As duas faces de um texto

Alunos de 4ª e 5ª séries participaram de oficinas de aprimoramento e receberam a tarefa de reescrever suas obras, que concorrem a um prêmio nacional. Veja o resultado em três gêneros literários: poesia, memória e opinião

POR:
Débora Didonê

Os 27 alunos de 4a e 5a séries de escolas públicas paulistas que participaram do concurso Escrevendo o Futuro, promovido pela Fundação Itaú Social, prepararam-se durante dois dias para reescrever seus textos e concorrer à final, em novembro, que premiará três brasileirinhos - nas categorias poesia, memória e opinião - com uma bolsa para o Ensino Superior. Ao mesmo tempo, seus professores de classe e de Língua Portuguesa receberam orientações sobre recursos de linguagem indispensáveis para cada gênero trabalhado e foram preparados para ajudar os alunos a reescrever o texto com um novo olhar.

Integrantes do grupo de jurados do concurso selecionaram três textos que sofreram alterações significativas para que você veja como os recursos de cada texto podem ser melhor empregados.


No Baú de Recordações, texto de memória, a aluna Lucimere da Silva Sá, da Escola Estadual Jamil Abrahão Saad, de Cordeirópolis, e sua professora de Língua Portuguesa Edinéia Rodrigues Simões Diório, preocuparam-se em complementar idéias, detalhar a descrição de cenários, reforçar as atitudes de personagens e transformar tempos verbais. "Este processo dá mais independência para que a aluna faça modificações futuras e se aproprie de recursos da língua", observa Maria Imaculada Pereira, professora de Português no Ensino Médio da rede pública e integrante do Cenpec - Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária.


No gênero de poesia, a aluna Maria Cristina Mitterhoffer Monteiro, da Escola Estadual Ivan Brasil, de Guararema, e seu professor de Língua Portuguesa Samuel Moreira Machado trocaram o título mais óbvio, que era o nome da própria cidade - "o lugar onde vivo" é o tema do concurso - por Encantos que Encantam. Além disso, eliminaram estrofes com informações repetidas e mudaram a seqüência para melhorar o encadeamento, nome dado ao recurso utilizado na poesia quando a rima de uma estrofe aparece na estrofe seguinte.


O que fazer para que o futuro seja melhor que o presente? foi o segundo título dado ao artigo de opinião da aluna Isabella Fagalde Costa, da Escola Municipal de Ensino Básico Helena Zanfelici da Silva, em São Bernardo do Campo, com a ajuda da professora Adriana Battistini Conti, da 4a série. A pequena autora também mudou a ordem de alguns parágrafos para dar mais fluência ao texto, cortou uma frase desnecessária e fortaleceu argumentos com mais informações. Segundo Maria Imaculada, as orientações ajudam o aluno a pensar melhor no que escreve. "Nesta idade, eles acham que tudo o que escrevem está claríssimo", diz. "Cabe ao professor fazer perguntas", completa. Usar a palavra mais exata, a pontuação correta ou a objetividade na hora de defender um ponto de vista são alguns dos elementos básicos.


Os alunos acima não foram selecionados para a final do concurso, mas tiveram um crescimento nos textos. Deste grupo de 27 alunos, vão para a final Yasmim Conceição Alves, de Franco da Rocha, no gênero de poesia; Ana Laura de Queiroz Sá, de Bauru, no de opinião; e Letícia Valquíria Ribeiro Silva, de Pedranópolis, no de memórias.

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