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Do livro ao recital: projetos estimulam a leitura

Ouvir histórias, para depois escrevê-las e declamá-las, é um ótimo jeito de melhorar a leitura e a oralidade

por:
RB
Roberta Bencini

O processo de alfabetização, é grande o número de fracassos causados por dificuldades no desenvolvimento das linguagens oral e escrita. Com o objetivo de remover esse obstáculo, professores do Pará e do Acre resolveram estimular a leitura e a oralidade utilizando poesias e contos populares. "A criança que lê e fala bem desperta o gosto pelos livros e melhora a relação com a língua formal", explica Heloísa Cerri Ramos, consultora pedagógica de NOVA ESCOLA.

O trabalho, feito no ano passado com as turmas de Educação Infantil, 1ª e 2ª séries, envolveu poemas infantis para despertar a sensibilidade e construir a base alfabética. "Fomos além do conteúdo", conta Lucivana. Como os textos eram curtos e fáceis de memorizar, serviram também para melhorar a oralidade. Todos os dias as professoras liam um trecho em classe. Com isso, despertaram o interesse da criançada para a declamação. Depois de ter contato com diferentes estruturas, cada aluno escolheu um poema e ficou encarregado de memorizá-lo. Graças a um gravador, todos perceberam o que erraram e aprenderam mais sobre entonação e gestos. Poetas locais foram convidados a demonstrar técnicas de recitação.

Quatro escolas se envolveram no projeto, que teve o apoio do Programa Escola Que Vale, parceria da Fundação Vale do Rio Doce e do Centro de Estudos e Documentação para a Ação Comunitária. "Existe um mito de que é difícil trabalhar poesia com os pequenos", diz Francineide Bezerra Monteiro, coordenadora local do programa até o ano passado. "Percebemos que o sucesso é só uma questão de oportunidade."

No caso, o sucesso foi tão grande que culminou com uma apresentação na praça principal. Os textos preferidos de cada turma foram reunidos em livro e, no dia do espetáculo, cerca de 300 alunos saíram pelas ruas entregando ímãs de geladeira com os poemas ilustrados. Enquanto isso, um carro de som tocava um CD com declamações convidando para o evento. "Conseguimos movimentar a cidade e promover o contato com a arte", festeja Lucivana.

Contadores de histórias

No lugar das poesias, a Escola Municipal São Francisco de Assis I, em Rio Branco, usou os contos populares. Lá estudam filhos de ex-seringueiros que ganhavam a vida extraindo látex nas matas do Acre. Por isso, os professores queriam que os alunos se transformassem em contadores de histórias, perpetuando a cultura do seringal, e, ao mesmo tempo, aprendessem a se expressar e relatar experiências. "Falando para a classe, eles se soltaram, entoaram melhor as palavras e liberaram os movimentos", explica o diretor Francisco Hipólito de Araújo Neto. "E ainda passaram a valorizar a história dos pais."

O primeiro passo foi uma lição de casa: pesquisar lendas populares contadas por parentes. Reis, bruxas, fazendeiros, índios, bichos da floresta, seringais e castanheiras invadiram a sala de aula. Todos contaram sua história e, enquanto um falava, os demais desenhavam o "causo". "Saber ouvir é outra competência a ser explorada na escola", defende a consultora Heloísa. A garotada se soltou, fazendo caras e bocas para interpretar personagens. Também usaram gírias e pronúncias pouco convencionais.

O envolvimento da comunidade deu-se em duas ocasiões. Primeiro, as crianças visitaram duas contadoras de histórias, a mãe e a avó da aluna Ana Kássia Pereira da Silva. Depois foi a vez dos artistas locais. Um deles, o cabeleireiro e artesão Raimundo Medeiros da Silva, o Ray, mostrou como entalhar madeira e fazer arte com objetos da natureza, para provar que todos podemos ser artistas. Quatro histórias viraram livros, publicados pela Universidade Federal do Acre. "O melhor foi ver os alunos mais participativos e autoconfiantes", diz Eunice.

Quer trabalhar poemas em sala?

? Use obras dedicadas à poesia, não livros didáticos.

? Leve diferentes tipos de textos com e sem rima, com repetição de palavras etc.

? Organize pastas do projeto para que cada aluno tenha uma cópia das poesias.

? Ensine a declamar com entonação, pausas e ritmo.

? Use um gravador para registrar as declamações e pergunte aos alunos o que eles podem melhorar.

? Mostre os livros de onde as poesias foram retiradas e se possível, deixe-os expostos.

? Estimule a turma a dar opiniões sobre os textos. Faça um painel no quadro-negro com espaço para o nome do livro, a poesia e os comentários.

? Convide um poeta da comunidade para visitar a escola.

Quer saber mais?

Escola Municipal Eurides Santana, R. Duque de Caxias, Qd. Especial, CEP 68515-000, Parauapebas, PA, tel. (0 _ _ 91) 346-1694

Escola de Ensino Fundamental São Francisco de Assis I, R. São Sebastião, 374, CEP 69914-400, Rio Branco, AC, tel. (0 _ _ 68) 227-4455

BIBLIOGRAFIA
Poemas para Brincar, José Paulo Paes, 20 págs., Ed. Ática, tel. (0_ _11) 3346-3346, 13,90 reais

Ou Isto ou Aquilo, Cecília Meireles, 72 págs., Ed. Nova Fronteira, tel. (0_ _21) 537-8770, 23 reais

A Arca de Noé, Vinícius de Moraes, 88 págs., Ed. Companhia das Letras, tel. 0800-142829, 13,50 reais

Trabalhando com Poesia, vols. 1 e 2, Alda Beraldo, Ed. Ática, 9,90 reais cada um 

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