Você conhece Iberê Camargo?

Entenda mais sobre esse artista brasileiro e veja obras analisadas de três fases da trajetória dele

POR:
Ariane Alves, Fernanda Salla
Iberê Camargo produzindo. Fundação Ibere Camargo/Divulgação

"Os grandes artistas não queriam inovar. Queriam dar uma resposta à vida. A pintura é isto - uma resposta à vida." Com essa frase, Iberê Camargo (1914-1994), pintor nascido na cidade de Restinga Seca, a 255 quilômetros de Porto Alegre, sintetiza a forma como criava. Ele permitia que seus sentimentos comandassem as mãos e deixou um vasto legado à arte nacional, como as obras Fiadas de Carretéis 2, Ciclistas e A Idiota.

Interessado por pintura desde a infância, Iberê tornou-se uma referência nas artes visuais pela expressividade de seu traço. Apesar da presença de influências de Cândido Portinari (1903-1962) e Alberto Guignard (1896-1962) em suas obras, ele rejeitava rótulos e não quis se filiar a nenhuma corrente artística. "Iberê vai além do senso comum, da arte como algo bonito, do dia a dia. Ele a via como expressão do que sentia", afirma Camila Monteiro, coordenadora do Programa Educativo da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre.

Nas aulas de Arte é possível realizar um trabalho de apreciação com a turma, uma habilidade contemplada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), que prevê situações de estudo e análise de produções, artistas ou movimentos em aula, com o objetivo de proporcionar a formação artística e a percepção estética dos alunos. Prever situações de apreciação de obras contribui para repertoriar o processo de criação dos estudantes quanto para ampliar a formação deles como cidadãos, principalmente por intensificar as relações dos indivíduos tanto com seu mundo interior como o exterior.

Ao propor essa atividade, o professor deve auxiliar os alunos a desenvolver um olhar atento, fazendo intervenções para que possam considerar as características e os significados das produções. Com isso, a garotada irá construir as próprias percepções sobre as obras, ampliando o repertório e a autonomia crítica.

Sempre que for viável, é importante apreciar as criações artísticas de perto, visitando exposições, mostras e galerias. "A exposição permite observar as obras de outro ponto de vista - ver uma do lado da outra, por exemplo", aponta Camila. Também é possível observar a produção de perto, de longe, atentando para as diferentes percepções e para a técnica aplicada. Caso não haja essa possibilidade, vale usar alguns sites que permitem um contato mais aproximado com a Arte, como o Google Art Project, em que há obras de Iberê Camargo para apreciação. Lá é possível aproximar a imagem e ver detalhes das produções.

NOVA ESCOLA selecionou três pinturas representantes das fases Carretéis, Ciclistas e Idiotas, e as analisou com ajuda de Camila e Eduardo Haesbaert, assistente do artista no fim da vida dele e coordenador do acervo da Fundação Iberê Camargo. Navegue por elas nas próximas páginas e conheça mais a fundo as características da produção de Iberê. Nos quadros abaixo de cada obra, você encontra possibilidades de intervenção que podem ser feitas em um momento de apreciação artística com os alunos nas aulas de Arte.

Indicações de livros e vídeo:

  • Gaveta dos Guardados (Iberê Camargo, 144 págs., Ed. Cosac Naify, tel. 11/3823-6584, 38 reais)
  • No Andar do Tempo (Iberê Camargo, 80 págs., Ed. Cosac Naify, tel. 11/3823-6584, 42 reais)
  • Iberê Camargo em processo. Disponível aqui.

Fiadas de carretéis 2
1961, óleo sobre tela, 92 x 180 cm
Coleção Maria Coussirat Camargo, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre.

Fiadas de carretéis 2. Foto: Fábio Del Re

Intervenção do professor

Peça que os alunos comparem a obra com outras produções da mesma série (disponíveis aqui). Faça perguntas como: "Vocês enxergam carretéis?", "Como estão olhando para este objeto - de cima, de lado ou de frente?", "Eles têm todos o mesmo formato?" "Como estão dispostos na tela?".

Ciclistas
1989, óleo sobre tela, 180 x 213 cm
Coleção Maria Coussirat Camargo, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre

Ciclistas. Foto: Fábio Del Re

Intervenção do professor

Chame a atenção da turma para o aspecto transfigurado da figura: "Por que as pessoas estão deformadas?", "Os personagens são homens ou mulheres?", "Para onde estão indo?". Pergunte também qual poderia ser a razão da escolha da bicicleta como objeto representativo.

A Idiota
1991, óleo sobre tela, 154,8 x 199,8 cm
Coleção Maria Coussirat Camargo, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre

A Idiota. Foto: Fábio Del Re

Intervenção do professor

"Por que a personagem está sentada?", "Para onde está olhando?", "Quais são os sentimentos transmitidos pela sua expressão?" são perguntas que podem ser feitas ao aluno que observa esta pintura. A diferença entre o acúmulo de tinta no rosto das personagens e o resto da tela também servem de mote para provocar indagações nos alunos.

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