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Verbos no imperativo em receitas e manuais em inglês

Na língua inglesa, o uso de textos instrucionais é o melhor caminho para levar os estudantes a entender esse tipo de conjugação

por:
BS
Beatriz Santomauro
BN
Bruna Nicolielo
Escrita de receitas. Foto: Fábio Conterno
ESCRITA DE RECEITAS No Colégio Bom
Jesus, em Palmas, a professora Claudia
sugeriu a pesquisa de receitas em inglês
e português - essas últimas reescritas
na língua estrangeira. Depois disso, os
alunos redigiram receitas em inglês e,
por fim, publicaram as produções em
um blog, o que permitiu socializar
o trabalho

Textos instrucionais - as receitas e os manuais, por exemplo - são ideais para ensinar estruturas gramaticais importantes, como os verbos no imperativo. Usada para dar comandos e orientações, essa conjugação é formada com o infinitivo sem o "to" para todas as pessoas, exceto a primeira do plural, que usa o auxiliar "let us" (ou "let's") no inglês. Na forma negativa, acrescenta-se o "do not" (ou "don?t") e "let us not" ou ("let?s not").

O imperativo merece atenção sobretudo porque é bastante comum na vida cotidiana. Dessa forma, se torna fácil para os alunos compreendê-lo dentro de situações reais de uso do idioma - o que é desejável no ensino de todos os conteúdos de língua estrangeira. Os textos de receitas, de manuais e de placas requerem verbos no imperativo porque descrevem tarefas a seguir. "Ao trabalhar esse tempo verbal em classe, deve-se atentar para essa função", explica Deise Prina Dutra, formadora de professores de Língua Estrangeira na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Assim como em Língua Portuguesa, não se deve pedir que a turma conjugue verbos para dominar o conteúdo. Ler e produzir textos que contenham orientações a seguir para a realização de um trabalho - o que inclui o uso dos verbos e vários outros aspectos da língua, como pronomes e advérbios - é o recomendado. "Não é de uma hora para a outra que os estudantes aprendem. Eles precisam enfrentar situações como essas de forma sistemática para usar a língua de verdade", ressalta a professora Sandra Baumel Durazzo, selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.

Leitura, escrita e diálogos para entender o imperativo

Visando estimular os alunos a usar esse tempo verbal com propriedade, Ariane Ferreira Barros, professora do 9º ano do Sesi, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, propôs que eles lessem e escrevessem textos que trouxessem os imperativos em diversas situações. Para isso, mostrou uma série de exemplos. Neles, apareciam diferentes estruturas, e não apenas imperativos, o que permitiu a ampliação do repertório dos estudantes.

Isso foi importante para resolver um dos maiores problemas da turma: traduzir palavras do português para o inglês ao pé da letra, sem utilizar as expressões próprias dessa língua. Na execução das tarefas, a moçada teve de mobilizar diversos conhecimentos, incluindo os verbos no imperativo aprendidos no 7º ano e retomados naquele momento de forma mais aprofundada.

O trabalho da professora prevê que os alunos usem o inglês em situações que simulem atividades reais. E dessa vez não foi diferente. Lendo receitas, identificando a presença de verbos no imperativo e a regularidade de sua posição nos textos (sempre no início das frases), os estudantes compreenderam a objetividade da linguagem usada nas receitas. A próxima etapa do trabalho foi a discussão e a escrita de textos que orientariam uma simulação de diálogo num restaurante para que desenvolvessem também a oralidade: "come in, sir" (entre, senhor), "take your place, please" (ocupe seu lugar, por favor) ou "wait a minute, please" (espere um momento, por favor). Desse modo, Ariane mostrou situações em que os imperativos podem aparecer, além das trabalhadas anteriormente.

Textos de diferentes gêneros e cada vez mais complexos

Garantir o acesso a vários tipos de texto instrucional é fundamental para um bom trabalho com verbos no imperativo. Essa foi uma preocupação de Claudia Regina Bonotto, professora de inglês do Colégio Bom Jesus, em Palmas, a 380 quilômetros de Curitiba. O primeiro contato que sua turma da 7ª série teve com os verbos no imperativo foi em um projeto que incluiu placas, manuais e receitas culinárias. A intenção da educadora foi aproveitar os gêneros, que utilizam esse tempo verbal de forma recorrente, para explorar sua estrutura, além de fazer com que a garotada ampliasse seu vocabulário, a fluência na língua e a vivência em situações comuns socialmente.

Claudia procurou fazer com que o trabalho fosse se aprofundando em cada etapa. "As atividades de leitura e escrita com verbos no imperativo devem ser realizadas durante os quatro anos finais do Ensino Fundamental com nível de dificuldade crescente", afirma. Pensando nisso, ela usou em classe textos cada vez mais desafiadores. Inicialmente, eles tinham frases curtas e vocabulário simples, mas foram ganhando estruturas gramaticais mais elaboradas e um maior repertório de palavras e expressões. O primeiro gênero explorado por ela foi as placas de aviso. A garotada leu algumas, levadas para a classe por Claudia, e discutiu sobre o seu conteúdo. Em seguida, redigiu suas próprias indicações, com regras de convivência na escola que ficaram expostas na sala. Num segundo momento, os jovens estudaram os manuais de instrução, que explicavam o funcionamento de equipamentos eletroeletrônicos. A tarefa era ler o texto somente em inglês e manusear os aparelhos de acordo com as orientações ali contidas.

A última etapa envolveu a leitura e a escrita de receitas. As crianças pesquisaram na internet exemplos simples, em português e inglês, e escolheram uma para trabalhar em classe. Cada aluno elegeu a que preferia e traduziu seus ingredientes, assim como o modo de preparo, para o inglês. Numa roda de leitura, todos apresentaram suas produções. Os textos foram publicados no blog da instituição, o que permitiu socializar o trabalho com a comunidade escolar.

Dica da colega

"Para introduzir os imperativos, peço que a turma liste em inglês as regras da sala. Com base nas respostas dadas ("Speak English in classroom" [Fale em inglês na classe], por exemplo), que nem sempre são construídas da forma correta, discutimos o uso dessa conjugação verbal. Em seguida, apresento textos instrucionais."

Thânitha de Medeiros, professora da EM Setor Grajaú, em Goiânia.

Quer saber mais?

CONTATOS
Colégio Bom Jesus, tel. (46) 3262-1131
Deise Prina Dutra
Denise Nunes Kobara
Sandra Baumel Durazzo
Sesi, tel. (11) 4183-7366

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