Ir para o conteúdo Pular para o menú principal
ANÚNCIO
Você sabia que é possível salvar matérias para ler mais tarde? Use o botão icone ler mais tarde Ler mais tarde
icone menu

O que ensinar em Língua Estrangeira do 6º ao 9º ano

O ensino de inglês ou de espanhol deve ser focado em situações reais de uso da língua e levar os jovens a conhecer outras culturas

por:
EF
Elisângela Fernandes
Fotos: Paulo Vitale
Fotos: Paulo Vitale

A motivação é muito importante para o aprendizado de qualquer língua estrangeira. A contextualização das informações é essencial para tornar o conhecimento efetivo e significativo. Muitas aulas, no entanto, ainda estão presas aos exercícios gramaticais. O desafio é aproximar o idioma estudado da realidade dos alunos, levando a uma nova percepção da natureza da linguagem e de como ela funciona.

"A língua estrangeira deve ser um meio de aproximar o aluno de outras culturas", defende Fátima Aparecida Teves Cabral Bruno, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). "No que se refere ao espanhol, o aluno pode conhecer, até o fim do 9º ano, alguns usos sociais do idioma, como se apresentar, e travar uma conversação básica", explica (conheça as expectativas de aprendizagem). A internet, de acordo com Fátima, facilitou o contato com outras culturas e a garotada tem acesso ao espanhol em sites de notícias, por exemplo.



O uso da língua deve vir antes da sistematização de regras

Entre as línguas estrangeiras contemporâneas, o inglês é a hegemônica, dando acesso à ciência e à tecnologia modernas, à comunicação intercultural e ao mundo dos negócios. Maria Antonieta Celani, coordenadora do Programa de Formação Contínua do Professor de Inglês da Associação Cultura Inglesa São Paulo, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), explica que um ensino eficiente deve prever, em primeiro lugar, atividades comunicativas que tenham significado para os alunos e sejam do interesse deles (leia a proposta de plano plurianual para a área). "Só então o professor deve sistematizar informações relativas à estrutura da língua, se for necessário."

Com uma formação inicial muito focada no ensino das regras gramaticais, o professor costuma encher o quadro-negro com conteúdos e pedir que os alunos os copiem no caderno. "É uma atividade mecânica que nada representa para os jovens", afirma Antonieta. Transformar esse uso mecânico do inglês em funcional deve ser o grande objetivo dos professores também na opinião de José Olavo de Amorim, coordenador de Língua Inglesa e Assuntos Internacionais do Colégio Bandeirantes, em São Paulo. Para isso, ele sugere atividades que confiram autenticidade ao aprendizado da língua, como a leitura e depois a escrita de sites e blogs. "Lidando com assuntos de seu interesse, os jovens se envolvem e aumentam o domínio do novo idioma com rapidez."

Veja a seguir quatro situações didáticas essenciais para o ensino de Língua Estrangeira do 6º ao 9º ano.

1. Leitura e audição para a classe

Fotos: Paulo Vitale
AUDIÇÃO E USO SOCIAL Músicas e sites internacionais ajudam a entender a lógica e os empregos da língua. Fotos: Paulo Vitale

O que é Leitura de textos e audição de músicas, diálogos, entrevistas, filmes, desenhos, documentários etc. (leia a sequência didática).

Quando propor Em todas as aulas.

O que o aluno aprende A se acostumar com a sonoridade e a estrutura da língua, o que é fundamental para reproduzi-la por escrito e oralmente.

Como propor Solicitando, por exemplo, a compreensão de uma notícia de jornal. A antecipação da interpretação por meio de imagens que acompanham o texto facilita o entendimento.

2. Uso social da língua

O que é Empregar diferentes recursos para entender as práticas sociais de leitura e escrita - como seguir as instruções de um videogame - e estimular a participação nelas.

Quando propor Em todas as aulas.

O que o aluno aprende A sensibilizar para a existência de outras línguas e perceber que muitas palavras estrangeiras estão presentes no cotidiano. Aprende também a usar a linguagem formal e a coloquial, bem como gírias e expressões idiomáticas, conforme a situação.

Como propor Utilize palavras e expressões estrangeiras incorporadas ao dia a dia e reproduza situações em que os jovens tenham de lidar com o idioma - na audição de músicas e ao usar programas de computadores, por exemplo.

3. Produção de textos

Fotos: Paulo Vitale e Kriz Knack
TEXTOS E ORALIDADE Trabalhar a escrita e usar a língua estrangeira nas aulas ajuda na aquisição de autonomia. Fotos: Paulo Vitale e Kriz Knack

O que é Escrita com autonomia crescente de textos de gêneros discursivos, incluindo obras literárias adaptadas, revistas teen etc.

Quando propor Em todas as aulas.

O que o aluno aprende De acordo com os gêneros trabalhados, a adquirir a capacidade de compor situações semelhantes e revisar textos, além de ampliar o vocabulário. Além disso, passa a se comunicar utilizando cada vez mais detalhes de descrição, o que melhora sua competência linguística e comunicativa.

Como propor Você pode sugerir a utilização de pôsteres ou outras peças publicitárias como base para a elaboração de materiais similares. O trabalho pode ser feito em duplas e em grupos.

4. Comunicação oral

O que é Utilizar a língua estrangeira que está sendo ensinada nos momentos de comunicação em sala de aula.

Quando propor Em todas as situações.

O que o aluno aprende A aplicar na prática o que está aprendendo. Com base nisso, supera a inibição natural, ganha desenvoltura e percebe que o aprendizado se dá por tentativa e erro.

Como propor Para gerar expectativas sobre o conteúdo a ser desenvolvido, o ideal é apresentar o ponto de partida de cada aula. Em seguida, é produtivo promover o diálogo, incentivar os cumprimentos ao entrar em sala e ao término da aula e pedir que os estudantes falem sobre o cotidiano. O que todos fizeram no fim de semana? Alguém foi ao cinema? Viram quais filmes? Assistiram a algum reportagem na TV sobre um fato em evidência na mídia? Para despertar a curiosidade, é importante fazer uma análise das necessidades e dos desejos de aprendizagem deles e satisfazer as que se encaixarem no planejamento, sempre lembrando o uso de recursos audiovisuais para evitar fazer traduções.

Quer saber mais?

CONTATOS
Celina Fernandes
Fátima Aparecida Teves Cabral Bruno
José Olavo de Amorim
Maria Antonieta Celani

BIBLIOGRAFIA
A Formação do Professor como um Profissional Crítico - Linguagem e Reflexão
, Maria Cecília C. Magalhães (org.), 200 págs., Ed. Mercado de Letras, tel. (19) 3241-7514, 48 reais
Reflexão e Ações no Ensino-Aprendizagem de Línguas, Leila Barbara e Rosinda C. G. Ramos (orgs.), 288 págs., Ed.Mercado de Letras, 58 reais

ANÚNCIO
LEIA MAIS