Esta maravilha é nossa

Eleição das sete novas obras mais grandiosas feitas pelo homem ajuda a entender melhor os povos que as criaram

POR:
Naiara Magalhães

A eleição do Cristo Redentor entre as sete maravilhas do mundo atual, anunciada em 7 de julho, foi saudada com entusiasmo pelos brasileiros. Afinal, o fato pode ajudar a ampliar o volume de turistas que visitam o Rio de Janeiro. É também uma boa oportunidade para você trabalhar diversos conteúdos de História com turmas do 6º ao 9º ano e mostrar o papel dos bens arquitetônicos na preservação da cultura dos povos.

Discutir as sete maravilhas...

Ajuda a conhecer e a valorizar patrimônios históricos.

Possibilita o reconhecimento de diferenças culturais.

Permite mostrar as relações entre passado e presente.

Facilita a elaboração de questionamentos e busca de informações.

A campanha para escolher os monumentos mais belos e de maior relevância arquitetônica e cultural foi organizada por uma fundação suíça e teve início em 2001, com a constatação de que, exceto as Pirâmides de Gizé, no Egito, as maravilhas do mundo antigo não existem mais. A votação, realizada pela internet em várias etapas, teve a participação de mais de 100 milhões de pessoas (leia nestas duas páginas alguns dados sobre as eleitas).

As sete novas maravilhas

Cristo Redentor (Brasil)
A estátua, de 38 metros de altura, teve sua pedra fundamental fixada no morro do Corcovado em 1922 para comemorar os 100 anos de Independência. A construção só teve início em 1926 e durou até 1931. O Cristo foi declarado santuário religioso em 2006, o que permite a celebração de batizados e casamentos a seus pés.

Machu Picchu (Peru)
Erguida no século 15 num lugar conhecido como "velha montanha", a 2,4 mil metros de altitude. Abandonada, esta cidade perdida dos incas foi redescoberta apenas em 1911 por uma expedição patrocinada pela National Geographic Society.

Coliseu (Itália)
Nesta arena romana eram realizados jogos, duelos de gladiadores e treinos navais (o anfiteatro, fechado, inundava com as águas da chuva). Foi inaugurada por volta de 80 d.C. e funcionou até o século 6. Passou por restaurações no século 19.

Grande Muralha (China)
Com cerca de 7 mil quilômetros de extensão, cruza o país de leste a oeste em sua porção norte. Considerada a maior obra já feita pelo homem, começou a ser erguida por volta de 220 a.C. para proteger contra invasores. Só foi concluída no século 15.

Taj Mahal (Índia)
Mausoléu encomendado em 1630 pelo príncipe Shah Jahan em memória de uma de suas mulheres, a quem chamava de Mumtaz Mahal ("A jóia do palácio"). Ela morreu após dar à luz o 14o filho. A obra é considerada uma ode ao amor.

Petra (Jordânia)
Cidade helenística, foi esculpida em pedra por um povo chamado nabateu entre 9 a.C. e 40 d.C. Localiza-se a pouco mais de duas horas de Amã, capital da Jordânia. É um dos resquícios mais bem conservados da rota de especiarias do Oriente.

Pirâmide de Chichén Itzá (México)
Denominada Kukulcán, é um templo maia. Simboliza um calendário: tem 91 degraus de cada lado, no total de 364. Com a plataforma superior, comum aos quatro lados, chega-se a 365, o número de dias do ano.

Na Antigüidade esse processo foi bem diferente. Um grupo seleto de gregos eruditos definiu "as sete coisas dignas de serem vistas" (confira nas próximas páginas informações relativas às construções antigas e um mapa-múndi que localiza as maravilhas de hoje e de ontem).

Alguém ainda se recorda dos sete pontos de referência obrigatórios do passado? Nossos avós estudaram o tema... que saiu do currículo escolar há tempos."O assunto só é lembrado em rodas de amigos", avalia a professora de História Flávia Aidar."Um enorme esforço de memória coletivo costuma atingir, no máximo, a conta de cinco obras", diz ela.

As sete maravilhas do mundo antigo

Jardins suspensos da Babilônia
Até hoje não se provou a existência deste paraíso: jardins com enorme diversidade de plantas e animais. Mas acredita-se que foram erguidos pelo rei Nabucodonosor para agradar à mulher, Amyitis.

Pirâmides de Gizé
Tumbas dos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos, elas são as mais velhas maravilhas. A primeira sustentou por quatro milênios o título de mais alta construção humana.

Farol de Alexandria
Torre de mármore cujas tochas e espelhos iluminavam a rota dos navios que chegavam ao porto. Sua luz se estendia por 50 quilômetros e evitava que os barcos se chocassem com as rochas.

Estátua de Zeus
Com 12 metros de altura, foi criada em 440 a.C. Após 800 anos, foi levada para Constantinopla (atual Istambul, na Turquia), onde um incêndio a teria destruído em 462.

Mausoléu em Halicarnasso
O túmulo abrigava os restos mortais do rei Mausolo, do Império Persa (atual Irã). Concluído em 350 a.C., veio abaixo em decorrência de um terremoto ocorrido entre os séculos 11 e 15.

Colosso de Rodes
Estátua erguida na ilha de Rodes para celebrar a retirada do rei macedônio Demétrio Poliorcetes, que tentou conquistar o local. Ruiu por causa de um sismo em 225 a.C.

Templo de Ártemis
Maior templo do mundo antigo, celebrava a deusa grega da caça. A obra foi refeita muitas vezes. A versão que entrou para a história foi destruída pelos godos, povo germânico, em 262.

Pesquisa com sentido

Para trabalhar com turmas do 6º ao 9º ano, Flávia recomenda que os estudantes não se limitem a fazer pesquisas. "Esse velho vício é sinônimo de tarefa que ocupa a moçada, mas ensina muito pouco", afirma. "Qualquer um pode copiar ou imprimir um site, um texto de jornal ou uma enciclopédia."Um bom caminho, segundo a professora, é levar a turma a se perguntar como sabemos tanto sobre as antigas maravilhas se quase todas já desapareceram e há poucos registros de época sobre muitas delas. "Você pode explicar que a figura da Estátua de Zeus foi cunhada em moedas e, por isso, sabemos como era sua aparência. Já os Jardins Suspensos da Babilônia foram representados em pinturas feitas com base em relatos de viajantes", conta.

Plano de Aula 
Leitura e interpretação de imagens

Flávia Aidar, professora de História em São Paulo, propõe a seguinte pergunta-problema para explorar o tema da preservação do patrimônio arquitetônico e cultural em sala de aula: o que as maravilhas nos revelam sobre a História? Confira a seguir a seqüência didática sugerida por ela. O primeiro passo é organizar a turma em grupos de cinco alunos. Em seguida, distribua para cada equipe as imagens das sete novas maravilhas - ou das sete antigas. Se forem montados seis times, três vão trabalhar com a lista do passado, e os demais, com a recém-eleita. Em seguida, peça que os estudantes observem as imagens que compõem sua lista e estimule-os a se questionar e levantar suposições sobre as obras (a Grande Muralha, por exemplo, pode levá-los a se perguntar por que os chineses ergueram um paredão tão extenso nas montanhas e do que eles queriam se proteger).

Em outra aula, oriente a garotada a pesquisar as respostas em fichas técnicas, nos livros, na internet e por meio de discussões com os colegas. Apresente, então, algumas questões:

? Como as obras podem ser classificadas quanto às suas funções? (Vale lembrar que o Cristo Redentor sempre teve "apenas" a função arquitetônica e artística. já o Coliseu tinha um papel público, pois lá eram promovidos combates de gladiadores e muitos outros eventos.)

? Que critérios foram usados para selecionar as maravilhas? O que há em comum entre elas? (Você pode perguntar o que teve mais peso na elaboração das listas: a função inicial - política, comercial, social - das obras ou a capacidade do homem de construir monumentos tão grandiosos?)

De posse dessas informações, solicite que os estudantes, ainda organizados em grupos, elaborem uma redação argumentativa para responder à pergunta-problema colocada acima. Finalmente, cada equipe deve ler em voz alta, para o restante da turma, o texto produzido.

Responder à questão "O que as maravilhas nos revelam sobre a História?" é um dos motes das atividades propostas por Flávia (leia o plano de aula na página 50). A idéia é ir além do hábito de examinar apenas textos sobre as obras para passar a "ler" os próprios monumentos (ou imagens deles). "Antes de saber que o Farol de Alexandria ficava no Egito, os alunos podem observar com atenção uma representação iconográfica e questionar para que ele servia e o que representava a navegação na época", explica a professora. "Assim, eles vão entender a importância da investigação na disciplina: levantar perguntas e hipóteses, observar indícios e juntar novos dados às informações já disponíveis para construir conhecimento."

Outra sugestão, mais voltada para o ensino da Geografia, é debater o papel de organizações como a Unesco (agência das Nações Unidas que se dedica a fomentar ações nas áreas de Educação,Ciência e Cultura) e a fundação suíça que coordenou a votação na preservação do patrimônio arquitetônico e cultural.O professor Cláudio Nagy lembra que a Unesco não apoiou a campanha porque "não poderá contribuir de forma significativa e duradoura para a preservação desses locais". O que a garotada acha disso? Num plano de aula exclusivo para NOVA ESCOLA On-line, ele propõe que os jovens pensem nos recursos necessários para dar vida às antigas maravilhas e assim interligar presente e passado. "Você já imaginou que a construção das Pirâmides do Egito exigiu a dedicação de 100 mil pessoas durante 20 anos?",questiona o professor.

Quer saber mais?

Cláudio Nagy, calnagy1@hotmail.com

Flávia Aidar, flavia.aidar@ig.com.br

INTERNET
No portal, você encontra imagens e descrição das sete maravilhas do Mundo Antigo

Veja mais informações sobre as novas maravilhas do mundo

BIBLIOGRAFIA
As Sete Maravilhas do Mundo, John Romer, 256 págs., Ed. Melhoramentos, tel (11) 3874-0800, 85,90 reais 

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