Com aulas de nutrição, escola paulista torna as aulas de Matemática mais saborosas

Conceitos básicos de nutrição e mudanças de hábito alimentar ajudam alunos a compreender álgebra e estatística

POR:
Débora Didonê

Os alunos de 6ª a 9ª série da Escola Carlitos, em São Paulo, já vão para o hora do recreio sabendo quais alimentos da cantina oferecem os nutrientes necessários para uma refeição equilibrada. Com o cálculo do valor calórico - ou seja, da quantidade de energia - de cada alimento, eles compreendem melhor o próprio desenvolvimento físico. A escola leva em frente o projeto que une álgebra, estatística e nutrição desde o segundo semestre de 2005.O objetivo é facilitar a interpretação de fórmulas matemáticas. "Por isso, explicamos para que serve cada nutriente, o que é carboidrato, proteína e outros conceitos básicos de nutrição", diz Adriana Martins de Lima, a nutricionista responsável pelo projeto.

Durante um mês, o cardápio da escola passou por uma reformulação, aprovada pelos estudantes. "Eles degustaram cada alimento e votaram no que acharam mais saboroso", conta Adriana. Palestras sobre alimentação saudável e a energia que o corpo precisa para crescer também fizeram parte do projeto. Além disso, os alunos passaram por uma avaliação que incluiu a medição de peso e altura de cada um. Ao fim de cada trimestre, a avaliação vai se repetir e eles vão aprender a ler e interpretar gráficos antropométricos (isto é, que contêm medidas do corpo humano).

O cardápio da álgebra

Para o estudo da álgebra, Regina Albanese, professora de Matemática da escola, baseia-se em dados de Índice de Massa Corporal (IMC), que representa a relação entre a massa e a altura de uma pessoa. "Ela pode ser expressa pela fórmula IMC = m/h2 (onde "m" é a massa e "h", a altura) -, pela equação de segundo grau h2.IMC-m = 0 ou por um número irracional (que pode ser representado pela divisão entre dois números decimais)", explica. "Os alunos trabalham com os valores coletados na avaliação física." Assim, as crianças comparam a massa e a altura do próprio corpo.

Quando o projeto contar com um extenso banco de dados, estudantes do 9º ano já podem trabalhar com função, conceito geralmente trabalhado apenas no Ensino Médio. "A função é a comparação de duas grandezas que dependem uma da outra, como ocorre no IMC", explica Regina. "Num determinado período da vida, o jovem pára de crescer, mas sua massa corporal varia". diz. "Assim, ele percebe a mudança do corpo ao longo do tempo por meio de um gráfico." Antes disso, os alunos já tinham boas noções de função adquiridas no período de 2º a 5º série, quando participaram de atividades com caderno quadriculado e jogos do tipo batalha naval. Segundo a professora, as brincadeiras dão as primeiras noções do estudo de gráficos cartesianos e funções.

Conceitos de estatística

A estatística é estudada com a análise dos gráficos das crianças. Por exemplo, os pontos de um gráfico podem representar o IMC de todos os alunos. Se estiverem muito juntos, indicam que o IMC do grupo é parecido. É uma maneira fácil de as crianças entenderem o significado de variância, que se faz representar por uma fórmula complexa. "Estudar estatística não é decorar fórmulas", diz Regina. "Aqui os alunos não fazem cálculos; aprendem conceitos."

Matemática e cotidiano

Segundo Adrilayne dos Reis Araújo, orientadora do projeto, nem sempre as crianças terão uma noção exata dos conceitos de estatística, mas compreenderão o funcionamento. "A matemática se torna fácil quando é associada a algo prático", diz. Alunos de 2ª a 5ª série, embora já tenham apreendido o que é carboidrato e proteína, absorvem melhor a idéia de variância por meio de brincadeiras. Num jogo de queimada, eles descobrem se é melhor uma equipe ficar dispersa ou amontoada na quadra para não ser atingida pela bola dos adversários. "Quanto antes perceberem esse conceito, melhor", completa a professora.

Quer saber mais?

Escola Carlitos


Centro de Educação Matemática (CEM)


Matemática do Cotidiano & suas Conexões, em 4 volumes, Bigode & Gimenez, Ed. FTD, tel. (11) 3253-5011, São Paulo, 2005. 

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