critérios de avaliação para a definição exata dos bônus ainda estão sendo estudados, mas é certo que entram na lista os resultados do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) e indicadores como o tempo de permanência dos alunos em cada ciclo de ensino.

"Toda diversificação na análise de avaliação de desempenho do professor é positiva", avalia Fernando Almeida, professor da PUC-SP. "Acho que a opinião dos pais (apontada pela pesquisa do Instituto Fernand Braudel) revela muito do cotidiano das crianças na escola e ela tem de ser valorizada", completa o educador.

Já o presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Carlos Ramiro de Castro, questiona o estudo e a decisão do governo estadual em adotar novos critérios para a bonificação: "Qualquer entrevistado seria, em tese, a favor de premiar os melhores profissionais". Para o representante do sindicato, o governo deveria tratar de plano de carreira e aumentos salariais e não de bonificação.

Como o projeto ainda está em fase de detalhamento, sobram questões polêmicas. "Talvez esse novo sistema possa gerar dúvidas sobre a igualdade de acesso ao ensino", comenta o advogado Salomão Ximenes, que atua na ONG Ação Educativa. "O risco é provocar uma situação de diferenciação de qualidade de ensino entre as escolas e isso fere um direito constitucional".

Quer saber mais?

Consulte as propostas curriculares - detalhadas aula a aula - da Secretaria do Estado de São Paulo.

Confira a reportagem de capa de NOVA ESCOLA "Currículo, o norte para a aprendizagem". 

 

Compartilhe este conteúdo:

Tags

Guias