As escolas literárias do Brasil coincidem com as europeias?

S.O.S. Português

POR:
Rita Trevisan, NOVA ESCOLA, Bruna Nicolielo

Pergunta enviada por Vitor Antônio de Lima, Cruzeiro, SP

De modo geral, sim, mas há diferenças temporais, ideológicas e, algumas vezes, de nomenclatura.

Até o fim século 19, o Brasil basicamente importou os modelos literários europeus. Durante o período colonial, essas referências eram portuguesas e, desde a Independência até o fim do século 19, passaram a ser francesas. Na Europa, por exemplo, no século 18, houve um reflorescimento da arte clássica, que se contrapunha ao barroco. Por isso, na maior parte do Velho Mundo, esse período é chamado de neoclassicismo.

No Brasil, no entanto, ele corresponde ao arcadismo, que se desenvolveu entre os poetas inconfidentes no século 18. Mas o arcadismo era apenas uma das manifestações da literatura neoclássica. Nossa poesia neoclássica se revestiu de características árcades, mas foi além dessa corrente. As diferenças ideológicas estão muito relacionadas ao contexto de cada país.

Na Europa, o romantismo iniciou-se na Inglaterra e na Alemanha, nas três últimas décadas do século 18, e foi influenciado pelo iluminismo. Nesse momento, os escritores brasileiros ainda cultivavam a literatura árcade, mas já bebiam nas ideias liberais do filósofo Rousseau (1712-1778), por exemplo.

O nosso romantismo começaria décadas mais tarde, em 1836, quando o Brasil pós-Independência buscava uma literatura que fosse a expressão da nação recém-formada. Se, na Europa, o contexto do romantismo era a queda do Antigo Regime e a ascensão da burguesia, no Brasil era a Independência e o fim do colonialismo. Por essa razão, é importante, no estudo da literatura, analisar também o aspecto histórico.


Consultoria William Roberto Cereja, professor e autor de livros didáticos.

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