Oralidade: Yes, we can speak English

Com games, a moçada dá os primeiros passos para falar o idioma

POR:
Daniele Pechi
Na Escola Mère Guillemin, os alunos começaram a aprender inglês com jogos. Lusco
Na Escola Mère Guillemin, os alunos começaram a aprender inglês com jogos

É bem comum que vários alunos dos anos finais do Ensino Fundamental considerem as aulas de Língua Estrangeira um sofrimento e não avancem com o passar do tempo. Muitas vezes isso acontece porque o primeiro contato formal deles com o idioma ocorre na escola, e o que veem pela frente é um emaranhado de palavras que, para eles, não fazem o mínimo sentido. "A aquisição vocabular do inglês é lenta e precisa ser feita de uma forma cuidadosa para que a turma não considere a língua um bicho de sete cabeças nem se sinta desestimulada ou incapaz de aprender", explica Melissa Baffi, professora da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp) e doutora em Estudos Linguísticos.

Outra barreira que costuma impedir a aprendizagem é o fato de os docentes investirem muito (e somente) no ensino da gramática, mesmo quando a classe mal conhece o idioma que está começando a estudar. Sem ter uma boa base vocabular, ninguém consegue ir muito longe, segundo o norte-americano Keith Folse, docente da Associação de Professores de Inglês para Falantes de Outras Línguas (Tesol) e da Universidade do Centro da Flórida (UCF), nos Estados Unidos. Sobre essas questões (vocabulário e gramática), ele apresenta duas considerações no artigo Myths About Teaching and Learning Second Language Vocabulary: What Recent Research Says:

  • "Se o material que o estudante está ouvindo ou lendo tem muitas palavras desconhecidas, o idioma não é compreensível."
  • "Durante muito tempo, a ênfase do ensino tem sido erroneamente a gramática. Na verdade, para grande desgosto dos professores de Língua Estrangeira, os alunos podem se expressar se tiverem uma gramática pobre, e eles fazem isso com bastante frequência. No entanto, com vocabulário pobre, a comunicação é fortemente limitada."

Usar novas palavras para ganhar o jogo

Para fazer as turmas do 6º ao 9º ano da Escola Mère Guillemin, em Olinda, região metropolitana de Recife, soltarem a língua e aprenderem o idioma de forma consistente, a professora Karoline Ferreira investe em atividades permanentes com foco em vocabulário. Ela usa games que criou (como dominós e jogos da memória) e que reúnem alguns grupos de palavras (animais, cores e alimentos, por exemplo). "Para brincar, os estudantes têm de associar os termos às imagens, ou seja, usar o idioma", ela explica. A educadora também elaborou jogos de percurso, nos quais só é possível avançar nas casas ao acertar como se diz determinado termo em inglês. "Propostas como essas ajudam a ampliar o repertório de palavras", afirma Sandra Baumel Durazzo, diretora da Target Idiomas. Para que a turma progrida na aprendizagem, ela recomenda não trabalhar sempre com os mesmos jogos. "É interessante desafiar a classe a criar alguns, levando em conta o que já sabe e tendo de pesquisar coisas novas."

Outra boa saída para manter a turma interessada em aprender sempre mais é ir além dos jogos de cartas e percurso. Alguns envolvem toda a sala e podem ser usados como aquecimento para iniciar as aulas. "Para brincar de find someone who, por exemplo, os alunos devem fazer uma lista de coisas como find someone who takes showers instead of baths e find someone who likes rice better than potatoes, e procurar na classe quem responde positivamente", Sandra explica. Cada vez que uma pessoa é encontrada, o nome dela é anotado ao lado do tópico. Vence quem conseguir encontrar um colega para cada frase. O objetivo é fazer com que todo mundo circule e interaja bastante. Para a elaboração das frases, podem ser disponibilizados dicionários. Outra proposta interessante é o stop: depois de escolher uma letra, os jovens devem encontrar palavras que comecem por ela para preencher campos como color e animal. Vence quem completar todas as categorias primeiro.


Em paralelo, frases e texto

Karoline Ferreira elaborou uma lista de frases básicas para a turma usar como apoio. Lusco
Karoline Ferreira elaborou uma lista de
frases básicas para a turma usar
como apoio

Karoline também investiu na produção de uma lista de expressões básicas que os alunos teriam de usar durante as aulas, como "May I go to the bathroom?", "How do I say it in English?" e "Can I borrow it?" Essa estratégia é uma forma de dar segurança para eles falarem. Além disso, mostra o uso da língua com propósito real. O desafio é pensar a fala adequada para o momento em questão, além de caprichar na pronúncia. "Para isso, o educador pode servir de modelo, além de selecionar trechos de filmes e programas jornalísticos que contenham tais falas", diz Adriana Lima, técnica pedagógica da Secretaria de Educação do estado de Pernambuco. "Conforme for diagnosticando as dificuldades de pronúncia dos alunos, ela pode desenvolver outras atividades, como apresentar textos e pedir que eles os dramatizem", completa.

Consultar referências - tal como o cartaz adotado por Karoline - para falar ou escrever algo não significa um problema para aprender uma língua estrangeira. É uma maneira de se apoiar enquanto determinados saberes ainda não estão solidificados. No entanto, a lista para consulta precisa ser alterada de tempos em tempos. Dessa maneira, a turma é obrigada a se apropriar de novas frases, usar as anteriores com autonomia e, com o tempo, fazer adaptações para criar falas. Levando em conta as sentenças escritas no cartaz que fica na parede da sala, os alunos de Karoline já estão falando em inglês. Ficou combinado, por exemplo, que ninguém mais pede para ir ao banheiro usando a língua materna. "Quando alguém fala alguma coisa em português, os colegas cobram, dizendo In English, please," conta.

Além da aquisição do vocabulário básico, outro grande nó geralmente aparece na hora de articular a gramática às palavras e expressões. "Elas não podem ser trabalhadas na escola sempre isoladas do uso que se faz delas. Então, é necessário lançar mão de textos reais desde a primeira aula", explica Melissa, da Unesp.

Para turmas com o repertório ainda reduzido, é ideal explorar materiais como receitas, quando se estuda o vocabulário relacionado a alimentos. "Elas são ótimas para ensinar o imperativo dos verbos e substantivos contáveis e incontáveis. Vale usá-las para focar nos termos que indicam as medidas e nos verbos de um campo semântico específico, como to bake e to cook", diz Sandra. "Essa articulação com textos é o próximo passo que vamos dar", explica Karoline.


Com games, a moçada dá os primeiros passos para falar o idioma. Lusco

"Trabalhar com jogos é muito melhor do que ficar ouvindo só o professor. A gente aprende mais, porque tem de falar de verdade."
Ana Beatriz Costa e Silva, 13 anos, estudante do 7º ano

Com games, a moçada dá os primeiros passos para falar o idioma. Lusco

"A lista de frases ajuda. Se quero dizer algo que não está lá, uso o que está escrito e as palavras que aprendi para tentar montar a nova frase."
Wandressa de Cabral, 12 anos, estudante do 7º ano

1 Brincando com palavras Pesquise ou elabore games com conjuntos básicos de palavras (animais, cores e comidas, por exemplo). Reúna os alunos em grupos e distribua os jogos.

2 Apoio mais que bem-vindo Prepare para a sala um cartaz com frases básicas que deverão ser usadas no dia a dia por todos. Com o passar do tempo, amplie as frases para o grupo se apropriar delas.

3 Sem esquecer da Gramática Textos simples, com o mesmo vocabulário aprendido por meio dos jogos, podem ser usados para explorar questões gramaticais. Receitas culinárias são opções quando o tema é alimentação.

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