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Sinal verde para a educação no trânsito

A Semana Nacional do Trânsito é uma boa oportunidade para conscientizar os alunos sobre direitos e deveres do pedestre e do motorista, tornando-os aptos a se comportar bem no vaivém das ruas

por:
CS
Carla Soares
A minipista do Augusto Laranja, de São Paulo: situações reais Foto:Daniel Aratangy
A minipista do Augusto Laranja, de São Paulo: 
situações reais  Foto: Daniel Aratangy

Fila dupla de carros na porta da escola. A confusão na hora da entrada e da saída de alunos é uma regra nos colégios das grandes cidades. O ziguezague no meio da rua atrapalha motoristas e põe em risco a vida da garotada. Acabar com essa falta de segurança pode parecer simples bastaria chamar a fiscalização , mas não é. A solução passa pela conscientização de condutores de veículos e de pedestres sobre suas atitudes. Algumas escolas já introduziram trabalhos nessa área para educar os jovens e, também, alterar o comportamento dos pais no trânsito.

O assunto preocupa autoridades em todo o mundo (veja dados no quadro). A Organização Mundial da Saúde (OMS) escolheu a segurança no trânsito como tema deste ano da campanha do Dia Mundial da Saúde, comemorado no dia 7 de abril. No Brasil, a Semana Nacional de Trânsito acontece entre 18 e 25 de setembro, este ano com o slogan "O trânsito é feito de pessoas. Valorize a vida".

Trabalho interdisciplinar

Os números no país apresentaram melhora depois que entrou em vigor o Código de Trânsito Brasileiro, em 1997, pegando pelo bolso os maus motoristas. A lei relaciona a movimentação de pessoas e veículos com cidadania e meio ambiente. Determina ainda que o Ministério da Educação adote um currículo interdisciplinar para abordar o assunto, com a ajuda dos órgãos de trânsito de todos os níveis municipais, estaduais e federal , que deverão formar núcleos pedagógicos para incentivar projetos nas escolas.

Qual a melhor forma de ensinar esse conteúdo? O gerente do Centro de Educação de Trânsito da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo, Jeter Gomes, mestre em Educação, afirma que a decoreba das leis não ajuda: "É preciso destacar os direitos de motoristas e pedestres e fazer com que os alunos trabalhem com situações reais".

Já que a criança é considerada pedestre assim que começa a andar, ela pode desde cedo receber essas informações. "O aprendizado já na Educação Infantil faz com que o aluno cresça com consciência", reitera a coordenadora pedagógica do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Maria Helena Machado. Lembre-se: o trânsito não se resume às responsabilidades dos condutores, mas de todos que se movimentam em ruas e estradas, a pé ou de bicicleta.

Além das regras


No Colégio Augusto Laranja, da rede particular de São Paulo, o tradicional parquinho ganhou um reforço: a minipista de trânsito. Caminhando ou em carrinhos de brinquedo, as crianças passam por placas e aprendem a obedecer à faixa e ao semáforo para pedestres. A sinalização simula a mobilidade que todos encontram diariamente nas ruas. A montagem do espaço teve a assessoria técnica da CET.

Ao perceber que essa prática faz a meninada incorporar rapidamente algumas regras, a professora Rosângela Haas, do Jardim II, quis despertar valores como tolerância e respeito. Em maio, as turmas de 5 e 6 anos passaram por um trabalho de conscientização que começou com a seguinte pergunta: "Como vocês se sentem no trânsito?" A maioria das crianças relatou momentos de irritação, impaciência e cansaço. Rosângela as orientou a produzir um símbolo para representar o trânsito ideal. O escolhido foi o desenho de um carro alado com um coração. Em busca de soluções para que esse desejo se torne realidade, os pequenos concluíram que o tempo perdido no congestionamento pode ser usado para bater papo, contar piadas ou ouvir música.

A professora coletou exemplos que a auxiliaram em sua jornada de alfabetização e educação matemática. A palavra "trânsito" mostrou a todos um dos usos da letra "t". As placas de limite de velocidade revelaram a necessidade de expressar numericamente uma medida. A identificação das cores vermelho, amarelo e verde dos semáforos foi surpresa: todos descobriram que o mundo inteiro adota um mesmo padrão na programação visual da sinalização.

Em casa, o aprendizado mostrou-se uma via de mão dupla: os pequenos começaram a cobrar dos pais uma postura adequada enquanto motoristas. Isabella Andrade, de 5 anos, controla o limite de velocidade do carro da mãe. "Confiro no 'relógio' se ela está andando mais que 6 e 0 e de 8 e 0", diz a menina, referindo-se ao velocímetro e a 60 e a 80 quilômetros por hora mesmo sem saber ainda contar acima de 10. A mãe, Andrea Andrade, se diz mais responsável depois da marcação cerrada da filha. "Agora não posso mais falar ao celular com o carro em movimento, senão ela chama minha atenção", conta a corretora de seguros.

A geografia das ruas

Para o Ensino Fundamental, um projeto considerado modelo é o da professora de Geografia da 5ª série, Alexandra Menezes, do Colégio Anchieta, de Porto Alegre. A educadora ganhou o prêmio regional do Denatran de 2002. O trabalho foi desenvolvido com a ajuda do material didático e de palestras de profissionais do órgão. O primeiro passo foi incentivar os alunos a observar o movimento das principais ruas e avenidas no caminho entre a casa e a escola. A garotada traçou o trajeto entre as entradas principal e secundária do colégio, passando pelo museu e pelo bosque. Sem se preocupar com escalas, a turma indicou as direções e destacou as placas indicativas dos diversos espaços do colégio.

Em seguida, a professora levou o grupo ao estacionamento da escola, onde ressaltou a importância da faixa de pedestres e das placas de limite de velocidade. Depois, cada aluno desenhou o caminho para casa, marcando os sinais de trânsito. A terceira etapa foi o passeio "Conhecendo a tua cidade", no qual os alunos circularam pelo município e desenharam um mapa com as sinalizações e a indicação do sentido das principais vias. Na última fase, a turma representou no papel situações corretas e incorretas vistas nas ruas.

"Os alunos se tornaram fiscais do trânsito", define a professora. Como pedestres, eles perceberam que obedecer ao semáforo significa respeito aos motoristas e às suas vidas. Como passageiros, vigiam as atitudes dos pais. Os que paravam em fila dupla para buscar os filhos reduziram essa prática. Ex-aluna de Alexandra, Regina Fleck, da 7ª série, conseguiu tornar seus pais ainda mais responsáveis. "Não os deixo estacionar em local proibido nem por um minutinho", diz a garota.

Reivindicação cidadã

Na Escola Estadual de Ensino Fundamental João Clímaco de Camargo Pires, em Sorocaba, interior de São Paulo, os professores da 5ª à 8ª série tiveram o apoio do programa Você Apita, da montadora Fiat. A iniciativa tem consultoria da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

No início do programa, os alunos assistiram a palestras sobre direitos humanos, mobilidade, meio ambiente e convivência, ministradas por voluntários da Secretaria Municipal de Transporte, da Defesa Civil, do Rotary Club, da Ordem dos Advogados do Brasil e do Senac. "O trânsito é complexo e, por isso, o ensino sobre ele deve abranger e relacionar todos esses aspectos", justifica a diretora do projeto, a pedagoga Fabiana Marchezi.

Depois dessa introdução, os professores levaram a garotada para fotografar situações reais e conversar com os vizinhos. A falta de sinalização para pedestres em um cruzamento importante próximo à escola surgiu como o principal problema. "É a maior correria para atravessar no meio de tanto carro, ônibus e caminhão", descreve Samantha de Sousa, aluna da 7ª série. Em sala de aula, foram trabalhadas as maneiras de fazer entrevistas e noções de Geografia.

O passo seguinte foi descobrir a quem reclamar e a melhor maneira de pedir providências. Antes de enviar para as autoridades uma petição formal, os alunos organizaram uma passeata em que distribuíram panfletos feitos por eles mesmos. Nesse momento, a turma pôs à prova a aplicação de conceitos explorados em Língua Portuguesa, como objetividade da mensagem e clareza no texto. Em seguida, a escola entrou em contato com os meios de comunicação local para expor a situação. O semáforo ainda não foi instalado, mas para a coordenadora-geral da escola, Rosenilda Bignardi, o projeto cumpriu seu objetivo: "Os alunos aprenderam a lutar pelos seus direitos e, ao menos, estão atravessando a avenida com mais atenção e cuidado".

A situação no Brasil e no mundo

O Brasil é o quarto país onde mais acontecem acidentes de trânsito e desperdiça com isso 10 bilhões de reais por ano, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Em 1996, ocorriam no Brasil 9,8 acidentes para cada 10 mil veículos. A taxa caiu para 6,2 em 2002.

Em 2002, a Unesco apontou os acidentes de trânsito como sendo a segunda causa de morte (15,6% do total) entre jovens de 15 a 24 anos. É também o primeiro motivo de morte por causa externa entre as vítimas dessa faixa etária, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Trânsito bem-comportado 

Para fazer as crianças enfrentar seus trajetos diários com segurança e com comportamentos solidários, procure passar as seguintes orientações em seu projeto:

A pé
? Ao chegar a um cruzamento e encontrar o semáforo de pedestres aberto, aguardar o fechamento e a posterior reabertura para atravessar.

? Nunca atravessar um cruzamento na diagonal.

? Atravessar na faixa de segurança, nunca entre os veículos.

? Andar sobre a calçada, com cuidado nas entradas e saídas de veículos.

? Ao descer de um ônibus, não atravessar a rua na frente dele.

? Ao atravessar uma rua de mão única, olhar para os dois lados.

? À noite, procurar um local iluminado para atravessar a rua.

? Ao atravessar, escolher um local onde não haja obstáculos que impeçam o motorista e o motociclista de vê-lo.

? Quando o adulto estiver com uma criança deve segurá-la pelo pulso.

Ao volante


? Usar sempre o cinto de segurança.

? Jamais falar ao celular.

? Não fumar.

? Não se virar ao conversar com passageiros.

? Não dirigir com animais de estimação no colo.

? Não dirigir com crianças no colo (elas devem estar sempre no banco de trás, com equipamento de segurança adequado).

? Sempre sinalizar com antecedência os movimentos que pretende fazer (conversões à direita ou à esquerda, estacionar, mudar de faixa, parar no acostamento).

? Usar constantemente os espelhos retrovisores.

? Não colar adesivos grandes na janelas. Eles diminuem o campo de visão.

? Se rodar em baixa velocidade, utilizar as faixas da direita.

? Ao passar por ônibus parado no ponto, reduzir a velocidade e observar se não há pedestres tentando atravessar a rua pela frente do veículo.

? Jamais ultrapassar ônibus ou peruas escolares estacionadas para embarcar ou desembarcar crianças.

? Não jogar nenhum tipo de lixo pela janela.

? Não parar em fila dupla, nem mesmo por alguns instantes.

? Caso não conheça o caminho, não parar no meio da rua para procurar informações.

? Prefira estacionar para consultar o guia ou para perguntar às pessoas.

? Nas conversões, dê sempre prioridade aos pedestres que iniciaram a travessia.

? Nunca pare o veículo sobre a faixa de pedestres.

? Não avance assim que o semáforo ficar verde. Espere os pedestres concluírem a travessia.

Quer saber mais?

CONTATOS
Centro de Educação de Trânsito da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo
, Av. Marquês de São Vicente, 2154, 01139-002, São Paulo, SP, tel. (11) 3873-8902

Colégio Anchieta, Av. Nilo Peçanha, 1521, 91330-000, Porto Alegre, RS, tel. (51) 3328-7455

Colégio Augusto Laranja, R. Vieira de Morais, 177, 04617-010, São Paulo, SP, tel. (11) 5542-9422

Escola Estadual de Ensino Fundamental João Clímaco de Camargo Pires, R. Prof. Antônio Prudente de Moraes, 41, 18080-440, Sorocaba, SP, tel. (15) 232-6886

Projeto Você Apita, Av. Angélica, 2632, 100 andar, 01228-200, São Paulo, SP, tels. (11) 3355-2200 ou 0800-551133

INTERNET
No site www.voceapita.com.br é possível fazer download do material didático do programa e conhecer experiências de outras escolas.

Na página Educação do site www.cetsp.com.br você vai ver todas as iniciativas do Centro de Educação de Trânsito da CET, em São Paulo, para crianças a partir de 3 anosTexto

 

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