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Opções para apresentar a poesia às crianças

POR:
Anna Rachel Ferreira

Eu tenho uma questão pessoal com poesia. O primeiro livro de poemas que me lembro de ter lido por completo foi Libertinagem, de Manuel Bandeira (1886-1968), quando cursava o Ensino Médio. Não me recordo de muita coisa sobre os textos, só de que, na época, não gostei. Depois tentei outros autores, mas sempre ficava com a sensação de que os poetas só complicam as coisas simples por alguma razão desconhecida. A maneira rebuscada, exagerada e abstrata – na minha concepção – como eles se expressam me deixava irritada. E eu sempre acabava deixando a leitura de lado com a decepção de quem não compreendeu o que tentavam lhe dizer.

Até que um dia, um ser iluminado acrescentou o livro Memórias Inventadas – A Segunda Infância, de Manoel de Barros (1916-2014), à lista de um dos vestibulares que eu prestaria naquele ano. Nunca me esqueço do estranhamento ao pegar aquela caixinha de papelão que mais parecia um presente, criado especialmente para mim. Quando aberta, ela guardava páginas soltas, mas encaixadas e amarradas com um laço de fita cor de laranja. Era uma simplicidade tão bonita que me motivou a ter bastante cuidado ao tocá-la. Após soltar o laço, eu manuseei as folhas delicadamente e as espalhei na cama dos meus pais. Permaneci um breve momento ali admirando as letras e as ilustrações em um encantamento inebriante.

Tinha ficado toda animada quando a professora explicou sobre a sonoridade de Barros, de como as palavras formavam sons que criavam imagens na nossa cabeça e traziam sensações em nossos corpos. Então, comecei a ler em voz alta, imaginando as águas batendo nas pedras, sentindo a brisa no meu rosto, totalmente mergulhada naquele universo novo. Gostei tanto que fiz meu irmão – 5 anos mais novo que eu – sentar do meu lado, fechar os olhos e me ouvir ler alguns dos textos de prosa-poética – classificação dada àquela obra. Não sei dizer como se sentiu ou ainda se ele se lembra disso mas, para mim, foi um momento mágico e, por isso, inesquecível!

Ainda tenho minhas dificuldades com o gênero, mas fico pensando se não foi uma questão de ter sido apresentada a ele muito tarde ou de maneira incorreta. Não sei dizer com certeza. Mas, a lembrança desse meu momento com Manoel de Barros me é tão cara que acho um pecado que alguém passe pela vida sem ter uma experiência assim. Cheguei à conclusão de que, nesse caso, quanto antes puder viver isso, melhor.

Por essa razão, pedi para a Bruna Escaleira, colaboradora de NOVA ESCOLA, escritora e apaixonada por poesia, fazer uma lista com indicações de leitura para apresentar os poemas às crianças. Confira os comentários dela!

Poesia Fora da Estante – Volume 2
(org. Vera Aguiar, Simone Assumpção e Sissa Jacoby, 112 págs., Ed. Projeto, tel.: 51/3346-1258, 28 reais)
Além de ser muito bem amarrada, guardo um carinho especial por essa coletânea. Foi o livro que me apresentou à poesia – pra nunca mais nos separarmos! Os poemas cuidadosamente escolhidos, de autores renomados ou pouco conhecidos, vão mostrando que poesia é uma brincadeira fácil e surpreendente.

 

Ou Isto ou Aquilo
(Cecília Meireles, 66págs., Ed. Global, tel.: 11/3277-7999, 39 reais)
Um clássico da literatura infantil! A trivialidade da temática escolhida por Cecília faz com que a obra seja sempre atual. A sutileza da sonoridade cativa os pequenos desde o primeiro verso.

 

Exercícios de Ser Criança
(Manoel de Barros, 48 págs., Ed. Salamandra, tel.: 11/2790-1300, 39 reais)
Nunca é cedo para desconstruir conceitos. Com Manoel, os pequenos aprendem que poesia não é só verso e rima – e pode estar em qualquer canto do quintal!

 

O Bicho e o Alfabeto
(Paulo Leminski, 72 págs., Ed. Cia das Letrinhas, tel.: 11/3707-3500, 39 reais)
Uma leitura leve e com humor inteligente. Nesse livro para crianças, o ar brincalhão do Leminski “adulto” ganha ainda mais ternura.

 

Berimbau e outros poemas
(Manuel Bandeira, 64 págs., Ed. Global, tel.: 11/3277-7999, 35 reais)
O poeta que falou tanto da sua infância quando adulto não podia ficar de fora das prateleiras dos pequenos. As ilustrações aproximam ainda mais os famosos poemas do cotidiano das crianças de hoje.

 

Cultura
(Arnaldo Antunes, 48 págs., Ed. Iluminuras, tel.: 11/3031-6161, 38 reais)
Mais um adulto que não esqueceu como é ser criança. Ou será uma criança que aprendeu a ser adulto? De qualquer maneira, vale a pena ler as “sacadas” dignas de quem está começando a descobrir o mundo!

Para finalizar, a Bruna também nos sugeriu o site Capparelli, repleto de poesias. O responsável é o poeta Sergio Capparelli, um dos autores que têm mais produção para crianças e adolescentes. No site, a poesia sai das páginas e invade as telas já tão presentes no dia a dia dos pequenos. Para acessá-lo, clique aqui!

Espero que tenham gostado da pequena incursão pelo mundo da poesia. Agora, me conta…Você tem lido poesia para as crianças? Como é sua relação com esse gênero? Escreva aqui nos comentários! ;)

Até o próximo post!

Anna Rachel

 

 

 

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