Jovens cidadãos elegem seus representantes escolares

Antes de elegerem representantes para o conselho e o grêmio escolares, alunos de 4° e 5° anos estudam direitos políticos e sistemas de governo

POR:
Luiza Andrade
BOCA-DE-URNA Jovens aprendem a fazer a campanha, debater com os candidatos votare fiscalizar os eleitos. Foto: Paulo Santos/Interfoto

Quem será o representante de classe? E o indicado ao grêmio? Ao escolherem um colega para defender seus interesses junto à direção da escola, os alunos estão dando apenas o primeiro passo de uma longa vida cidadã. Com o tempo, a tarefa cresce em responsabilidade: aos 16 anos, eles já podem escolher vereador, deputado, senador, prefeito, governador e presidente da República. Nessa trajetória, as aulas de História serão de grande valia para que conheçam os mecanismos de que a população dispõe para ser ouvida e a organização política dos municípios, dos estados e da federação.

"Em sociedades complexas, é impossível fazer assembléias em que todos participem e sejam ouvidos. Por isso, foram criados mecanismos para a população delegar a algumas pessoas o poder de falar por elas", diz José Antonio Segatto, da Universidade Estadual Paulista, campus de Araraquara. Esse conceito é facilmente compreendido quando as crianças se mobilizam para organizar eventos políticos. Foi o que fizeram a turma de 4º ano do professor Fabrício Carvalho, da EEFM Tenente Rêgo Barros, em Belém, e todos os estudantes da EE Francisco Ferreira de Freitas, em Serra Azul, a 300 quilômetros de São Paulo. Na primeira, foram eleitos porta-vozes para o conselho escolar (leia projeto didático). Na outra, para o grêmio estudantil.

Na escola do Pará, o professor orientou a turma durante a formação de chapas e a elaboração de propostas. Enquanto isso, em sala de aula, candidatos e eleitores pesquisavam e discutiam. Nesse processo, todos aprenderam que o voto é um dos pilares da democracia - regime que garante a participação social e política dos cidadãos - e que o mesmo não ocorre na ditadura, em que os direitos de participação e expressão são cerceados, como no Brasil entre 1964 e 1985. A turma viu ainda que, no início do século 20, as eleições eram manipuladas e em todos podiam votar. "Aprendemos que o melhor sistema é a democracia", diz Elissandro Torquato, 10 anos, um dos eleitos. Para fazer valer os princípios explorados em sala de aula, os votantes cobraram as promessas de campanha depois do pleito. Um dos resultados foi a reforma das classes, que ganharam pintura nova e ventiladores.

Em Serra Azul, o grêmio da EE Francisco Ferreira de Freitas foi reativado graças ao aprendizado sobre os movimentos estudantis. A tecnologia contribuiu para a democracia. Da internet saíram informações sobre o tema. Com o programa Word houve a produção de discursos e, com o Excel - que deu nome ao projeto (Exceleições)-, foram elaborados gráficos e tabelas com dados das pesquisas de boca-de-urna e da apuração. "Foi uma votação de verdade", conta a professora de História Patrícia Mara Estrela Manso. As crianças discorreram sobre organização política, desenvolveram habilidades tecnológicas e conseguiram a reinauguração da sala de informática.

Quer saber mais?

Contatos

EEFM Tenente Rêgo Barros
, Av. Júlio Cézar, s/n°, 66613-010, Belém, PA, tel. (91) 3231-6226

EE Francisco Ferreira de Freitas, R. Pe. Soares, 5, 14230-000, Serra Azul, SP, tel. (16) 3982-1299

Fabrício Aarão Freire Carvalho, fafc33@gmail.com

José Antonio Segatto, segatto@fclar.unesp.br

Internet

Em fffserraazulsp.blogspot.com, saiba mais sobre o projeto Exceleições da EE Francisco Ferreira de Freitas

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