Compartilhe:

Jornalismo

Como conectar o currículo à cultura dos alunos nos Anos Finais

Entenda como o repertório cultural dos estudantes pode enriquecer sua prática pedagógica e fortalecer a diversidade

PorRosiane Prates

14/01/2025

Tem interesse no tema "Neurociência, adolescências e engajamento nos Anos Finais"?

Inscreva-se neste tema para receber novidades pelo site e por email.

Ao reconhecer e valorizar as diferentes bagagens culturais, é possível promover respeito à diversidade e um sentimento de pertencimento essencial ao bem-estar emocional dos adolescentes. Foto: Getty Images

Conhecer o repertório cultural dos alunos é um diferencial na prática pedagógica, especialmente nos Anos Finais do Ensino Fundamental, uma etapa marcada por transições e descobertas. 

Ao compreender as vivências e valores dos estudantes, os professores podem estabelecer conexões significativas entre o conteúdo curricular e aspectos do cotidiano dos alunos. Essa abordagem torna o aprendizado mais atrativo e promove um ambiente de aprendizagem engajado.

Por que conhecer o repertório cultural dos alunos?

O repertório cultural dos estudantes engloba experiências, tradições, valores e modos de ver o mundo. Quando esses elementos são incorporados às atividades pedagógicas, eles não apenas enriquecem a dinâmica da sala de aula, mas também contribuem para o desenvolvimento da autoestima e da identidade dos alunos. 

Ao reconhecer e valorizar as diferentes bagagens culturais, promovemos respeito à diversidade e um sentimento de pertencimento essencial ao bem-estar emocional dos adolescentes.

Valorizar a cultura dos alunos também é uma forma de combater preconceitos e estereótipos. Por meio da discussão de temas relacionados à diversidade, é possível formar cidadãos mais críticos e respeitosos em uma sociedade multicultural.

Como incluir o repertório cultural no planejamento?

Para incorporar o repertório cultural dos alunos no planejamento pedagógico, é essencial adotar uma postura aberta e investigativa.

Conheça o universo dos alunos. Descubra as músicas, filmes, jogos e redes sociais que fazem parte do cotidiano deles. Entenda as tradições e práticas culturais presentes em suas comunidades. Essa observação ativa ajuda a criar atividades que dialoguem diretamente com os interesses deles.

Contextualize os conteúdos. Utilize elementos culturais conhecidos pelos alunos para introduzir ou exemplificar conceitos. Na Matemática, por exemplo, é possível explorar problemas relacionados à cultura local ou proporções baseadas em jogos populares entre os estudantes.

Promova a participação ativa. Envolva os alunos na criação de atividades e projetos que reflitam suas vivências e interesses. Essa colaboração aumenta o engajamento e promove o protagonismo estudantil.

Na prática

Certa vez, por exemplo, levei uma proposta de atividade para sala de aula que envolvia a realização de pesquisa dentro da própria escola, dentro do conteúdo de Probabilidade e Estatística.  

Os estudantes precisavam visitar outras turmas para coletar dados e preencher um formulário sobre jogos, programas e artistas preferidos. Quando retornaram, dialogamos sobre o momento da pesquisa, sendo interessante a descrição deles sobre o perfil das outras turmas, de maneira respeitosa. Foi muito bacana, pois por meio de uma atividade prática foi possível interligar aspectos culturais e objetivos de aprendizagem. 

No final, também consegui muitas informações sobre os alunos que poderão ser utilizadas de diversas maneiras no planejamento.

Lidando com preconceitos

Em uma sala de aula diversa, é possível que surjam conflitos culturais ou resistências a determinados temas. Para lidar com esses desafios, é fundamental cultivar um espaço de respeito e valorização da diversidade. 

Como educadores, é importante refletirmos sobre nossos próprios preconceitos e buscarmos abordagens que desconstruam estereótipos, enriquecendo o aprendizado de todos.

Isso não significa deixar de ser criterioso quanto ao que é adequado para o contexto escolar. Cabe ao professor avaliar o que faz sentido ser discutido em sala de aula, sempre considerando o desenvolvimento e a idade dos estudantes.

Dicas para as férias

As férias são uma ótima oportunidade para ampliar nosso repertório cultural e nos prepararmos para o novo ano letivo. Por isso, que tal considerar escolher alguns conteúdos que fazem sucesso entre os adolescentes e voltar para as aulas repleto de referências que eles irão conseguir captar? 

Eu reuni algumas sugestões dos meus alunos:

  • Senna (Netflix): Uma série que retrata a história do piloto Ayrton Senna, um ídolo do esporte brasileiro.
  • Pretty Little Liars (Max): Uma trama cheia de mistério que acompanha quatro adolescentes lidando com segredos e ameaças.
  • Cartas para Deus: Um filme emocionante que conta a história de um menino enfrentando o câncer com coragem e fé.

Além disso, considere visitar lugares que valorizem a cultura local ou participar de atividades culturais. Essa vivência pode trazer ideias valiosas para enriquecer suas aulas.

Colegas, conhecer e valorizar o repertório cultural dos alunos não apenas fortalece a prática pedagógica, mas também transforma a sala de aula em um ambiente mais inclusivo e significativo. 

Aproveite o novo ano para explorar essas possibilidades e enriquecer suas aulas com elementos que façam sentido para seus estudantes. Afinal, educar é também conectar e transformar.

Rosiane Prates é professora de Matemática das séries finais do Ensino Fundamental, atua há mais de dez anos na rede pública e já integrou o Comitê de Avaliação do Município de Pinheiros (ES). Em 2022, participou da quarta edição do Mulheres na Ciência e Inovação, programa de formação para pesquisadoras no Brasil realizado pelo Museu do Amanhã e o British Council. Também foi professora-autora no projeto Planos de Aula de Matemática, realizado pela Associação NOVA ESCOLA. Além disso, tem participação como voluntária em projetos socioeducacionais e de empreendedorismo. É licenciada em Matemática e Pedagogia, graduada em Administração, especialista em Ensino e Currículo, em Matemática na Prática e mestranda em Gestão Escolar.

Veja mais sobre

Últimas notícias