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Impressões pessoais sobre “À Noite Andamos em Círculos”, de Daniel Alarcón

POR:
Anna Rachel Ferreira

Ouvi falar pela primeira vez do livro À Noite Andamos em Círculos acompanhando as notícias sobre a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) do ano passado. Assisti, pela internet, ao debate do autor Daniel Alarcón com a atriz e escritora Fernanda Torres que, na verdade, foi praticamente um talk show bem animado sobre existencialismo e experiências de escrita. Achei o moço simpático e, quando li a sinopse do livro, fiquei animada.

Descobri que a narrativa discorria sobre os bastidores da turnê de uma trupe teatral no interior de um país latino-americano. A arte que fala da arte sempre me atrai bastante. E essa publicação ainda tinha o plus de tratar especificamente sobre teatro, linguagem que estudo. Comprei o livro na mesma época. Mas, por uma dessas razões que a gente nem sabe explicar direito, fui deixando a leitura para depois. Nesse lenga-lenga, foi-se um ano. Quando me deparei com o título na minha estante, mais ou menos há um mês, decidi que era o momento dele.

Na obra, acompanhamos a história de Nelson, um ator recém-formado de 20 e poucos anos. Nascido em um país andino não identificado, ele sempre sonhou em viver nos Estados Unidos com seu irmão. Em determinado momento, Nelson termina o relacionamento com a namorada Ixta e se prepara para a tão almejada partida. Só que, bem nesse período, o pai dele morre e o ator se vê incapaz de deixar a mãe sozinha. Pouco tempo depois, porém, surge a oportunidade de participar da peça O Presidente Idiota, a qual já havia lido diversas vezes. A companhia Diciembre, já extinta, decide retornar à ativa e remontar o texto. Só falta um intérprete para completar a montagem. Assim, Nelson segue viagem com os atores Henry e Patalarga às províncias.

Aqui vale um parêntese: como leitora, assumi imediatamente que o tal país era o Peru, visto que Alarcón é um peruano radicado nos EUA. Mas, após ler algumas entrevistas sobre o livro, percebi que se tratava de um Peru muito particular do autor, que não tem tanto compromisso com a realidade. Claro que isso não fez diferença para a leitura, mas foi ótimo para eu não cometer gafes ao comentar com alguém sobre a obra.

De volta à leitura… Comecei a me empenhar na missão de descobrir quem era o narrador. No início, não prestei atenção nele. De repente, vi que ele tinha uma voz ativa. Foi quando me dei conta de que precisava saber o que ele estava fazendo ali – além de me contar a saga do protagonista, é claro! No meio do caminho, o narrador parecia ter algo a ver com os personagens. Uma relação que ultrapassava a simples observação. Engraçado que, como a relação não era clara, eu tendia a acreditar que estava lendo errado e relia alguns trechos. Ao concluir o livro, enfim, descobri que não estava com problemas de compreensão de texto. Bom saber! :)

A história apresentada parece o tempo todo cooperar para que eu, leitora, pense no quanto eu existo com base no outro e o quanto em mim mesma. Isso fica bastante claro na figura de Nelson, que se enxerga em tantos e vê outros tantos nele mesmo que faz você se perguntar quem ele é de fato. Apesar dos meus questionamentos e releituras de trechos, a narrativa é bem amarrada e deixa o leitor intrigado – o que, para mim, é uma qualidade. As peças vão se encaixando e, pouco a pouco, a história se monta na sua frente. Confesso que fiquei com indagações para o momento pós-leitura. Não do texto em si, mas do que trouxe para mim como pessoa. Para algumas eu tirei conclusões que podem mudar a qualquer momento; outras eu deixei para pensar mais tarde. A única certeza é que eu recomendo a leitura!

À Noite Andamos em Círculos, Daniel Alarcón, 320 págs., Ed. Objetiva, tel. (21) 2199-7824, 39,90 reais

Agora quero ouvir você! Qual foi o último livro que leu? Conte sua experiência aqui nos comentários.

Até o próximo post!


Anna Rachel

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