Eu amo a América Latina

Conhecer os países vizinhos ajuda a compreender a realidade (e a identidade) do Brasil hoje

POR:
Natasha Madov

Achou estranho o título aí em cima? Pois é, muitos de nós ainda não nos sentimos parte da América Latina ? o que é uma pena. Estudar a riqueza do continente ajuda a entender a realidade em que vivemos e a desenvolver o sentimento de identidade. Está cada vez mais fácil aprofundar a visão sobre esta porção do continente. Com a importância crescente dos blocos econômicos transnacionais, como o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), e graças à internet, os alunos vão descobrir que têm afinidades com os vizinhos.

Para chegar lá, esqueça a abordagem tradicional. "Quase tudo ainda gira em torno da Europa", afirma a consultora Antonia Terra. "Cerca de 70% dos capítulos dos livros didáticos tratam do Velho Mundo." O caminho é colocar em primeiro plano os povos que já viviam aqui, como os indígenas brasileiros ou os incas, maias e astecas. E não hesite em integrar os temas latino-americanos às aulas regulares, com discussões e propostas de pesquisa.

O que dizem os PCN 

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de 5ª a 8ª série, é tradição do ensino da disciplina de História contribuir para a construção da identidade. O documento reforça a necessidade de repensar o sentido dado a esse conceito e rever sua relevância para a sociedade brasileira contemporânea. "É preciso perguntar que identidade queremos que as crianças e os jovens construam", diz a consultora Antonia Terra.

Política e economia como ponto de partida

A trajetória dos países da América Latina tem fortes semelhanças políticas e culturais ? e muitas características peculiares que marcam a diversidade da região. Tudo pode ser usado como mote para pôr o assunto em discussão. Inclusive temas aparentemente áridos, como política e economia.

O professor de Geografia Fábio Ferreira de Campos e sua colega de História Miriam Leite desenvolvem com as turmas de 8ª série da Escola Edem, no Rio de Janeiro, um conjunto de seminários sobre o século 20. Na pauta, entre outros tópicos, as ditaduras militares e os direitos humanos, que exigem pesquisa sobre fatos recentes.

"Discutimos com a garotada os processos de globalização e regionalização", diz Campos. "Tratamos o tema com a profundidade que os jovens determinam, com base nas leituras (de jornais e revistas) que eles fazem." Segundo o professor, a primeira reação, ao mencionar a união de países sul-americanos num bloco econômico como o Mercosul, é se lembrar da rivalidade entre Brasil e Argentina. "Quando a turma entende que os dois países têm muito a ganhar com a aproximação, o preconceito se desfaz." E todos entendem a importância de construir (tanto individual como coletivamente) essa tal identidade latino-americana. 

ATIVIDADES

Hora de falar de comida, futebol, notícias...
? Com as crianças, organize rodas de histórias ou sessões de leitura de lendas de índios brasileiros e de outros povos nativos da América Latina. Discuta as diferenças e semelhanças dessas narrativas com os contos de fadas europeus.

? Chame a atenção para a história latino-americana apelando para o paladar. Alimentos como batata, milho e chocolate, que têm origem nas culturas indígenas do continente

? Use o noticiário para discutir integração econômica e crises políticas, relacionando presente e passado da América Latina

? Com base numa problemática atual, como a fome e a produção de alimentos, proponha pesquisas sobre diferenças e semelhanças entre a agricultura brasileira (muito diversa) e a organização agrícola dos incas antes da chegada dos espanhóis. Entram aqui questões como a propriedade da terra, as ferramentas e técnicas disponíveis, os trabalhadores, o destino da produção.

Quer saber mais?

Escola Edem, R. Br. de Itambi, 28, 22231-000, Rio de Janeiro, RJ, tel. (21) 2553-5443

Bibliografia
Crianças como Você, Anabel Kindersley, Barnabas Kindersley, 80 págs., Unicef e Ed. Ática, tel. (11) 3346-3000, 17,90 reais

História da América Através de Textos, Jaime Pinsky, 174 págs., Ed. Contexto, tel. (11) 3832-5838, 20,90 reais

Raízes da América Latina, Francisca L. Nogueira de Azevedo e John Manuel Monteiro (orgs.), 598 págs., Edusp, tel. (11) 3091-4150, 37 reais

As Veias Abertas da América Latina, Eduardo Galeano, 307 págs., Ed. Paz e Terra, tel. (11) 3337-8399, 39 reais  

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