Aprendizes de Natal

Monumentos e pontos turísticos ensinam a história da capital potiguar Denise Pellegrini, de Natal

POR:
Denise Pellegrini, NOVA ESCOLA
A professora Rita com seus estudantes na Fortaleza dos Reis Magos, do século XVI: pesquisa sobre construções históricas e locais de atração turística levou os adolescentes a conhecer a cidade em que vivem. Foto: Canindé Soares/ Ag. Lumiar
A professora Rita com seus estudantes na Fortaleza 
dos Reis Magos, do século XVI: pesquisa sobre 
construções históricas e locais de atração turística 
levou os adolescentes a conhecer a cidade 
em que vivem. Foto: Canindé Soares/ Ag. Lumiar

Quem gosta cuida. Esse ditado popular foi seguido à risca pela professora de História Rita Davim, da Escola Estadual Sebastião Fernandes de Oliveira, em Natal, quando decidiu desenvolver em seus alunos de 6ª a 8ª série o interesse pela preservação. Para atingir seu objetivo, ela pôs em prática no ano passado o projeto interdisciplinar Aprendizes da Cidade, que ensinava as características socio-econômicas, históricas, geográficas e culturais da capital potiguar por meio de aulas expositivas, pesquisas e passeios.

O material didático de apoio foi produzido pela própria Rita e continha informações a respeito de todo o Rio Grande do Norte. "Os aspectos relacionados à cultura e ao turismo foram os que mais despertaram o interesse da turma", lembra. Rita passou para as classes uma lista com quinze pontos turísticos e monumentos e pediu que cada estudante escolhesse um para pesquisar a fundo. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, debater a questão do patrimônio histórico é uma boa maneira de suscitar preocupação com a preservação de construções e objetos antigos e também da natureza.

Os jovens recolheram informações sobre lugares como a Fortaleza dos Reis Magos, cujo início da construção data de 1598, e o Centro de Turismo. "Nesse local, onde há exposições de arte e venda de artesanato, já funcionou uma casa de detenção e um orfanato", conta Ana Virgínia de Oliveira, 14 anos, verdadeira especialista nesse ponto da cidade.

Nas aulas de Língua Portuguesa, os alunos aprimoraram os textos de suas pesquisas e redigiram outros trabalhos, sobre a vida e a obra de potiguares ilustres. Entrevistas com políticos da Assembléia Legislativa e da Câmara Municipal a respeito de projetos para a melhoria do município foram atividades realizadas em Geografia. Outros estudandes realizaram um levantamento sobre a influência da língua inglesa em Natal, por causa da base militar norte-americana que se instalou ali durante a 2ª Guerra Mundial.

O fechamento do projeto, que durou um bimestre, ocorreu durante um grande passeio pelo município. Nesse momento, Rita mostrou às classes como Natal se desenvolveu. "Vimos os bairros comerciais e os históricos, além da via costeira, em que se concentram os hotéis, importantes para a economia local", explica. "Em cada ponto histórico que parávamos os jovens ensinavam aos colegas tudo o que haviam aprendido, como se fossem guias turísticos."

Para o historiador José Geraldo Vinci de Moraes, professor da Universidade Estadual Paulista, levar a pesquisa para além dos monumentos históricos foi essencial para a qualidade do projeto. "A cidade é viva e mostrar como as pessoas ocupam seu espaço é fundamental para conhecê-la." Rita ficou satisfeita com o resultado. "Vários pais me contaram que, passeando com os filhos, passaram a aprender a história de Natal."

Quer saber mais?

Escola Estadual Sebastião Fernandes de Oliveira, R. Alberto Maranhão, s/nº, CEP 59020-330, Natal, RN, tel. (84) 222-4152

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