Espiral do tempo

Linhas ajudam a compreender a duração, a sucessão e a simultaneidade dos fatos históricos

POR:
NOVA ESCOLA, Paola Gentile
Eliane e seus alunos, com a linha em espiral no Pitágoras do Amazonas: idéia de que o tempo é infinito. Foto: Andreia Mayumi
Eliane e seus alunos, com a linha 
em espiral no Pitágoras do Amazonas: 
idéia de que o tempo é infinito. 
Foto: Andreia Mayumi

Um dos principais desafios dos professores de História é levar os alunos a ler e interpretar a realidade em que vivem competência que a disciplina deve desenvolver. Para isso, eles precisam localizar acontecimentos passados sem usar a decoreba de datas , conhecer a origem de situações sociais, políticas e culturais que permanecem até os dias de hoje e identificar as mudanças ocorridas no decorrer do processo histórico.

Essas habilidades são adquiridas aos poucos pela criança e exigem a compreensão do conceito de tempo. Para ajudá-la, você pode propor atividades em que seja importante perceber a sucessão e a duração dos fatos. Uma ferramenta eficaz é a linha de acontecimentos históricos. "Esse recurso visual ajuda a formar noções de anterioridade, posterioridade e contemporaneidade", afirma Luiz Carlos Villalta, professor de Prática do Ensino de História da Universidade Federal de Minas Gerais.

História

Tema: Linha do tempo

Objetivo: Compreender a ordenação, a simultaneidade e a sucessão de fatos históricos e as relações entre eles. Caracterizar épocas, formar os conceitos de tempo físico, histórico e social. Fazer a leitura da realidade em suas dimensões espacial e temporal

Como chegar lá: Use a linha do tempo como uma ferramenta de apoio ao ensino e aprendizagem, não como um fim em si mesmo. Ofereça aos alunos material de pesquisa que contextualize os acontecimentos marcados. Destaque as semelhanças e diferenças entre eles, as permanências e as mudanças ocorridas no período estudado

Dica: Use duas ou mais linhas do tempo simultaneamente, com temáticas diferentes, para a turma perceber que a história se constrói em diversas frentes

Quase todos os livros da disciplina trazem uma linha do tempo nas primeiras páginas, mas não é dessa que estamos tratando. Elaborada por estudiosos franceses no século 19, a seqüência não contempla os objetivos da educação atual. "Além de ter a Europa como ponto de referência, ela induz o aluno a acreditar na linearidade da História e marca apenas eventos de curta duração", critica Kátia Maria Abud, professora de Metodologia do Ensino de História da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Ela acredita que uma linha eficaz deva relacionar fatos que aconteceram no mesmo período, ainda que em diferentes lugares, para mostrar os diversos níveis de formação da História (veja o quadro abaixo).

Caminho infinito

Na rede Pitágoras, todas as séries trabalham com a linha do tempo em diversos níveis. Os alunos da 1a série da unidade de Pitinga, um distrito de Presidente Figueiredo, a 330 quilômetros de Manaus, juntam no Envelope da Memória objetos que marcaram sua ainda curta trajetória de vida. A professora Eliane Ambrósio orienta a montagem coletiva de uma linha, ordenando as setas de cartolina colorida uma cor para cada ano vivido em forma de espiral. "É bom porque dá a sensação de infinito, inacabado", elogia Villalta. No centro, sobre os anos que estão por vir, cada um põe um papel onde escreve o que quer ser quando crescer! "No final, debatemos as mudanças ocorridas e a evolução pela qual passamos", conta a professora.

Ao mesmo tempo em que constroem a história de vida da turma, os alunos de Eliane pesquisam a evolução dos números e do relógio. A 2a série de Josefa Silva estuda a origem do dinheiro e, junto com a 3a de Maria Elizabeth Moreira, procura dados sobre os povos indígenas. Nilza Rocha Ribeiro, professora da 4a série, coordena o projeto sobre as grandes descobertas e foi dela a idéia de colocar numa só linha todas as informações colhidas ao longo do ano.

Linhas paralelas

Vera Ribeiro, do Colégio Éden, no Rio de Janeiro, sempre monta duas linhas em uma, criando o paralelo entre a história do Brasil e a mundial. Este ano, a 5ª série já estudou as civilizações antigas e, em casa, pesquisou os povos que viveram há 40 mil anos em São Raimundo Nonato, no Piauí; o Homem da Lagoa Santa, que 4 mil anos antes de Cristo habitava a região onde hoje fica Minas Gerais; e os sambaquis (depósitos de conchas e esqueletos amontoados por tribos pré-indígenas 5 mil anos antes da era cristã) do litoral fluminense. "O interesse dobra quando aproximamos geograficamente um tema que parece distante", diz Vera.

Caminho para o sucesso

Uma boa linha do tempo deve:

• tomar o presente como ponto de partida e voltar a ele para relacionar os aprendizados;

• escolher temas sempre contextualizados com os objetivos da disciplina;

• ser construída de forma gradativa e sempre por toda a classe;

• contemplar fatos de curta, média e longa duração;

• facilitar a visualização dos diferentes níveis de tempos paralelos;

• ser relacionada com outras linhas, mostrando que a história se constrói em diversas frentes;

• respeitar visualmente as escalas de tempo

Quer saber mais?

Colégio Pitágoras de Pitinga, Av. Tantalita, s/nº, CEP 69737-000, Presidente Figueiredo, AM, tel. (92) 323-1305

Escola Éden, R. Barão do Itambi, 28, CEP 22231-000, Rio de Janeiro, RJ, tel. (21) 2553-5443

BIBLIOGRAFIA

Estudos Sociais - Outros Saberes e Outros Sabores
, Cadernos de Educação Básica, vol. 8, Roseli Inês Hickmann (org.), 156 págs., Ed. Mediação, tel. (51) 3311-7177, 20 reais 

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