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A retirada das tropas norte-americanas do Iraque

Conhecer os motivos que levaram os Estados Unidos a ocuparem o Iraque é fundamental para entender a retirada e seu impacto na geopolítica global

por:
AG
Ana Gonzaga
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COMBUSTÍVEL BÉLICO A demanda por petróleo foi uma das razões que levaram os Estados Unidos ao Iraque. Foto: Terry Richards/AFP
COMBUSTÍVEL BÉLICO A demanda por petróleo foi uma das razões que levaram os Estados Unidos ao Iraque

No fim de agosto deste ano, começou a retirada das tropas norte-americanas do Iraque. A desocupação - 50 mil soldados ficarão por lá até 2011, contra os 144 mil de 2003, quando começou a ação - faz parte de uma intricada e complexa conjuntura, que remete aos significados históricos da geopolítica mundial e aponta para a necessidade de analisar as relações de poder entre os envolvidos nessa questão da atualidade.

Para levar a moçada a entender todos os desdobramentos da desocupação norte-americana, é fundamental compreender os motivos reais da invasão, como o desejo de controlar o petróleo naquele país (veja a sequência didática).

Afinal, o Iraque tem a segunda maior reserva do Oriente Médio. "Os Estados Unidos são muito dependentes do óleo. Por isso, tentam controlar o fluxo desse recurso no mundo", explica o geógrafo Luiz Bittar Venturi, da Universidade de São Paulo (USP). Na época da invasão, o discurso do governo norte-americano não deixava claras as intenções da empreitada, já que alegar motivação econômica poderia arruinar sua imagem perante a opinião pública. A ocupação foi anunciada como parte de uma estratégia para combater o terrorismo no chamado Eixo do Mal - Irã, Iraque e Coreia do Norte, países com supostas armas de destruição em massa. "Nessa época, os Estados Unidos se imaginavam como uma espécie de xerife do mundo e acreditavam ter uma missão internacional contra o 'mal', representado principalmente pelo islamismo", lembra o geógrafo José William Vesentini, professor da USP e autor de livros.

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Controlar o petróleo, uma das estratégias norte-americanas

Ilustração: Nik Neves e Marina C
Fonte: GEOATLAS 2010

As armas de destruição em massa iraquianas - o pretexto da ocupação - nunca foram encontradas, o que deixa claro que a motivação era realmente controlar o petróleo iraquiano: uma das primeiras medidas das tropas norte-americanas ao chegar ao país foi vigiar terminais e campos petrolíferos. Até a disposição das bases militares pelo território iraquiano mostra como o país estava disposto a defender a circulação regular dos fluxos do combustível, podendo recorrer rapidamente ao uso da força quando isso fosse necessário (veja o mapa acima).

Desde 2000, era possível notar uma alta no consumo de petróleo, impulsionada pela demanda do setor de transportes norte-americano - o que contribuiu para o aumento no preço do recurso. Além disso, as sanções impostas ao Iraque após a Guerra do Golfo, de 1991, não estavam funcionando em 2003. Saddam Hussein iniciou, então, uma escalada na extração de petróleo e fechou vários acordos de exploração com empresas francesas. Isso fez com que muitas empresas petrolíferas norte-americanas fossem preteridas. Era uma situação complicada para o país, que, ao mesmo tempo em que via sua demanda subir, tinha de lidar com um ditador que ameaçava desestabilizar o fluxo do óleo na região e, assim, afetar o fornecimento do combustível no mundo todo.

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Demanda por petróleo controlada, hora de sair

Sete anos depois, a situação na região está sob controle, o que não justifica a manutenção das tropas norte-americanas no Iraque. "Os Estados Unidos hoje têm garantida sua demanda pelo óleo, do Iraque e de vários outros países, inclusive da América do Sul, como a Venezuela", explica o geógrafo Roberto Giansanti.

E não há mais Saddam Hussein. Depois de governar desde 1993, ele caiu logo após a invasão. Foi capturado, preso e enforcado. Em 2009, o presidente norte-americano Barack Obama anunciou a retirada para este ano. Essa era uma de suas bandeiras na campanha eleitoral.

Os erros mais comuns

- Esquecer a perspectiva histórica, sem mencionar os antecedentes que influenciaram a situação atual.

- Apresentar os conceitos de forma maniqueísta, estigmatizando os países ou atores envolvidos ao reforçar a oposição entre eles (bons contra maus e pobres contra ricos, por exemplo).

Reportagem sugerida por uma leitora: Thatiana Nogueira, São Paulo, SP

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