Geografia e História ganham vida e a cidade, um atlas

Ao mapear o espaço em que vivem, os alunos da professora Ivone redescobriram Londrina, no Paraná, e deram um presente inédito para o município. Acompanhe seus passos

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NOVA ESCOLA
Foto: Massao Goto Filho
Foto: Masao Goto Filho

No dia em que a professora Ivone Baioni Garcia, do Colégio Estadual Vicente Rijo, em Londrina (PR), convidou as turmas de 5ª e 7ª séries para elaborar um atlas do município, ouviu de um garoto: "Pra que saber tanto dessa cidade que nem é minha?" O desprezo do aluno natural de Maringá pelo lugar onde vive confirmou a necessidade do projeto. Ainda mais estimulada, Ivone reuniu colegas de Geografia, História e Língua Portuguesa e foi adiante. Londrina, aos 70 anos, agora conta com um Atlas Histórico e Geográfico. A elaboração da publicacão levou os alunos a aprender conceitos de cartografia, relevo, clima, vegetação, economia e meio ambiente. "Nosso atlas reúne informações que estavam espalhadas em diversas fontes."

Além de conhecer melhor a cidade, os alunos passaram a valorizá-la, pois perceberam que fazem parte de sua história. A possibilidade de serem autores do atlas empolgou a garotada que, é claro, esperava ansiosa as saídas a campo. "Agora, eu sei mais de Londrina do que a senhora!", disse o menino forasteiro, ao término do projeto. Naquele momento, Ivone teve a certeza de tinha alcançado seu objetivo.

Plano de aula

Objetivos
Ivone se baseou nos conteúdos curriculares de 5ª e 7ª séries para organizar o roteiro das aulas e dos passeios. Durante a fase de levantamento de informação, estimulou a consulta e análise de várias fontes como livros, fotografias, mapas e entrevistas com moradores. Assim, os alunos aprenderam a buscar e a selecionar dados, a valorizar os saberes locais e a identificar as ações humanas na sociedade e suas conseqüências.

Uma turma de cartógrafos
Londrina é hoje um dos poucos municípios brasileiros a ter um documento com dados sobre as características de sua geografia física e social. O que se encontra, geralmente, são materiais genéricos e fontes de difícil acesso para a maioria da população.

Ivone foi certeira ao ampliar as atividades didáticas para além das aulas tradicionais e fazer de seus alunos produtores de informação cartográfica. Com isso, eles aprenderam a desenvolver soluções para os problemas do espaço em que vivem. E o resultado extrapolou os interesses escolares. Outro mérito foi conduzir, de maneira planejada e organizada, uma extensa pesquisa teórica e de campo com uma equipe formada por cerca de 240 crianças e adolescentes, por nove meses.

A participação dos pais e de outros membros da comunidade merece destaque. Muitos se envolveram de tal forma com o trabalho que chegaram a coletar dados com os garotos e a buscar patrocínio para a publicação. Um dos pais conseguiu a colaboração de uma pizzaria, que doou 1700 pizzas para o projeto. Vendidas por alunos e professores, elas geraram mais de 3 mil reais de lucro. A quantia foi empregada na impressão de parte dos 500 exemplares do atlas que atualmente estão espalhados pelas bibliotecas de Londrina.

Tema é desafio ao interesse dos alunos
A importância do atlas para a cidade é incontestável. Mas Ivone precisava conscientizar a turma da relevância daquele trabalho. Até então, as informações de que dispunham eram suficientes apenas para a realização de pesquisas escolares. A lacuna dos documentos locais só seria percebida quando realizassem consultas mais minuciosas e saídas a campo.

Para começar, o grupo foi dividido em equipes que tinham como tarefa buscar respostas para perguntas formuladas na sala de aula. Como viviam os primeiros habitantes de Londrina? Qual o caminho que percorreram até chegar lá? Onde ficava a primeira prefeitura? Como foi construída a primeira igreja? "Antes combinei com os alunos que não ficaríamos apenas mergulhados em papéis históricos e livros", avisa Ivone. Para balancear teoria e prática, assim que cada bloco temático era concluído a garotada participava de uma aula-passeio.

Pesquisas e o prazer das saídas a campo
A primeira fonte de informação dos alunos foram os moradores da cidade. Pais, avós e vizinhos concederam entrevistas. Dos encontros, os alunos trouxeram, além de depoimentos, um rico material histórico, como fotografias, objetos antigos, jornais da época da colonização e livros.

Depois de organizado, o material permitiu abordar as diversas etapas de crescimento e desenvolvimento da cidade, os personagens e os marcos históricos, a urbanização, os meios de transporte e o comércio local.

Em seguida, informações sobre hidrografia, relevo e vegetação foram obtidas em livros e mapas encontrados em bibliotecas e museus. Todos os dados coletados foram conferidos, ao vivo e em cores, nas aulas-passeio que a turma fez pela reserva florestal, pelo rio Tibagi que corta a cidade, e pelo setor industrial.

Durante todo o processo, conteúdos de Língua Portuguesa foram explorados na análise de textos e fotos, na comparação dos dados com a observação feita in loco e na interpretação de documentos e registros. Ao término da pesquisa, o grupo entrou na etapa mais delicada e trabalhosa selecionar o material coletado, editar e conseguir apoio para a publicação. "Houve a contribuição de todos. O interesse foi tanto que não registramos nenhuma falta ou atraso na entrega dos trabalhos", conta Ivone, que guarda o caderno dos estudantes como prova desse envolvimento.

Quer saber mais?

Colégio Estadual Vicente Rijo, Av. Juscelino Kubitscheck, 2372, CEP 86020-000, Londrina, PR, tel. (43) 3323-7630

Ivone Baioni Garcia, e-mail: ivone@sercomtel.com 

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