ANÚNCIO
Você sabia que é possível salvar matérias para ler mais tarde? Use o botão Ler mais tarde

A relação entre as células e o reino a que pertencem os seres vivos

A classificação dos seres vivos fica mais clara quando se investiga a unidade que os constitui

por:
Anna Rachel Ferreira
Abril de 2013
A classificação dos seres vivos fica mais clara quando se investiga a unidade que os constitui. Bruno Algarve
Consultoria Marcio Cotomacci

O que o homem, o elefante e a barata têm em comum? A estrutura celular. Por isso, os três integram o reino animal (Animalia), um dos seis grandes grupos que dividem os seres vivos. E em que aspecto os fungos são diferente das plantas que conhecemos? Novamente, a resposta está nas células. Por isso, os primeiros pertencem ao reino Fungi e os outros ao Plantae.

Para que a turma compreenda todas as divisões - além dos reinos citados, ainda há o Eubacteria, o Archaebacteria e o Protista -, é preciso que tenha clareza sobre a reflexão científica que leva a elas. "É mais importante entender o porquê da separação dos reinos que decorar os conceitos envolvidos nela", ressalta Érika Amano, professora do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O biólogo Marcio Cotomacci, autor de livros didáticos, reforça que, para otimizar o desenvolvimento de pesquisas, os cientistas organizaram todos os seres baseados em critérios claros e aceitos por todos. Portanto, critério é a palavra-chave para compreender a taxonomia, ciência que trata da classificação dos organismos.

Tendo isso em mente, a docente Gisele Maria de Figueiredo Matheus iniciou a sequência sobre o assunto com o 7º ano do Sesi - Unidade Castelo Branco, em Ribeirão Preto, a 315 quilômetros de São Paulo, com atividades de reconhecimento de padrões. Em uma delas, ela selecionou alguns alunos e os chamou para a frente da sala. A classe tinha de dizer a razão que a fez convocar apenas aqueles. Um estudante arriscou: "O relógio?" E uma garota, que estava sentada, mostrou que também tinha um no pulso. Assim, as hipóteses foram sendo refutadas até desvendarem que os escolhidos usavam camiseta com gola. A educadora ressaltou a importância da observação atenta e pediu que, em casa, cada um desenhasse a organização do seu guarda-roupa.

Com os desenhos em mãos, eles compararam como guardam as roupas e questionaram os outros quando a diferença era gritante. Na sequência, ela abordou outra situação doméstica que costuma ser igual em muitas casas: a organização do armário da cozinha. Um estudante não guardava as panelas embaixo da pia e vários colegas acharam esquisito, fundamentando a conclusão apresentada pela docente de que muitos critérios são possíveis, mas eles só funcionam para a ciência se os cientistas chegarem a um consenso.

Semelhança que não se enxerga

Interseções entre as células dos seres. Bruno Algarve
Interseções entre as células dos seres. Consultoria Marcio Cotomacci

Outra atividade possível para colaborar com essa reflexão é apresentar imagens de várias espécies de reinos diferentes e pedir que os adolescentes as agrupem, dando liberdade para que testem possibilidades. "Assim, eles compreendem a dificuldade em fazer a divisão pelo que é visível a olho nu", afirma Érika. Em vez de usar as fotos, Gisele propôs a pergunta sobre o que une o homem, o elefante e a barata. As hipóteses da turma se restringiram às características que se podia visualizar. "Imaginei que pudesse ser a capacidade de reprodução, mas achei estranho a barata estar junto dos outros", admite o aluno Alexandre Cicelini, 13 anos. Como todos insistiram que não havia semelhança, a educadora explicou que o que os une é o que está em sua célula, unidade morfológica e fisiológica inerente a todo ser vivo.

Gisele deu, então, uma aula expositiva sobre essa estrutura microscópica. Explicou que ela pode ter várias formas e que para algo viver é necessário que dentro da célula tudo funcione, como se ali estivesse o corpo inteiro em miniatura. Ela desenhou alguns modelos no quadro e, dentro deles, fez as organelas (micro-órgãos). Por último, comentou que existem dois tipos básicos que se diferenciam pela organização desses elementos: as procarióticas, encontradas nas bactérias, e as eucarióticas, constituintes dos demais seres. Finalmente, ela esclareceu que as diferenças entre elas acarretam na primeira divisão que eles estudariam. E a missão para casa foi buscar imagens delas na internet.

O encontro seguinte aconteceu no laboratório de informática e todos compartilharam seus achados. "Logo vimos que o núcleo da eucariótica era organizado, e o da procariótica, não, e que uma tem muito mais conteúdo que a outra", lembra a estudante Ana Cláudia da Silveira, 13 anos. A turma visualizou, então, uma imagem com os dois tipos de célula lado a lado e a lista dos elementos que se repetem e dos que são encontrados apenas em uma delas (veja acima as interseções entre quatro reinos). Para complementar o estudo sobre o tema, é válido indicar a leitura de textos informativos como o que está disponível aqui.

Após a pesquisa, a educadora reforçou como os conceitos são revistos no campo científico. Questionou se os jovens consideravam que o nome célula, que significa "pequena cavidade", estava correto. Eles disseram que não porque há um monte de coisas dentro dela. Então, a docente explicou que o nome foi mantido, mas o conceito foi ampliado graças a novas descobertas. A ressalva é importante, pois as células procarióticas caracterizam seres que já foram considerados de um único reino, o Monera, mas que com o avanço dos microscópios foi dividido. Para finalizar, a turma produziu um resumo sobre os principais pontos da aula e saiu com a missão de pesquisar imagens de células vegetais e animais. "À medida que solicito essas buscas, os alunos chegam com as respostas quase prontas e as comparações são feitas facilmente", conta.

Érika ressalta a importância de usar o microscópio para a visualização das células reais. "Se isso não for possível, pode-se buscar imagens que demonstrem como elas aparecem quando são vistas por meio do instrumento", diz.

No encontro seguinte, Gisele apresentou uma tabela com os seis reinos, os tipos de células correspondentes a eles e as principais espécies de cada um. Com essa informação, os estudantes responderam a questões para refletir sobre a classificação. Após a análise, passaram a indagar se tudo o que existe no planeta está contemplado nesses grupos e notaram a ausência dos vírus. "Indiquei que esse é um caso particular, pois alguns cientistas acreditam que eles só se tornam vivos quando parasitam outro ser."

Nesse ponto do longo percurso rumo às classificações dentro de cada reino, os alunos já estavam bastante familiarizados com as técnicas de organização e aptos a reconhecer as demais divisões que ainda surgiriam pela frente. Somente no reino animal, do qual fazemos parte, eles ainda desvendarão as características do filo, da classe, da ordem, da família, do gênero e, finalmente, da espécie. Haja critério.

1 Entender a lógica Promova atividades para que os jovens entendam a diferença entre critérios pessoais e científicos. Uma opção é separar imagens de seres vivos e pedir que eles as agrupem segundo a regra que julgarem melhor. Problematize as escolhas e explique que a ciência se baseia numa regra comum, comprovada e respeitada por todos.

2 O mundo das células Peça que os alunos busquem imagens de células eucarióticas e procarióticas. Em sala ou no laboratório de informática, faça a comparação. Explique o conceito de célula e mostre sua evolução. Depois, compare também as células de seres do reino animal e do vegetal. Se tiver microscópios disponíveis, utilize.

3 O reflexo nos reinos Em uma aula expositiva, mostre o que compõe as células dos seis reinos e a relação desses elementos com as características das espécies. Apresente questões para que a turma reflita sobre as informações passadas e as relações estudadas.

ANÚNCIO
LEIA MAIS